SUSTO ANTES DO POUSO: avião arremete em Palmas, refaz aproximação e aterrissa com segurança

SUSTO ANTES DO POUSO: avião arremete em Palmas, refaz aproximação e aterrissa com segurança
Reprodução/Flight Aware
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 30 de julho de 2026 5

Passageiros de um voo da Latam enfrentaram momentos de apreensão durante a chegada a Palmas, na tarde desta quarta-feira, 29 de julho. A aeronave interrompeu a primeira tentativa de pouso no Aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues, voltou a ganhar altitude, sobrevoou a região da capital e aterrissou normalmente após uma nova aproximação.

O voo LA 3572 fazia a rota entre Brasília e Palmas. Dados de monitoramento aéreo apontam que a aeronave decolou da capital federal às 12h37 e seguiu normalmente até iniciar a descida no Tocantins.

Durante a aproximação, o avião chegou a cerca de 540 metros de altitude em relação ao solo. Em seguida, a tripulação interrompeu o procedimento de pouso, acionou novamente a potência dos motores e elevou a aeronave até aproximadamente 1,2 quilômetro de altura.

Depois de completar um novo circuito de aproximação, o avião pousou em segurança às 14h08. Não houve registro de feridos, danos à aeronave ou qualquer outra intercorrência envolvendo passageiros e tripulantes.

Segundo a administração do Aeroporto de Palmas, o que ocorreu foi uma arremetida, procedimento previsto nos protocolos da aviação sempre que o piloto considera que as condições para concluir o pouso não estão totalmente adequadas.

Apesar do susto provocado pela aceleração repentina e pela retomada da subida, a arremetida não representa, por si só, uma situação de emergência. Na prática, a decisão mostra que a tripulação preferiu interromper a aproximação a insistir em um pouso fora dos parâmetros considerados seguros.

A Agência Nacional de Aviação Civil define a arremetida como um procedimento de aproximação perdida. A manobra pode ser realizada quando a tripulação não consegue as referências visuais necessárias, recebe determinação do controle de tráfego aéreo ou identifica qualquer condição que recomende uma nova tentativa de pouso.

O diretor de Segurança e Operações de Voo da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Raul de Souza, explica que a arremetida é treinada regularmente pelas tripulações e deve ser encarada como uma escolha preventiva.

“A arremetida é um procedimento padrão de segurança na aviação, executado rotineiramente pelas tripulações”, afirma Raul de Souza em análise técnica consultada pelo Diário Tocantinense.

Segundo o especialista, a decisão demonstra que o pouso somente será realizado quando a aeronave estiver estabilizada e todas as condições operacionais forem consideradas adequadas.

O piloto e especialista em aviação Lito Sousa, conhecido pelo trabalho de divulgação sobre segurança aérea, também sustenta que a arremetida é uma manobra comum e adotada para preservar a segurança do voo. Para ele, o procedimento não deve ser confundido automaticamente com falha da aeronave ou risco de acidente.

Entre os motivos que podem levar uma tripulação a arremeter estão mudanças repentinas na velocidade ou na direção do vento, falta de alinhamento ou estabilização da aeronave, pista temporariamente ocupada, presença de animais ou veículos, baixa visibilidade e orientação da torre de controle.

No caso registrado em Palmas, não foi divulgada oficialmente a causa específica que levou a tripulação a interromper a primeira aproximação. Por isso, qualquer afirmação relacionando a manobra ao clima, a problemas técnicos ou à movimentação na pista seria apenas especulação.

Durante uma arremetida, os pilotos aumentam a potência dos motores, interrompem a descida e conduzem o avião de volta a uma altitude segura. Ao mesmo tempo, a tripulação mantém contato com os controladores para organizar uma nova aproximação ou, caso as condições permaneçam inadequadas, seguir para um aeroporto alternativo.

O aumento do barulho dos motores e a sensação de que o avião voltou a subir poucos instantes antes de tocar a pista podem causar medo entre os passageiros. Tecnicamente, porém, a decisão de não insistir no pouso é considerada uma das principais barreiras de prevenção de acidentes na aviação.

No episódio desta quarta-feira, o procedimento foi concluído dentro da normalidade. Após refazer a aproximação, a tripulação do voo LA 3572 pousou no Aeroporto de Palmas sem necessidade de atendimento emergencial.

O Diário Tocantinense mantém espaço aberto para manifestação da Latam, da administração do Aeroporto de Palmas e dos órgãos responsáveis pelo controle do tráfego aéreo sobre o motivo específico da arremetida.

Notícias relacionadas