“Se a rede pública não avança, é a gestão que precisa rever suas estratégias”, critica Vicentinho após Ideb do ensino médio ficar em 4,1
Os novos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) colocaram a qualidade da educação do Tocantins no centro do debate eleitoral. Candidato ao Governo do Estado, Vicentinho Júnior criticou a estagnação registrada no ensino médio da rede pública tocantinense e afirmou que os resultados precisam levar a uma revisão das estratégias adotadas pela gestão estadual.
Os dados oficiais divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram situações diferentes dentro da educação tocantinense. Considerando todas as redes, o Ideb do ensino médio do Tocantins passou de 4,2, em 2023, para 4,3 em 2025, crescimento de apenas 0,1 ponto. Já na rede pública do Estado, o indicador do ensino médio permaneceu em 4,1 nos dois levantamentos.
O resultado ganha ainda mais peso quando comparado ao cenário nacional. No Brasil, considerando redes públicas e privadas, o Ideb do ensino médio avançou de 4,3 para 4,5 entre 2023 e 2025. Quando são consideradas somente as redes públicas do país, o índice passou de 4,1 para 4,3. Ou seja: enquanto a média da rede pública brasileira avançou dois décimos, o Tocantins permaneceu estacionado em 4,1 nessa etapa de ensino.
Os números mostram também que o quadro não é uniforme em todas as etapas da educação tocantinense. Nos anos iniciais do ensino fundamental, considerando todas as redes, o Estado avançou de 5,6 para 5,9. Nos anos finais, permaneceu em 4,9. Já na rede pública tocantinense, os anos iniciais passaram de 5,4 para 5,8, enquanto os anos finais recuaram de 4,8 para 4,7. No ensino médio público, permaneceu o 4,1.
O próprio Ideb combina dois componentes importantes para medir a qualidade da educação: o fluxo escolar, que considera dados de aprovação, e o desempenho dos estudantes nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O indicador varia de zero a dez e é utilizado como uma das principais referências para acompanhar a evolução da educação básica brasileira.
Para Vicentinho Júnior, o crescimento discreto no resultado geral e, principalmente, a ausência de avanço no ensino médio da rede pública demonstram que é necessário mudar a condução das políticas educacionais.
“Não podemos colocar essa responsabilidade nas costas do professor, que está todos os dias na sala de aula fazendo a sua parte. Cabe ao governo oferecer estrutura, tecnologia, valorização profissional e uma política educacional capaz de produzir resultados. Se a rede pública não avança, é a gestão que precisa rever suas estratégias”, afirmou Vicentinho.
O candidato defende que o debate sobre os indicadores educacionais não seja usado para responsabilizar professores e servidores, mas para avaliar a capacidade do poder público de oferecer condições para que os profissionais consigam melhorar a aprendizagem dos estudantes.
O desempenho tocantinense também chama atenção porque, nacionalmente, 23 unidades da Federação apresentaram crescimento do Ideb do ensino médio em 2025, três permaneceram estáveis e apenas uma registrou queda. O Brasil alcançou, nas três etapas avaliadas, os maiores resultados da série histórica do indicador iniciada em 2005.
Diante desse cenário, Vicentinho apresenta um conjunto de propostas que, segundo seu plano de governo, pretende atacar problemas relacionados à estrutura escolar, formação profissional, tecnologia, evasão e preparação dos jovens para o mercado de trabalho e o ensino superior.
Uma das principais propostas é a implantação de 50 novas escolas de tempo integral com centros de tecnologia digital. A intenção é ampliar a permanência do estudante no ambiente escolar e associar o ensino regular a ferramentas tecnológicas e novas possibilidades de aprendizagem.
Outra iniciativa apresentada é o programa Tocantins para o Mundo, voltado ao intercâmbio internacional de estudantes. A proposta é possibilitar que jovens da rede estadual tenham experiências educacionais em outros países e ampliem seus conhecimentos acadêmicos, profissionais e culturais.
O plano também prevê fortalecimento do ensino técnico e profissionalizante, buscando aproximar a formação oferecida pelas escolas das demandas do mercado de trabalho e das vocações econômicas de cada região do Tocantins.
Para as escolas rurais, Vicentinho propõe ampliar a conectividade e o acesso à tecnologia. A formação tecnológica dos professores também aparece entre as medidas apresentadas pelo candidato.
Outra preocupação é a evasão escolar. O programa prevê ampliar a bolsa permanência e desenvolver políticas de busca ativa para identificar estudantes que abandonaram ou estão em risco de abandonar a escola.
Vicentinho defende ainda medidas específicas de valorização dos trabalhadores da educação. Entre elas estão a implementação do chamado descanso de voz para professores e a equiparação do PROFE para profissionais contratados.
O plano inclui ainda feiras e Olimpíadas Tecnológicas, com o objetivo de estimular inovação, ciência, criatividade e participação dos estudantes em projetos desenvolvidos dentro das unidades escolares.
Na alimentação escolar, a proposta é ampliar a aquisição de produtos provenientes da agricultura familiar e garantir alimentação aos estudantes também durante o período de férias, especialmente para famílias em situação de maior vulnerabilidade.
Para Vicentinho, a discussão sobre investimento na educação precisa necessariamente chegar ao resultado obtido dentro da sala de aula. “Queremos valorizar quem ensina e abrir novas oportunidades para quem aprende. O resultado disso precisa aparecer na aprendizagem e no futuro dos nossos jovens”, concluiu.
Os dados do MEC e do Inep mostram que o Tocantins teve avanços em determinados segmentos, especialmente nos anos iniciais, mas também revelam pontos de alerta: queda nos anos finais da rede pública e estagnação em 4,1 no ensino médio público.
Com a educação entrando definitivamente no debate da campanha ao Governo do Tocantins, a discussão agora deverá avançar além da quantidade de investimentos anunciados. O desempenho medido pelo Ideb coloca no centro da disputa uma questão objetiva: como transformar recursos, estrutura e políticas públicas em aprendizagem efetiva e melhores oportunidades para os estudantes tocantinenses?