Advogado é investigado após morte do filho de 3 anos em Palmas

Advogado é investigado após morte do filho de 3 anos em Palmas
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 4 de agosto de 2026 0

Representante da mãe afirma que documentos indicam violência sexual; Polícia Civil identifica sinais de violência, mas aguarda laudos para definir a causa da morte

A Polícia Civil do Tocantins investiga a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, encontrado sem vida em uma residência na região norte de Palmas na segunda-feira (3). O pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, é investigado no caso, mas não está preso e nega as acusações por meio da defesa.

A investigação fica sob responsabilidade da 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas. O delegado Eduardo Menezes informa que os exames preliminares identificam sinais de violência no corpo da criança. A polícia aguarda os laudos periciais para determinar se a morte decorre de acidente ou de crime.

Até esta terça-feira (4), a Polícia Civil não confirma oficialmente a causa da morte nem a ocorrência de violência sexual. Também não há informação pública sobre indiciamento ou pedido de prisão contra o advogado.

Advogada da mãe aponta violência sexual

A advogada Stella Bueno, representante da mãe do menino, afirma que a certidão de óbito e informações obtidas durante o acompanhamento do caso indicam violência sexual. Segundo ela, os elementos afastam, em princípio, a possibilidade de morte acidental.

A afirmação é divulgada pelo Jornal Opção Tocantins. A Polícia Civil, porém, ainda não confirma essa conclusão e ressalta que os laudos oficiais permanecem pendentes. O inquérito tramita sob sigilo por envolver uma criança.

A representante da família também afirma que a mãe havia registrado denúncias de ameaças contra Igor durante o relacionamento. A advogada avalia a possibilidade de violência vicária, quando uma agressão contra o filho é usada para atingir a mãe. Essa hipótese ainda não integra as conclusões oficiais da investigação.

Defesa relata aparente afogamento

A defesa de Igor apresenta uma versão diferente. Segundo os advogados, o menino estava com o pai na área de lazer da residência no domingo (2), quando sofreu um aparente princípio de afogamento na piscina.

A defesa sustenta que Igor retirou o filho da água, prestou os primeiros socorros e percebeu uma reação da criança. Diante da aparente melhora, o menino recebeu cuidados e foi colocado para descansar.

Na manhã de segunda-feira, conforme essa versão, o advogado encontrou o filho sem sinais vitais. Igor procurou a Polícia Civil, comunicou a morte, prestou depoimento e entregou as chaves do imóvel para a perícia.

Após o depoimento, ele foi liberado. A defesa afirma que o advogado permanece à disposição das autoridades e nega qualquer agressão contra a criança.

Familiares e testemunhas prestam depoimento. Peritos também realizam exames no imóvel e no corpo da vítima para definir a causa e o horário da morte, conforme informações divulgadas sobre a apuração da DHPP de Palmas.

Advogado presidiu Tribunal de Ética da OAB-TO

Igor Gustavo Veloso de Sousa já ocupou a presidência do Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil no Tocantins. Ele foi afastado da função em outubro de 2023, após denúncias de ameaças feitas pela ex-companheira.

Na ocasião, a Justiça concedeu uma medida protetiva à mulher. Igor contestou a forma como ocorreu o afastamento e afirmou que não teve oportunidade de apresentar sua defesa antes da decisão administrativa.

O afastamento ocorreu apenas da presidência do Tribunal de Ética. Não se trata, conforme as informações disponíveis, de expulsão da OAB ou cancelamento da inscrição profissional.

A OAB-TO informa que acompanha o caso da morte da criança e aguarda a conclusão da investigação. A entidade não anuncia, até o momento, abertura de procedimento disciplinar relacionado à ocorrência.

Laudos definirão andamento do caso

Os resultados da perícia serão usados para determinar a causa da morte e orientar as próximas decisões da Polícia Civil. A investigação também deve analisar os depoimentos, os registros no imóvel e as informações apresentadas pelas duas partes.

Caso os elementos indiquem crime, a Polícia Civil poderá representar pela prisão do investigado e concluir o inquérito com indiciamento. Depois, caberá ao Ministério Público avaliar se apresenta denúncia à Justiça.

Até a conclusão das diligências, Igor permanece na condição de investigado. A afirmação de que ele praticou violência sexual e matou o filho ainda depende de confirmação pericial e decisão judicial.

Casos de suspeita de violência contra crianças podem ser denunciados pelo Disque 100, pelo Conselho Tutelar ou pelo telefone 190 em situações de emergência.

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