Laurez oficializa chapa com Silva Neto e Paulo Mourão, mas Irajá mantém PSD em impasse
Convenção confirma candidatos ao Governo e uma das vagas ao Senado, enquanto futuro eleitoral de Irajá Abreu depende de decisão da direção nacional do partido
A convenção que oficializou Laurez Moreira, do PSD, como candidato ao Governo do Tocantins confirmou o coronel da reserva Silva Neto na vaga de vice-governador e Paulo Mourão, do PT, na disputa pelo Senado. O evento, porém, terminou sem resolver o futuro político do senador Irajá Abreu, também filiado ao PSD.
Realizado na terça-feira (4), no auditório da Associação Tocantinense de Municípios, em Palmas, o encontro reuniu PSD, PSB, PDT e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. A ausência de Irajá e a retirada de seu nome dos materiais da convenção expuseram a divergência interna que acompanha a composição da chapa majoritária.
Irajá ficou fora da convenção
Antes do evento, Irajá encaminhou documentos ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e ao presidente estadual da sigla, Laurez Moreira. Nos ofícios, o senador informou que não autorizava a indicação de seu nome para nenhum cargo durante a convenção nem o uso de sua imagem nos materiais de divulgação.
O parlamentar atribuiu a decisão à condução das articulações eleitorais pelo diretório estadual. Ele apontou falta de diálogo sobre a formação das chapas, questionou as alianças definidas pelo partido e solicitou que a Executiva Nacional do PSD intervenha no impasse.
A decisão de não participar da convenção, entretanto, não significa uma desistência definitiva da eleição. Irajá afirma que continua disponível para disputar o pleito caso a direção nacional reveja o que ele considera erros na condução do partido no Tocantins.
Laurez diz que vaga permanece reservada
Apesar da ausência e das críticas feitas pelo senador, Laurez evitou anunciar um rompimento. Na chegada à convenção, afirmou que pretende cumprir o acordo firmado anteriormente, pelo qual uma das vagas ao Senado ficaria com Paulo Mourão e a outra seria destinada a Irajá.
“A vaga é dele. Sou homem de compromisso”, declarou Laurez, ao transferir para o senador a responsabilidade sobre a permanência na chapa. O presidente estadual do PSD já havia afirmado que o grupo trabalharia com apenas dois candidatos ao Senado e que não haveria espaço para uma terceira candidatura dentro da aliança.
O impasse ganhou força depois que Irajá lançou a líder comunitária Ivanete Lima como opção ao Senado. A movimentação entrou em conflito com o acordo entre PSD e PT, que assegura uma das vagas a Paulo Mourão. Como o Tocantins elegerá dois senadores em 2026, a aliança não consegue acomodar Irajá, Mourão e Ivanete na mesma chapa.
Paulo Mourão ocupa espaço no palanque
Enquanto Irajá permaneceu fora da convenção, Paulo Mourão foi homologado e recebeu posição de destaque no evento. O petista defendeu políticas sociais, geração de empregos, agricultura familiar e uma relação próxima entre o governo estadual e o governo federal.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, participou da convenção e reforçou a ligação da chapa estadual com a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A presença do ministro demonstrou o espaço conquistado pelo PT dentro da composição liderada pelo PSD.
Em seu discurso, Mourão também abordou a violência contra as mulheres, criticou a compra de votos e disse que pretende atuar no Senado em parceria com o governo federal. O candidato apresentou a aliança com Laurez como resultado de uma relação política construída antes da campanha.
Laurez tenta se apresentar como alternativa ao governo
Mesmo ocupando o cargo de vice-governador, Laurez utilizou a convenção para demarcar distância do atual comando estadual. Em uma das declarações de maior repercussão, prometeu quatro anos “sem Polícia Federal na porta do Palácio” e afirmou que pretende retirar o Tocantins das páginas policiais.
O candidato disse que deseja colocar o Estado nas páginas relacionadas à economia, ao desenvolvimento e à geração de oportunidades. Também prometeu ações nas áreas de saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, turismo, agricultura, industrialização e habitação popular.
O discurso de oposição, no entanto, deverá ser confrontado durante a campanha com a participação de Laurez na atual gestão, já que ele exerce o mandato de vice-governador.
Silva Neto destaca trajetória na Polícia Militar
Homologado candidato a vice-governador, o coronel Silva Neto afirmou que pretende levar para a administração pública a experiência acumulada durante quase três décadas na Polícia Militar.
O militar disse que ingressa na política com a proposta de contribuir nas áreas de segurança pública, gestão, combate à corrupção e valorização dos servidores. A escolha também amplia a representação da região norte do Tocantins na chapa, já que Silva Neto mantém ligação política e profissional com Araguaína.
PSD chega à disputa sem composição totalmente resolvida
A convenção cumpriu o objetivo de oficializar Laurez Moreira, Silva Neto e Paulo Mourão. Também consolidou a aliança entre PSD, PT e os demais partidos do grupo.
A principal questão interna, porém, permanece aberta. Irajá não autorizou sua homologação, mas nega que tenha abandonado definitivamente a tentativa de reeleição. Laurez, por sua vez, mantém o discurso de que a segunda vaga continua reservada ao senador.
Com isso, o PSD encerrou a convenção com seu candidato ao Governo, seu vice e um candidato ao Senado definidos, mas ainda depende de uma decisão de Irajá e da direção nacional para concluir a composição eleitoral no Tocantins.