EXCLUSIVO AO DT: “Não deixo a Prefeitura de Palmas”, diz Eduardo ao confirmar reeleição e descartar governo
Prefeito reafirma apoio a Professora Dorinha, avaliza Atos Gomes como vice e diz que eleitor deve ter liberdade para escolher candidato à Presidência
O prefeito de Palmas e presidente estadual do Podemos, Eduardo Siqueira Campos, confirmou que pretende disputar a reeleição à Prefeitura da capital e descartou, de forma direta, uma futura candidatura ao Governo do Tocantins. Em entrevista exclusiva ao Diário Tocantinense (DT), ele afirmou que, caso conquiste um segundo mandato, permanecerá no cargo durante os quatro anos.
“Eu sou candidato à reeleição. Não é hora de falar nisso, é hora de fazer entregas. E, se for candidato à reeleição, é para quatro anos. Eu não deixo a Prefeitura de Palmas para participar do governo do Estado”, declarou.
Ao encerrar o assunto, Eduardo afastou qualquer possibilidade de disputar o Palácio Araguaia depois de uma eventual reeleição municipal.
“Eu não serei candidato ao Governo do Estado do Tocantins”, afirmou.
Eduardo ocupa atualmente a Prefeitura de Palmas após vencer o segundo turno das eleições municipais de 2024 com 53,03% dos votos válidos. Em março de 2026, assumiu também a presidência do Podemos no Tocantins.
Eduardo mantém apoio a Dorinha
Na entrevista, o prefeito reafirmou o apoio à candidatura da senadora Professora Dorinha ao Governo do Tocantins. Segundo ele, a escolha está relacionada à capacidade política da senadora, à atuação no Congresso Nacional e à relação construída com os municípios.
O Podemos oficializou apoio a Dorinha durante a convenção estadual da legenda, realizada em Palmas. A decisão colocou o partido na coligação liderada pela senadora, que terá Atos Gomes, do Republicanos, como candidato a vice-governador.
“Eu quero uma pessoa que tenha relacionamento. Prometi para Palmas que, independentemente de quem estivesse no governo ou na Presidência da República, eu teria relacionamento para ir a Brasília buscar recursos. Quero um candidato ou uma candidata com essa capacidade. E, nesse ponto, a senadora Dorinha sobra”, afirmou.
Eduardo disse que sua posição não mudou durante as movimentações políticas que antecederam as convenções. Ele destacou a presença da senadora nos municípios e sua participação em projetos e comissões do Congresso.
“Desde a primeira vez em que me pronunciei, estive com a Dorinha. Não mudei de posição e continuo firme, porque acredito que ela é, de longe, a mais presente, a que mais projetos tem e a que mais recursos enviou para Palmas e para o Tocantins”, declarou.
O prefeito também citou a atuação de Dorinha como relatora de projetos e integrante de comissões no Congresso Nacional. Para ele, a experiência parlamentar deve ser considerada pelo eleitor na escolha do próximo governador.
“Não estamos fazendo concurso de simpatia, de tapinha no ombro, nem escolhendo quem fala coisas eleitoreiras. Estamos falando sobre escolher alguém para governar. É uma oportunidade de ter uma pessoa séria, compenetrada, trabalhadora, disciplinada e com capacidade de entrega”, disse.
“Não é ser contra alguém”
Ao defender a candidatura da senadora, Eduardo evitou direcionar ataques aos adversários. Segundo ele, o apoio não nasce da rejeição a outros nomes, mas da avaliação que faz sobre o preparo de Dorinha.
“Não é sobre ser contra alguém, mas ter tudo a favor de alguém. A senadora Dorinha é a mais preparada nessa disputa. Está muito acima da média”, afirmou.
O prefeito já havia declarado durante a convenção do Podemos que Dorinha seria, em sua avaliação, “a pessoa mais preparada” para governar o Tocantins. Na ocasião, também confirmou que participaria da campanha da candidata.
Prefeito avaliza Atos Gomes como vice
Questionado sobre a escolha de Atos Gomes para ocupar a vaga de vice-governador, Eduardo disse que a indicação coube ao governador Wanderlei Barbosa, presidente estadual do Republicanos, e que a decisão tem seu apoio.
Segundo o prefeito, os partidos que integram a aliança devem respeitar as atribuições definidas durante a composição da chapa. Como a indicação da vice ficou sob responsabilidade do Republicanos, ele afirmou que não caberia ao Podemos interferir na escolha.
“A chancela é do governador, e existe a concordância do grupo. Como coube ao Republicanos, não me cabe dizer se eu preferia este ou aquele nome. A decisão coube ao governador do Estado, e ele chamou para si essa responsabilidade”, explicou.
Eduardo afirmou ainda que a aprovação política de Wanderlei Barbosa e a decisão de participar diretamente da construção da chapa devem ser consideradas durante a campanha.
“Ele escolheu o vice e chamou a responsabilidade para si. Sou do grupo e não discuto decisões que não cabem a mim. A decisão tem o meu apoio porque Atos será o vice da senadora Dorinha. Para mim, está resolvido”, declarou.
Eleitor terá liberdade na disputa presidencial
No cenário nacional, Eduardo defendeu que o eleitor tenha liberdade para decidir seu voto para presidente da República. O prefeito afirmou que a escolha nacional não deve ser utilizada para impedir alianças estaduais construídas com base nas necessidades do Tocantins e de Palmas.
“O eleitor precisa estar livre para escolher quem quer para presidente da República. Eu não discuto isso. Sobre o plano estadual, preciso ter as minhas razões, e as minhas razões estão relacionadas à capacidade de trabalhar e de entregar resultados”, disse.
A posição ocorre em um momento em que o Podemos ainda discute nacionalmente sua participação na disputa presidencial. Durante a convenção estadual, a presidente nacional da legenda, deputada Renata Abreu, participou das articulações e acompanhou a oficialização do apoio a Dorinha no Tocantins.
Eduardo afirmou que, como prefeito, precisa manter diálogo com diferentes forças políticas para buscar investimentos e recursos para Palmas.
“Prometi à população que, independentemente de quem esteja no governo estadual ou na Presidência, eu iria a Brasília buscar recursos. É essa capacidade de relacionamento que importa para a cidade”, declarou.
Prefeito cita futuro nome vindo de Araguaína
Apesar de descartar uma candidatura própria ao Governo do Tocantins, Eduardo mencionou o papel político de Araguaína no futuro do Estado. Sem citar nomes, afirmou que espera que a cidade apresente uma liderança capaz de disputar o governo depois de um eventual ciclo de Dorinha no Palácio Araguaia.
“Espero muito que o celeiro de gestores de Araguaína ofereça um nome para o Estado no futuro e entregue ao Tocantins as transformações que estão fazendo por lá”, declarou.
A fala abre espaço para interpretações sobre a sucessão estadual nos próximos anos, mas Eduardo evitou antecipar nomes ou cenários. Sobre o próprio futuro, contudo, foi categórico: seu projeto é permanecer em Palmas, disputar a reeleição e, caso vença, cumprir integralmente o novo mandato.
“Eu tenho que estar vivo para tudo isso. Mas uma coisa eu afirmo: não serei candidato ao Governo do Tocantins”, concluiu.