Onze nomes, dois votos e só duas vagas: disputa pelo Senado no Tocantins pode ser a mais fragmentada da história
Convenções homologaram 11 candidaturas, número que pode superar o recorde de 2022; situação de Irajá Abreu ainda pode ampliar a lista antes dos registros na Justiça Eleitoral
A eleição de 2026 pode colocar o Tocantins diante da maior disputa pelo Senado desde a criação do estado. Com o encerramento das convenções partidárias nesta quarta-feira (5), ao menos 11 nomes foram homologados para concorrer às duas cadeiras que estarão disponíveis em outubro.
O número supera as dez candidaturas registradas na eleição de 2022, quando apenas uma vaga estava em disputa. A confirmação do recorde, entretanto, depende da apresentação e do deferimento dos registros pela Justiça Eleitoral. Os partidos têm até as 19 horas de 15 de agosto para protocolar a documentação no Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins.
A lista ainda pode crescer. O senador Irajá Abreu, do PSD, não participou da convenção que oficializou Laurez Moreira ao Governo e Paulo Mourão ao Senado, mas também não anunciou formalmente que desistiu da reeleição. Laurez declarou que a vaga continua reservada ao parlamentar, caso ele decida disputar.
Caso Irajá seja incluído na composição e tenha o registro apresentado, o Tocantins poderá chegar a 12 candidatos para duas vagas.
Quem foi homologado para disputar o Senado
A coligação que apoia Professora Dorinha ao Governo concentra o maior número de candidatos. Cinco nomes vinculados ao mesmo palanque pretendem disputar as duas vagas: Eduardo Gomes, do PL; Carlos Gaguim, do União Brasil; Eli Borges, do Republicanos; Ronaldo Dimas e Vanderlei Luxemburgo, ambos do Podemos.
A chapa liderada por Vicentinho Júnior, do PSDB, confirmou o deputado federal Alexandre Guimarães, do MDB, como candidato ao Senado. A convenção conjunta também homologou Amélio Cayres como candidato a vice-governador.
No grupo de Laurez Moreira, o nome oficializado foi Paulo Mourão, do PT. A ausência de Irajá manteve aberta a discussão sobre a segunda candidatura ao Senado dentro da aliança formada por PSD, PT e partidos aliados.
O Novo homologou o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Nilton Santos, enquanto a Democracia Cristã confirmou o médico Flávio Braga.
A Federação PSOL-Rede apresentou dois candidatos: o professor Osvaldo Soares Neto, do PSOL, e Fábio Paulino Ribeiro, da Rede Sustentabilidade. A convenção também oficializou Witer Naves para o Governo do Estado.
Assim, a relação formada pelas convenções tem:
Eduardo Gomes, Carlos Gaguim, Eli Borges, Ronaldo Dimas, Vanderlei Luxemburgo, Alexandre Guimarães, Paulo Mourão, Nilton Santos, Flávio Braga, Osvaldo Soares Neto e Fábio Ribeiro.
Eleitor terá dois votos para o Senado
A grande quantidade de candidaturas ocorre em uma eleição na qual cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes ao Senado. Isso acontece porque, em 2026, serão renovados dois terços das 81 cadeiras da Casa.
Cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores. Os dois candidatos mais votados assumem os mandatos, sem segundo turno. O mandato de senador dura oito anos.
Os votos não precisam ser dados a candidatos do mesmo partido ou da mesma coligação. Um eleitor poderá escolher, por exemplo, um nome ligado ao palanque de Dorinha e outro alinhado a Vicentinho ou Laurez.
Também não será possível votar duas vezes na mesma pessoa. Caso o eleitor repita o número, somente o primeiro voto será considerado válido. A segunda escolha precisa ser destinada a outro candidato, deixada em branco ou anulada.
Essa característica deverá transformar o chamado segundo voto em uma das principais disputas da campanha. Candidatos que não aparecem como primeira escolha podem conquistar uma vaga ao se tornarem a alternativa complementar de diferentes grupos.
Cinco aliados disputarão o mesmo eleitor
O caso mais complexo está na aliança de Professora Dorinha. A candidata ao Governo terá cinco postulantes ao Senado circulando pelo mesmo palanque.
Embora sejam aliados na eleição estadual, Eduardo Gomes, Gaguim, Eli Borges, Ronaldo Dimas e Luxemburgo concorrerão diretamente entre si. Prefeitos, vereadores e candidatos proporcionais da coligação poderão formar combinações diferentes em cada município.
Em uma cidade, determinada liderança poderá pedir votos para Eduardo Gomes e Gaguim. Em outra, a dobradinha poderá reunir Dimas e Eli Borges. Luxemburgo também deverá procurar espaço entre eleitores que conhecem sua trajetória no futebol, mas ainda não possuem uma segunda opção definida.
A quantidade amplia o alcance da campanha de Dorinha, porque cada candidato possui bases e segmentos diferentes. Ao mesmo tempo, obriga a coordenação a administrar agendas, discursos, exposição e pedidos de voto sem permitir que a disputa interna comprometa a candidatura ao Governo.
Em 2010, decisão judicial mudou a segunda vaga
A história das eleições para o Senado no Tocantins mostra que o resultado apresentado pelas urnas nem sempre encerra a disputa.
Em 2010, João Ribeiro terminou em primeiro lugar com 375.090 votos. Marcelo Miranda recebeu 340.931 votos e apareceu inicialmente na segunda posição. Vicentinho Alves ficou em terceiro, com aproximadamente 332 mil votos.
Após a eleição, o Tribunal Superior Eleitoral cassou o registro de Marcelo Miranda. Com a decisão, a segunda vaga passou para Vicentinho Alves, que assumiu o mandato no Senado em 2011.
O episódio mostrou que a votação é apenas uma etapa. Para tomar posse, o candidato também precisa manter o registro válido após o julgamento de eventuais ações e recursos.
Em 2014, menos de um ponto separou os dois primeiros
Quatro anos depois, o Tocantins elegeu apenas um senador. A disputa ficou concentrada entre Kátia Abreu e Eduardo Gomes.
Kátia foi reeleita com 41,64% dos votos válidos, o equivalente a aproximadamente 282 mil votos. Eduardo Gomes recebeu 40,77%, cerca de 278 mil. A diferença ficou abaixo de um ponto percentual.
A eleição de 2014 permanece como uma das mais apertadas da história do estado para o cargo. Eduardo voltaria a disputar o Senado quatro anos depois.
Eleição de 2018 renovou duas cadeiras
Em 2018, nove candidatos concorreram às duas vagas do Tocantins. Os eleitos foram Eduardo Gomes e Irajá Abreu, ambos estreantes no Senado.
Eduardo recebeu 248.358 votos, correspondentes a 19,48% dos votos nominais. Irajá conquistou 214.355 votos, ou 16,82%. O então senador Vicentinho Alves terminou na terceira posição e não conseguiu a reeleição.
A eleição mostrou que os percentuais dos vencedores podem parecer menores quando existem duas vagas. Isso acontece porque cada eleitor tem direito a duas escolhas, o que aumenta o total de votos nominais contabilizados.
Também demonstrou que possuir mandato não assegura automaticamente a permanência na Casa. Dos senadores que tentaram a reeleição em todo o país naquele ano, apenas uma parcela conseguiu retornar.
Em 2022, Dorinha venceu dez concorrentes
A eleição de 2022 registrou dez candidaturas ao Senado no Tocantins, mas somente uma cadeira estava disponível.
Professora Dorinha venceu a disputa com 395.408 votos, equivalentes a 50,42% dos votos válidos. A então deputada federal superou a senadora Kátia Abreu, que buscava mais um mandato.
A votação de Dorinha foi apontada pelo Senado como a maior já recebida por uma candidatura ao cargo no Tocantins.
O cenário de 2026 será diferente. Com duas vagas, a votação tende a ficar mais distribuída, e o percentual dos eleitos será calculado sobre um conjunto que pode reunir até dois votos por eleitor.
Pesquisas mostram espaço para mudanças
Antes das convenções, pesquisa do Instituto Paraná realizada entre 21 e 24 de julho colocou Eduardo Gomes na liderança, com 31,2% das citações combinadas entre primeira e segunda escolhas. Alexandre Guimarães apareceu com 25,1%.
O levantamento ouviu 1.300 eleitores em 60 municípios, teve margem de erro de 2,8 pontos percentuais e foi registrado sob o número TO-06833/2026.
Os números, porém, foram coletados antes da definição final das chapas. O início da propaganda, a formação das dobradinhas e a entrada dos candidatos com menor conhecimento público podem alterar o cenário.
Recorde depende da Justiça Eleitoral
As convenções encerraram-se com 11 nomes aprovados, mas a lista oficial somente será conhecida depois dos pedidos de registro.
Os partidos precisam apresentar as atas, os documentos dos candidatos e os nomes dos dois suplentes de cada chapa. O TRE-TO analisará filiação partidária, domicílio eleitoral, documentação e eventuais causas de inelegibilidade.
Até essa etapa ser concluída, a formulação mais precisa é que o Tocantins pode registrar a maior disputa ao Senado de sua história. O recorde confirmado nas eleições recentes pertence a 2022, com dez candidaturas.
Se os 11 nomes homologados forem registrados e aprovados, o recorde será superado. Caso Irajá também entre na corrida, a eleição poderá chegar a 12 concorrentes.
Com tantos nomes e apenas duas cadeiras, a vitória deverá depender não apenas de quem conquistar a preferência principal do eleitor, mas de quem conseguir aparecer como a escolha complementar. Em 2026, o segundo voto pode valer tanto quanto o primeiro.