Caso Gustavo entra em fase decisiva: novos interrogatórios podem confrontar versões, laudos e pontos ainda sem resposta

Caso Gustavo entra em fase decisiva: novos interrogatórios podem confrontar versões, laudos e pontos ainda sem resposta
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 10 de agosto de 2026 0

A investigação sobre a morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, entra em uma fase considerada decisiva. A Polícia Civil deve realizar novos interrogatórios dos investigados e confrontar as versões apresentadas com laudos, perícias e demais provas reunidas desde o início do caso.

O Diário Tocantinense acompanha o caso desde os primeiros desdobramentos. Gustavo estava na residência do pai, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, em Palmas, quando ocorreu a sequência de fatos que terminou com a morte da criança.

A versão apresentada inicialmente à polícia era de que Gustavo teria caído em uma piscina no domingo, 2 de agosto. O pai relatou que retirou o menino da água e que, depois disso, ele teria aparentemente se recuperado.

Segundo o relato inicial, Gustavo foi colocado para dormir. Igor afirmou que, na manhã seguinte, percebeu que o filho estava sem sinais vitais.

A Polícia Civil, porém, só foi comunicada da morte horas depois. O intervalo entre o momento em que a criança teria sido encontrada sem vida e a comunicação às autoridades passou a ser um dos pontos investigados.

Com o avanço das perícias, a hipótese inicial de uma morte provocada apenas por afogamento perdeu força.

O exame realizado no corpo de Gustavo apontou múltiplas lesões e hemorragia interna. A investigação passou então a trabalhar com a possibilidade de que as agressões tenham provocado a morte.

Os investigadores também buscam determinar o horário exato da morte e reconstruir o que aconteceu dentro da residência nas horas anteriores à comunicação à polícia.

Outro ponto analisado é o estado do imóvel quando os policiais chegaram. A investigação apura se houve alguma tentativa de limpeza ou alteração do ambiente antes do início da perícia.

A Polícia Civil também aguarda e analisa exames complementares relacionados às lesões encontradas no corpo da criança. Algumas dessas lesões provocaram questionamentos sobre eventual violência sexual. Até o momento, porém, a investigação ainda depende de conclusão técnica para definir exatamente como foram produzidas.

Com a repercussão do caso, episódios anteriores envolvendo Gustavo também passaram a ser analisados.

A mãe da criança, Sabrina da Silva Feitosa, relatou que o filho teria retornado de visitas ao pai apresentando hematomas em outras ocasiões.

Um vídeo gravado antes da morte também passou a fazer parte das discussões sobre o histórico da criança. Nas imagens, Gustavo aparece chorando e dizendo que não queria ir para a casa do pai.

Esse material é analisado dentro do conjunto da investigação e não deve ser considerado isoladamente como prova definitiva sobre a autoria das lesões que provocaram a morte.

A relação entre os pais já havia sido marcada por conflitos anteriores. Sabrina havia registrado ocorrência contra Igor e obtido medida protetiva. O histórico passou a ser considerado pelas autoridades após a morte da criança.

Com a evolução dos laudos e das diligências, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva de Igor e da companheira dele, Kathellen Moreira da Silva. Os dois foram presos em Palmas.

Igor passou a ser investigado por homicídio qualificado e tortura. A situação de Kathellen também é apurada, principalmente para esclarecer se ela teve participação direta ou se poderia ter conhecimento das agressões e deixado de agir. A Polícia Civil busca individualizar as responsabilidades.

Os investigadores querem saber quem estava com Gustavo quando as lesões foram provocadas, quando ocorreram as agressões, qual delas causou a morte e o que cada pessoa presente na residência sabia sobre a situação da criança. Outro ponto central será a comparação entre as versões de Igor e Kathellen.

Os novos interrogatórios acontecem agora em um cenário diferente daquele dos primeiros depoimentos. A polícia já possui laudos, registros periciais, depoimentos de testemunhas, vídeos e uma cronologia mais detalhada dos acontecimentos.

As novas declarações poderão ser confrontadas diretamente com essas provas. Contradições poderão levar a novas diligências.

A investigação também tenta determinar se todas as lesões encontradas em Gustavo foram provocadas no mesmo período ou se algumas eram anteriores. Esse ponto poderá ajudar a esclarecer se havia um histórico de violência contra a criança.

Após as prisões, Kathellen pediu a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. A defesa alegou que ela é mãe de uma bebê ainda em fase de amamentação. A defesa também questiona a individualização da conduta atribuída a ela. A Justiça ainda analisa os desdobramentos relacionados à prisão e às medidas apresentadas pelas defesas.

Igor e Kathellen permanecem investigados e não possuem condenação definitiva. Outro episódio envolvendo o caso ocorreu depois da divulgação de uma decisão relacionada às medidas protetivas concedidas à mãe de Gustavo.

Nas redes sociais, surgiram informações de que Igor teria sido colocado em liberdade. A informação não correspondia ao conteúdo da decisão.

A prisão preventiva permaneceu válida. Também houve questionamentos sobre as condições em que Igor está custodiado. A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça informou que ele permanece separado de outros presos por questões de segurança, mas negou qualquer tratamento privilegiado. A OAB Tocantins também adotou providências administrativas relacionadas à situação profissional do advogado.

Agora, a investigação entra na etapa de confronto das provas. Os novos interrogatórios deverão ajudar a esclarecer pontos que continuam sem resposta.

Entre eles estão o horário exato da morte, a origem de cada lesão, a participação individual dos investigados e o que ocorreu dentro da residência antes de a polícia ser comunicada. Depois da conclusão das perícias e dos depoimentos, a Polícia Civil deverá finalizar o inquérito.

O procedimento será encaminhado ao Ministério Público do Tocantins. Caberá ao MPTO analisar se existem elementos suficientes para oferecer denúncia ou se ainda serão necessárias novas diligências.

Caso exista denúncia e ela seja recebida pela Justiça, o processo seguirá para uma nova fase, com produção de provas em juízo, interrogatórios e manifestação das defesas.

Por enquanto, a investigação continua aberta. O caso Gustavo entra em sua fase mais sensível justamente porque as versões apresentadas desde o início agora serão confrontadas com provas técnicas.

A principal pergunta permanece a mesma: o que aconteceu com Gustavo antes de sua morte. O Diário Tocantinense continuará acompanhando os novos interrogatórios, os resultados das perícias, as decisões judiciais e as manifestações das partes envolvidas.

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