Vila Nova liga o alerta: gols sofridos no início expõem fragilidade que pode custar caro na Série B
O Vila Nova segue vivo na parte de cima da tabela da Série B do Campeonato Brasileiro, mas um problema recorrente começa a acender o sinal de alerta no clube: a dificuldade da equipe em controlar os primeiros movimentos das partidas, especialmente nos jogos em que termina derrotada.
Levantamento feito pelo Diário Tocantinense a partir da campanha colorada mostra que o problema merece atenção. Após 21 partidas, o Vila Nova soma 34 pontos, com dez vitórias, quatro empates e sete derrotas. O time marcou 27 gols e sofreu 25.
Mais do que a quantidade de gols sofridos, porém, chama atenção o momento em que parte deles acontece.
Em cinco das sete derrotas do Vila Nova na competição, o adversário conseguiu construir vantagem ainda no primeiro tempo. Em quatro desses cinco jogos, o Tigre sequer conseguiu marcar depois de sair atrás.
O exemplo mais recente veio diante do Sport, no sábado, 8, no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga, em Goiânia. O Vila Nova sofreu o gol que definiu a derrota por 1 a 0 logo aos cinco minutos do primeiro tempo.
Chrystian Barletta aproveitou o espaço, avançou e marcou o gol que acabou sendo suficiente para o time pernambucano sair de Goiânia com os três pontos.
O golpe foi ainda mais pesado porque representou a primeira derrota do Vila Nova como mandante nesta edição da Série B.
Até então, o OBA vinha sendo um dos grandes trunfos da campanha colorada. No primeiro turno, sete das dez vitórias conquistadas pela equipe aconteceram dentro de casa, onde o Vila havia permanecido invicto.
Contra o Sport, entretanto, o time foi obrigado a jogar praticamente toda a partida tentando reverter um placar construído antes mesmo de completar dez minutos.
E não conseguiu.
A situação reforça uma fragilidade que pode fazer diferença em uma competição equilibrada como a Série B.
Quando uma equipe que disputa as primeiras colocações sofre gols cedo, o planejamento preparado para a partida precisa ser alterado. O adversário pode reduzir espaços, administrar a vantagem e explorar contra-ataques, enquanto quem está atrás passa a correr riscos maiores.
Foi exatamente esse tipo de cenário que voltou a aparecer diante do Sport.
O problema também chama atenção porque o Vila Nova terminou o primeiro turno com uma campanha muito competitiva. Foram 34 pontos em 19 partidas, com dez vitórias, quatro empates e cinco derrotas, desempenho que manteve a equipe diretamente envolvida na disputa pelas primeiras posições.
O setor defensivo, porém, já apresentava números que exigiam cuidado. Ao final do primeiro turno, o Vila havia sofrido 22 gols, número elevado quando comparado a alguns dos principais concorrentes na briga pelo acesso.
Nas duas primeiras rodadas do returno, o sinal de alerta aumentou.
Primeiro, o Vila Nova perdeu por 2 a 0 para o CRB, fora de casa. Depois veio o 1 a 0 diante do Sport, em pleno OBA.
Com isso, o time chegou a duas derrotas consecutivas e permaneceu com os mesmos 34 pontos conquistados ainda no primeiro turno.
O resultado diante do Sport também impediu o Vila de aproveitar uma oportunidade importante de se aproximar novamente dos primeiros colocados.
A Série B costuma ser decidida nos detalhes. Em uma competição longa e equilibrada, pontos desperdiçados por erros de concentração ou dificuldade de reação podem representar, ao final das 38 rodadas, a diferença entre conquistar o acesso e permanecer mais uma temporada na segunda divisão.
O dado sobre as derrotas reforça justamente essa preocupação.
Em quatro das cinco partidas em que perdeu depois de sofrer gol ainda durante o primeiro tempo, o Vila Nova não conseguiu sequer balançar as redes adversárias.
A exceção aconteceu diante do Novorizontino. Naquela oportunidade, o Tigre chegou a reagir e buscou o empate durante a partida, mas acabou derrotado.
Isso mostra que o problema não está apenas em sofrer primeiro.
Está também na dificuldade de mudar o roteiro depois que o adversário consegue abrir vantagem.
Para um time que pretende disputar o acesso, a capacidade de reação é fundamental.
O Vila Nova demonstrou ao longo da Série B que possui condições de competir na parte superior da classificação. As dez vitórias conquistadas até aqui e a campanha construída principalmente durante o primeiro turno colocaram a equipe em situação real de brigar pelo objetivo.
Mas a margem para erros diminui a cada rodada.
A defesa colorada já foi vazada 25 vezes em 21 partidas. O ataque marcou 27. A diferença pequena entre gols marcados e sofridos deixa claro como partidas decididas por apenas um lance podem ter enorme influência na campanha.
Além disso, existe outro ponto que preocupa: o rendimento fora de casa.
Antes da derrota para o Sport, o Vila já havia chegado a cinco derrotas consecutivas como visitante na Série B. A força apresentada no OBA ajudava a equilibrar essa dificuldade.
Agora, com a primeira derrota também diante de sua torcida, a equipe precisa reagir rapidamente para evitar que a sequência negativa tenha reflexos maiores na classificação.
O técnico Guto Ferreira reconheceu a queda de rendimento após a segunda derrota consecutiva, mas procurou afastar um ambiente de pressão excessiva sobre o elenco.
O desafio da comissão técnica será corrigir principalmente a entrada da equipe nas partidas.
Concentração defensiva, controle dos espaços e intensidade desde os primeiros minutos tornam-se fundamentais para que o Vila não seja obrigado repetidamente a correr atrás do resultado.
E a resposta terá que aparecer rapidamente.
O próximo compromisso reserva justamente um clássico.
No sábado, 15 de agosto, o Vila Nova enfrenta o Atlético-GO, no Estádio Antônio Accioly, pela 22ª rodada da Série B.
O clássico chega em um momento importante para os colorados. Além da rivalidade estadual, uma vitória pode interromper a sequência de derrotas e recolocar o time em trajetória positiva na luta pelas primeiras colocações.
Para o Vila Nova, o cenário ainda está completamente aberto.
Os 34 pontos mantêm o clube próximo dos principais concorrentes e a campanha construída até aqui dá motivos para acreditar na briga pelo acesso.
Mas o segundo turno não permitirá muitos descuidos.
Se pretende permanecer entre os candidatos às primeiras posições, o Tigre precisará corrigir uma fragilidade que os números já começam a deixar evidente: entrar definitivamente no jogo desde o primeiro minuto.
Na Série B, onde uma vitória ou uma derrota pode mudar várias posições na tabela, conceder vantagem ao adversário logo no começo pode custar muito mais do que três pontos.
Pode custar o acesso.