Adiós, muchachos! Espanha derruba a Argentina na prorrogação, vira bicampeã e deixa Messi em lágrimas

Adiós, muchachos! Espanha derruba a Argentina na prorrogação, vira bicampeã e deixa Messi em lágrimas
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 20 de julho de 2026 0

A Espanha está novamente no topo do mundo. Em uma final tensa, travada e carregada de simbolismos, a seleção espanhola derrotou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, neste domingo, 19 de julho, no New York New Jersey Stadium, em East Rutherford, e conquistou o bicampeonato da Copa do Mundo.

Ferran Torres, que começou no banco de reservas, marcou o gol do título aos 106 minutos. A vitória encerrou o sonho argentino de conquistar duas Copas consecutivas e impediu Lionel Messi de fechar sua última participação em Mundiais levantando novamente o troféu.

A Espanha voltou a ser campeã 16 anos depois da conquista de 2010, quando derrotou a Holanda também por 1 a 0 na prorrogação. Desta vez, a geração de Rodri, Lamine Yamal, Dani Olmo, Pau Cubarsí e Ferran Torres confirmou o domínio construído desde o título da Eurocopa de 2024.

A decisão começou antes mesmo de a bola rolar. O estádio recebeu uma grande cerimônia, apresentações musicais e convidados internacionais. A torcida argentina ocupou boa parte das arquibancadas e recebeu Messi com uma explosão de aplausos quando o camisa 10 entrou para o aquecimento.

Do outro lado, a Espanha carregava a força de uma seleção que chegou à final sem perder e com apenas um gol sofrido durante toda a competição. O confronto também colocou frente a frente duas gerações: Messi, aos 39 anos, em sua terceira final de Copa, e Lamine Yamal, aos 19, apontado como um dos grandes herdeiros do protagonismo mundial.

Quando a bola começou a rolar, porém, o espetáculo deu lugar a uma partida fechada. A Espanha tomou posse do campo, trocou passes e tentou empurrar a Argentina para perto de sua própria área. A equipe de Lionel Scaloni respondeu com marcação baixa, intensidade física e pouca preocupação em assumir riscos.

Lamine Yamal tentou criar jogadas pelo lado direito, mas encontrou uma defesa argentina preparada para bloquear seus movimentos. Dani Olmo circulou por diferentes setores e Rodri controlou o ritmo no meio-campo, enquanto Mikel Oyarzabal buscava espaços entre os zagueiros.

A Argentina praticamente não atacou. Messi recebeu poucas bolas e ficou isolado entre os defensores espanhóis. A estratégia argentina era resistir, interromper a circulação de passes e tentar encontrar uma jogada em velocidade ou uma bola parada.

O primeiro tempo terminou sem gols e com apenas três finalizações somadas pelas duas seleções, o menor número registrado em uma primeira etapa de final de Copa desde o início das estatísticas detalhadas, em 1966. A Argentina não conseguiu finalizar nenhuma vez nos primeiros 45 minutos.

Depois do intervalo, a Espanha aumentou a pressão. A partida ficou mais física, com discussões, faltas e cartões. Leandro Paredes, lançado por Scaloni no início da segunda etapa, recebeu cartão amarelo após um confronto com Dani Olmo.

Percebendo a dificuldade de transformar posse de bola em oportunidades claras, Luis de la Fuente mexeu no ataque. Ferran Torres entrou aos 62 minutos e passou a oferecer mais mobilidade na área. Nico Williams também foi utilizado para aumentar a velocidade e atacar uma defesa argentina já desgastada.

Emiliano Martínez começou a ganhar protagonismo. O goleiro argentino realizou defesas importantes e manteve a seleção viva, enquanto a Espanha acumulava finalizações sem conseguir abrir o placar.

A Argentina continuava sem ameaçar Unai Simón. Messi tentava recuar para participar da construção, mas era cercado sempre que recebia a bola. Sem espaço e sem companhia próxima, o capitão argentino pouco conseguiu produzir.

A situação ficou ainda mais complicada nos acréscimos do segundo tempo. Enzo Fernández, que já havia recebido cartão amarelo por reclamação aos 82 minutos, atingiu Pau Cubarsí em uma entrada atrasada aos 90 minutos e três segundos. O árbitro esloveno Slavko Vinčić mostrou o segundo amarelo e, em seguida, o vermelho.

A Argentina ficou com dez jogadores justamente quando a partida seguia para a prorrogação. O tempo regulamentar terminou em 0 a 0, e a decisão ganhou mais 30 minutos.

Mesmo em vantagem numérica, a Espanha precisou ter paciência. A Argentina fechou ainda mais os espaços e começou a jogar claramente para levar a disputa aos pênaltis, cenário em que confiava no histórico de Emiliano Martínez.

Nico Williams chegou a balançar a rede durante a primeira etapa da prorrogação, mas o lance foi anulado por uma falta de Mikel Merino sobre Nicolás Otamendi antes da conclusão. O goleiro argentino ainda defendeu uma cabeçada de Williams, mantendo o empate.

A resistência argentina terminou logo no início da segunda parte da prorrogação.

Aos 106 minutos, a Espanha construiu a jogada decisiva. Depois de uma bola enviada para a área, Nico Williams apareceu no segundo poste e conseguiu devolver de cabeça para o centro. Ferran Torres antecipou-se à marcação e acertou uma finalização de pé esquerdo, forte e alta, sem possibilidade de defesa para Emiliano Martínez.

Era o gol do título.

Ferran correu em direção à torcida espanhola enquanto seus companheiros deixavam o banco de reservas e invadiam a lateral do gramado. O atacante, contestado durante parte da competição, havia marcado seu primeiro gol na Copa justamente no momento mais importante.

A finalização foi a 20ª tentativa da Espanha na partida. A seleção terminou o confronto com 20 chutes, 12 deles na direção do gol, enquanto a Argentina concluiu apenas duas vezes e não acertou a meta espanhola.

Depois do gol, a Argentina ainda tentou avançar, mas já não tinha força, organização ou jogadores suficientes para construir uma reação. Messi buscou participar das últimas jogadas, porém continuou cercado pela marcação espanhola.

Quando o árbitro encerrou a partida, os espanhóis correram para comemorar. Ferran Torres caiu no gramado, jogadores se abraçaram e Luis de la Fuente chorou diante do banco de reservas.

Do lado argentino, a frustração explodiu. Houve empurrões e discussões entre jogadores das duas equipes. Leandro Paredes avançou sobre Eric García e Gavi, enquanto Nicolás Otamendi discutiu com Rodri. Scaloni também precisou ser contido durante a confusão.

Messi permaneceu sentado no gramado enquanto a Espanha comemorava. Lamine Yamal aproximou-se do argentino, apertou sua mão e o abraçou, em uma das imagens mais simbólicas da decisão: o encontro entre o maior nome de uma geração e o jovem espanhol apontado como uma das futuras estrelas do futebol mundial.

Na cerimônia de premiação, Messi recebeu a medalha de vice-campeão e caminhou até a torcida argentina. As lágrimas começaram a correr pelo rosto do camisa 10 diante dos milhares de torcedores que continuavam cantando seu nome.

O argentino havia disputado sua terceira final de Copa do Mundo, igualando uma marca que, até então, pertencia apenas ao brasileiro Cafu. Depois da derrota de 2014 e da conquista de 2022, Messi terminou a decisão de 2026 com o vice-campeonato.

A imagem contrastou com a festa espanhola. Os jogadores receberam as medalhas, levantaram o troféu e celebraram o segundo título mundial da história do país. A Espanha havia sido campeã pela primeira vez em 2010 e voltou ao topo em 2026.

Ferran Torres dedicou o gol decisivo a todo o povo espanhol. Segundo o atacante, a jogada não pertencia apenas a ele ou aos 26 atletas convocados, mas aos 47 milhões de espanhóis que acompanhavam a final.

“Foi um gol marcado por 47 milhões de pessoas. Não foi apenas meu ou dos 26 jogadores. Estava destinado a acontecer e a ser o gol da vitória”, declarou o atacante.

Luis de la Fuente também se emocionou. Aos 65 anos, tornou-se o treinador mais velho a conquistar uma Copa do Mundo. O técnico destacou a união do elenco e afirmou que seus jogadores construíram uma equipe baseada no talento, na solidariedade e nos valores coletivos.

“Somos a equipe mais unida. Tenho muito orgulho desta geração de jogadores. Eles permaneceram fiéis a essa filosofia, melhoraram e deram um exemplo como equipe e como família”, afirmou.

Com a vitória, a Espanha completou 38 partidas consecutivas sem perder, recorde entre seleções europeias e sul-americanas. A equipe encerrou o Mundial com apenas um gol sofrido e confirmou a força de um trabalho que já havia rendido os títulos da Liga das Nações de 2023 e da Eurocopa de 2024.

Lionel Scaloni reconheceu que a Espanha foi superior, mas defendeu a entrega dos jogadores argentinos. O treinador afirmou que a equipe fez tudo o que estava ao seu alcance e agradeceu aos atletas e aos torcedores pela campanha.

A Argentina chegou à final como atual campeã mundial e buscava repetir o feito alcançado no Catar, em 2022. Uma nova conquista transformaria a equipe na terceira seleção da história a ganhar duas Copas consecutivas, depois de Itália e Brasil.

O sonho resistiu durante 105 minutos, sustentado pela defesa, pelas intervenções de Emiliano Martínez e pela esperança de que Messi encontrasse mais uma jogada histórica.

Mas não houve novo milagre argentino.

Na entrada da segunda etapa da prorrogação, Ferran Torres apareceu para romper a muralha, devolver a Espanha ao topo e mudar definitivamente o destino da final.

A Espanha levantou sua segunda taça. A Argentina perdeu a oportunidade do bicampeonato seguido. Messi, diante da torcida, chorou a despedida de sua última Copa.

Adiós, muchachos. O Mundial terminou em espanhol.

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