Tragédia no campo: quem era Eunice, mulher de 67 anos que morreu após cair de trator no Tocantins
Uma vida marcada pelo trabalho na roça, pela criação dos filhos e pela dedicação à família terminou de forma trágica em uma estrada rural do norte do Tocantins. Eunice da Silva Sousa, de 67 anos, morreu após cair de um trator e ser atingida por uma das rodas do próprio veículo na zona rural de Aragominas, no último domingo, 9 de agosto.
Apuração do Diário Tocantinense a partir das informações da Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO), de relatos de pessoas próximas à família e de publicações sobre o caso mostra que, por trás da ocorrência registrada pelas autoridades, estava uma mulher conhecida pela trajetória de luta no campo. Eunice era lembrada por amigos e familiares como trabalhadora, batalhadora e profundamente ligada aos filhos.
Conhecida também como “Dona Maria”, Eunice passou boa parte da vida trabalhando na lavoura. A amiga da família Renata Martins, que conhecia a rotina dela desde a infância, contou que Eunice vivia no assentamento Agroquima, em Aragominas, onde o trabalho rural ajudava a garantir o sustento da casa.
Segundo Renata, Eunice conciliava os cuidados com os filhos e a rotina pesada da roça. Mesmo depois da separação do marido, continuou trabalhando no campo para manter a família. A amiga resumiu a trajetória de Eunice como a de “uma mulher guerreira, exemplo de mãe”.
O acidente aconteceu em uma estrada vicinal de acesso ao assentamento Baviperia, também na zona rural de Aragominas. Conforme as informações atribuídas à SSP-TO, Eunice estava com outras pessoas em um trator e o grupo seguia em direção a uma cachoeira quando ocorreu o acidente.
Durante um trecho de descida, o trator teria apresentado problema no sistema de freios. O condutor perdeu o controle da máquina e o veículo acabou tombando. Com o impacto, Eunice caiu e foi atingida por uma das rodas. Ela sofreu ferimentos graves e morreu ainda no local.
A informação inicial sobre uma possível falha nos freios faz parte dos relatos encaminhados às autoridades e divulgados pela SSP-TO. A causa definitiva do acidente, no entanto, depende da investigação. A Polícia Civil do Tocantins ficou responsável por apurar as circunstâncias, incluindo a dinâmica da ocorrência e os fatores que provocaram a perda de controle do trator.
Após a morte, o corpo de Eunice foi encaminhado ao Núcleo de Medicina Legal de Araguaína, onde passou pelos exames necroscópicos. Depois dos procedimentos oficiais, foi liberado para os familiares realizarem o velório e o sepultamento.
A morte provocou comoção especialmente entre pessoas que acompanharam a história da família na zona rural de Aragominas. Os relatos reunidos após o acidente mostram uma mulher cuja vida esteve diretamente ligada à realidade de milhares de famílias tocantinenses que encontram no campo a principal fonte de sustento.
Eunice trabalhou na lavoura enquanto criava os filhos e, segundo pessoas próximas, enfrentou períodos difíceis sem abandonar o trabalho rural. A imagem deixada entre familiares e amigos é menos a da vítima de uma ocorrência trágica e mais a de uma mulher que passou décadas trabalhando para sustentar a casa.
O caso também chama atenção para uma prática ainda presente em áreas rurais: o transporte de pessoas em tratores e máquinas originalmente projetadas para atividades agrícolas. No caso de Eunice, as autoridades confirmaram que havia outros passageiros no equipamento no momento do acidente. As circunstâncias específicas desse transporte também poderão ser esclarecidas durante a investigação.
Para o Diário Tocantinense, a apuração do episódio mostra que a tragédia vai além dos poucos segundos em que o trator perdeu o controle. Eunice da Silva Sousa tinha 67 anos, era mãe, trabalhadora rural e uma mulher cuja história esteve ligada à lavoura e ao sustento da família.
No domingo, ela saiu acompanhada de outras pessoas para um passeio e não voltou para casa. Uma falha que, segundo as informações preliminares, teria ocorrido nos freios transformou o trajeto para uma cachoeira em uma tragédia. Agora, enquanto a Polícia Civil busca esclarecer exatamente como tudo aconteceu, familiares e amigos se despedem de uma mulher que passou grande parte da vida fazendo do campo o sustento dos seus.
A lembrança que permanece em Aragominas é a de Dona Maria, a mulher que trabalhou na roça, enfrentou dificuldades, criou os filhos e, aos 67 anos, deixou uma trajetória definida por quem conviveu com ela em poucas palavras: batalhadora e dedicada à família.