Colômbia luta para sobreviver: terremoto deixa 273 mortos, vulcão Puracé mantém alerta laranja e país enfrenta crise humanitária

Colômbia luta para sobreviver: terremoto deixa 273 mortos, vulcão Puracé mantém alerta laranja e país enfrenta crise humanitária
Crédito: O Tempo
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 13 de agosto de 2026 0

A Colômbia enfrenta nesta quinta-feira, 13 de agosto, uma combinação de emergências que mantém o país em estado de alerta. Além das consequências do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste colombiano na segunda-feira, 10, o vulcão Puracé, no departamento de Cauca, continua apresentando atividade elevada, com emissão de cinzas e gases e manutenção do alerta laranja pelas autoridades geológicas. O balanço mais recente do terremoto aponta 273 mortos, mais de 3,8 mil feridos e centenas de desaparecidos.

A situação do vulcão ganhou ainda mais atenção depois do terremoto. O Puracé está localizado na cadeia vulcânica Los Coconucos, próximo a Popayán, e já vinha apresentando aumento da atividade antes do grande tremor de segunda-feira. O Serviço Geológico Colombiano havia elevado o nível de alerta e vem divulgando boletins extraordinários praticamente todos os dias durante o mês de agosto.

No próprio dia do terremoto, o Serviço Geológico Colombiano registrou cinco emissões de cinzas no Puracé, com colunas alcançando até aproximadamente 700 metros de altura. Moradores de comunidades próximas conseguiram observar algumas das emissões.

No boletim seguinte, o órgão voltou a registrar atividade e informou a ocorrência de três emissões de cinzas, também alcançando até 700 metros. Houve relatos de queda de cinzas em localidades do município de Puracé, entre elas Cristales, Loma Linda, Cobaló, Alto Anambío e 20 de Julio.

Apesar da proximidade temporal entre os dois fenômenos, especialistas e o Serviço Geológico Colombiano alertam para um ponto essencial: não há evidência de que o terremoto de magnitude 7,4 tenha provocado a atividade atual do Puracé. O vulcão já estava em alerta laranja desde o início de agosto e apresentava alterações sísmicas, emissão de gases e cinzas antes do terremoto.

A atividade do Puracé, entretanto, acrescenta uma nova preocupação à população. O alerta laranja significa que existe uma atividade vulcânica importante, com possibilidade de evolução para uma erupção maior, embora isso não signifique que uma grande erupção necessariamente ocorrerá. As autoridades vêm pedindo que moradores próximos respeitem as áreas de restrição e acompanhem somente informações oficiais.

Antes mesmo do terremoto, o aumento da atividade havia provocado preocupação porque o Serviço Geológico vinha identificando níveis de sismicidade próximos ao cráter que não eram observados havia décadas. Também foram registradas emissões maiores de cinzas e aumento da liberação de dióxido de enxofre. Aproximadamente 22 mil pessoas vivem em áreas expostas a diferentes ameaças relacionadas ao complexo vulcânico, segundo estimativas reportadas a partir dos planos de emergência locais.

Enquanto os geólogos acompanham o Puracé, o drama humano provocado pelo terremoto continua crescendo. O tremor atingiu principalmente o oeste colombiano e provocou destruição em cidades como Cali, Pereira, Manizales e Quibdó. O balanço mais recente divulgado nesta quinta-feira aponta 273 mortos e mais de 3.800 feridos, com centenas de pessoas ainda desaparecidas.

Quase 12,6 mil casas foram destruídas e mais de 74,8 mil imóveis sofreram algum tipo de dano. Mais de 25 mil famílias foram diretamente atingidas, segundo os números divulgados pelas autoridades colombianas.

As equipes de resgate entraram na fase mais crítica das buscas. Depois das primeiras 72 horas, as possibilidades de encontrar sobreviventes diminuem, embora operações continuem em pontos onde cães, equipamentos ou equipes identificam possíveis sinais de vida sob os escombros. Em Cali, parte das operações já começou a passar da busca por sobreviventes para a retirada dos destroços.

Mais de 150 réplicas foram registradas depois do grande terremoto, aumentando o risco de desabamentos em prédios que permaneceram de pé, mas sofreram danos estruturais. As réplicas também dificultam o trabalho de bombeiros, militares e equipes especializadas.

A crise também levou cidades atingidas a adotar medidas de segurança. Cali e Pereira chegaram a decretar toque de recolher, principalmente diante do risco de saques e da necessidade de manter as ruas livres para socorristas, ambulâncias e forças de segurança.

O abastecimento se tornou outro desafio. Não existe indicação de que toda a Colômbia esteja sem alimentos, gás ou dinheiro, mas há comunidades duramente atingidas com dificuldades para conseguir água, alimentação, energia elétrica, atendimento de saúde e outros itens essenciais, especialmente em regiões isoladas de Chocó.

Há famílias vivendo em abrigos improvisados, parques, veículos ou áreas abertas porque perderam suas casas ou têm medo de retornar a imóveis danificados pelas sucessivas réplicas. Hospitais, escolas e outras estruturas públicas também sofreram danos.

A tragédia colocou o novo governo colombiano diante de sua primeira grande crise. O presidente Abelardo de la Espriella declarou emergência econômica e anunciou a criação de um fundo para financiar reconstrução de moradias, hospitais, escolas e infraestrutura.

A resposta internacional também começou a crescer. A União Europeia anunciou 2 milhões de euros em ajuda humanitária, enquanto outros governos e organizações internacionais ofereceram recursos e equipes especializadas para auxiliar as autoridades colombianas.

No meio desse cenário, as imagens do Puracé soltando cinzas ampliaram a sensação de insegurança entre os colombianos. O fenômeno, porém, precisa ser tratado separadamente do terremoto. O Serviço Geológico Colombiano mantém acompanhamento permanente e já divulgou boletins extraordinários nos dias 10, 11 e 12 de agosto, demonstrando que a atividade do complexo permanece sob monitoramento intensivo.

O terremoto e a atividade vulcânica fazem parte de uma característica geológica maior da região. A Colômbia está situada no encontro de importantes placas tectônicas, incluindo as placas de Nazca e Sul-Americana, o que torna grande parte do território sujeita a terremotos e vulcanismo. O terremoto desta semana ocorreu por processos tectônicos profundos associados a essa dinâmica regional.

O Diário Tocantinense acompanha a evolução das duas emergências. Nesta quinta-feira, a prioridade continua sendo localizar desaparecidos, atender milhares de famílias que perderam suas casas e garantir abastecimento às regiões isoladas. Paralelamente, geólogos mantêm vigilância permanente sobre o Puracé, que permanece em alerta laranja, com emissões de cinzas e gases registradas nos últimos dias.

A Colômbia, portanto, tenta se recuperar do terremoto mais devastador do país neste século enquanto convive com outra ameaça natural sob observação. São centenas de mortos, milhares de feridos, cidades parcialmente destruídas, comunidades sob restrições de circulação e um vulcão ativo acompanhado minuto a minuto pelas autoridades — um cenário que mantém milhões de colombianos atentos ao que pode acontecer nas próximas horas e dias.

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