Roberta Nuñez Maia fala sobre autoridade digital na era da IA
Jornalista com 26 anos de carreira explica como imprensa, Google e inteligência artificial influenciam a reputação de profissionais
Quando alguém pesquisa o nome de um profissional no Google, o resultado pode dizer muito sobre a imagem construída por ele. Currículo, redes sociais, entrevistas, artigos e matérias jornalísticas ajudam a formar essa percepção. Para médicos, advogados, empresários, executivos e autores, cuidar das informações disponíveis na internet passou a fazer parte do trabalho de reputação.
A jornalista e empresária Roberta Nuñez Maia, com mais de 26 anos de carreira, acompanha essas mudanças no mercado de comunicação. À frente da RN Assessoria Imprensa, SSS Assessoria e Agência Puro Glamour, ela atua na construção de notoriedade de profissionais, empresas e projetos de diferentes segmentos.
“Hoje, reputação não é apenas aquilo que você diz sobre si mesmo. É também aquilo que a imprensa publicou, o que o Google encontra e quais referências digitais existem para sustentar a sua autoridade”, afirma Roberta Nunes Pereira Maia.
Para a jornalista, um dos principais pontos dessa discussão está na diferença entre visibilidade e notoriedade. Uma pessoa pode alcançar um grande público nas redes sociais ou aparecer pontualmente na mídia sem, necessariamente, ser reconhecida como referência em sua área.
A construção de autoridade exige coerência entre a experiência do profissional e aquilo que pode ser encontrado sobre ele. É justamente nesse ponto que matérias, entrevistas e artigos podem contribuir para registrar sua atuação e seu conhecimento.
“Não basta aparecer. É importante que exista uma sequência de conteúdos que mostre quem é aquele profissional, o que ele faz e sobre quais assuntos possui conhecimento para falar”, explica Roberta.
A assessoria de imprensa participa desse processo ao identificar assuntos nos quais o profissional pode contribuir como fonte. Um médico pode explicar temas relacionados à sua especialidade, assim como um advogado pode analisar questões jurídicas e um empresário pode compartilhar sua experiência sobre o mercado em que atua.
O objetivo não é fazer com que o nome esteja presente em qualquer assunto, mas relacioná-lo de forma coerente aos temas que fazem parte de sua trajetória.
O que o Google mostra
O Google também ocupa um espaço importante nessa construção. Ao pesquisar um profissional, o público pode encontrar conteúdos publicados por ele próprio, mas também entrevistas, reportagens e outras referências produzidas por terceiros.
Para Roberta, essa diferença interfere na forma como a informação é percebida.
“Nas redes sociais, você apresenta a sua própria história. Quando existe uma entrevista ou uma matéria jornalística, há também uma referência externa sobre o seu trabalho”, afirma.
Essa presença pode ser construída ao longo do tempo. Em vez de concentrar esforços em uma única publicação, a estratégia busca criar um histórico relacionado à atuação daquele profissional.
Com isso, uma pesquisa pelo nome pode reunir diferentes momentos de sua carreira e mostrar os assuntos aos quais ele esteve associado.
Inteligência artificial entra nessa discussão
A popularização das ferramentas de inteligência artificial trouxe outra questão para quem trabalha com reputação digital. Hoje, parte das pesquisas que antes eram feitas exclusivamente em mecanismos de busca também acontece por meio de sistemas de IA.
Usuários podem recorrer a essas ferramentas para procurar informações sobre profissionais, empresas, especialistas e assuntos específicos. Para Roberta, a mudança aumenta a necessidade de manter informações consistentes disponíveis na internet.
“Não adianta simplesmente afirmar que é especialista em determinado assunto. É preciso ter uma trajetória que sustente essa informação”, diz.
A jornalista ressalta que a estratégia não deve ser construída apenas para tentar aparecer em respostas produzidas por inteligência artificial. A prioridade continua sendo apresentar informações reais sobre a atuação profissional e criar conteúdos que tenham relevância para o público.
Redes sociais e imprensa cumprem funções diferentes
A presença nas redes sociais também participa da construção da imagem profissional, mas não substitui o trabalho realizado com a imprensa.
Instagram, LinkedIn e outras plataformas permitem falar diretamente com seguidores, mostrar bastidores, apresentar projetos e compartilhar opiniões. O conteúdo jornalístico possui outra função, já que coloca o profissional como fonte ou personagem de uma pauta produzida por um veículo.
Para Roberta, trabalhar essas frentes de forma conjunta permite criar diferentes pontos de contato com o público. Quem acompanha um profissional pelas redes pode encontrar suas entrevistas no Google, enquanto alguém que o conheceu por meio de uma reportagem pode posteriormente procurar seus canais próprios.
Livros também podem construir autoridade
O lançamento de um livro é outro momento que pode ser utilizado para fortalecer a presença de um autor na imprensa. Em vez de limitar a divulgação à chegada da obra ao mercado, os temas abordados nas páginas podem gerar entrevistas, artigos e novas pautas.
Um autor que escreve sobre negócios, direito, saúde ou comportamento, por exemplo, pode participar de discussões relacionadas ao conteúdo que domina e ampliar sua presença como fonte.
“O livro pode abrir espaço para entrevistas, palestras, artigos e outras oportunidades. Existe um trabalho que pode começar antes do lançamento e continuar depois dele”, explica.
Depois de 26 anos trabalhando com comunicação, Roberta Nuñez Maia considera que construir autoridade depende principalmente de continuidade e coerência. A presença na imprensa pode contribuir para que conhecimento, experiência e trajetória não fiquem restritos ao currículo ou às redes sociais.
“Quando alguém pesquisa seu nome, é importante que encontre informações relacionadas àquilo que você realmente faz. Autoridade precisa ser sustentada por conhecimento, trajetória e referências”, conclui.