Debate esquenta: investigação, saúde e demissões entram no confronto e candidatos elevam o tom no 2º bloco

Debate esquenta: investigação, saúde e demissões entram no confronto e candidatos elevam o tom no 2º bloco
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 19 de agosto de 2026 11

O segundo bloco do debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins foi, até então, o momento mais quente da noite. Depois de uma abertura marcada por apresentações pessoais e discursos mais controlados, o clima mudou completamente quando os próprios candidatos passaram a escolher adversários e temas. Investigação, saúde pública, demissões no Governo do Estado, promessas, experiência administrativa e críticas à velha política entraram no centro do confronto, com direito a provocações, respostas duras e direito de resposta.

Um dos embates que mais chamou atenção colocou Ataídes Oliveira e Vicentinho Júnior frente a frente. Ataídes levou para o debate questionamentos relacionados à Operação Overclean e mencionou informações envolvendo movimentações financeiras de empresa ligada à esposa do candidato. A pergunta imediatamente aumentou a temperatura no estúdio e fez Vicentinho reagir.

Vicentinho afirmou que não possui condenação relacionada ao seu mandato, CPF ou nome e desafiou os adversários a apresentarem qualquer sentença condenatória contra ele. O candidato buscou separar investigação de responsabilidade criminal e usou boa parte da resposta para rebater a tentativa de associá-lo diretamente às suspeitas levantadas durante o confronto.

Ataídes não recuou. Na tréplica, reforçou que sua pergunta tratava de investigação, e não de condenação, e voltou a cobrar explicações. O embate ganhou contornos ainda mais pessoais quando Vicentinho criticou a forma como o adversário havia pesquisado sua trajetória e reagiu às colocações feitas por Ataídes.

O confronto deixou uma sinalização clara para o restante da campanha: adversários de Vicentinho devem insistir em questionamentos relacionados às investigações, enquanto o candidato tende a responder destacando que não foi condenado e contestando tentativas de atribuir a ele responsabilidades que, segundo sua defesa, não existem.

Se a investigação esquentou uma parte do bloco, a saúde colocou Vicentinho e Professora Dorinha diretamente em rota de colisão.

Vicentinho escolheu Dorinha para responder sobre a situação da saúde pública no Tocantins. A pergunta abriu espaço para uma das trocas de críticas mais políticas da noite. Dorinha afirmou que pretende acelerar obras hospitalares, ampliar cirurgias e exames, fortalecer hospitais regionais e trabalhar pela realização de concurso público para profissionais da área.

A candidata também defendeu maior integração entre o Estado, os municípios, o Governo Federal e a iniciativa privada para enfrentar gargalos históricos do setor. O discurso, porém, abriu espaço para Vicentinho atacar justamente a ligação política de Dorinha com o atual Governo do Tocantins.

Na réplica, Vicentinho citou unidades hospitalares que aguardam conclusão e questionou por que problemas antigos ainda persistem. O candidato tentou colocar Dorinha na posição de corresponsável política por uma gestão que ela apoia e levou para o debate uma cobrança que deve aparecer repetidamente durante a campanha: até que ponto a candidata representa continuidade e até que ponto apresenta um novo projeto para o Estado?

Dorinha respondeu com firmeza. Contestou informações apresentadas pelo adversário, classificou parte das colocações como desinformação e defendeu ações realizadas pela atual administração. Ao mesmo tempo, buscou reforçar que sua proposta de governo terá prioridades próprias, especialmente na saúde.

Foi justamente nesse ponto que o debate deixou de ser apenas uma apresentação de propostas. Vicentinho tentava colocar Dorinha contra a parede pelos problemas existentes atualmente; Dorinha respondia tentando mostrar resultados, corrigir informações e apresentar caminhos para os próximos quatro anos. A saúde, que já aparecia como tema central da eleição, ganhou ali uma dimensão diretamente eleitoral.

Outro confronto que incendiou o segundo bloco envolveu Du Pereira e Laurez Moreira.

Du Pereira escolheu um assunto sensível para o adversário: as demissões ocorridas durante os aproximadamente 90 dias em que Laurez esteve à frente do Governo do Tocantins. A pergunta foi direta e buscou saber se, caso eleito, Laurez repetiria a política de exonerações.

Laurez defendeu sua passagem pelo Palácio Araguaia e afirmou que as decisões tomadas naquele período fizeram parte de uma reorganização administrativa. O candidato também destacou ações relacionadas ao funcionalismo público e defendeu que o ingresso no serviço público deve ocorrer prioritariamente por concurso.

Du Pereira aproveitou a réplica para aumentar o tom. Disse que famílias perderam seus empregos e enfrentaram dificuldades durante aquele período e cobrou sensibilidade do adversário. Em seguida, transformou a pergunta em provocação eleitoral ao dizer que Laurez deveria repensar aquela postura caso chegasse novamente ao Governo, mas completou que isso não aconteceria porque ele próprio seria eleito governador.

Laurez devolveu. Disse que Du estava mal informado e reforçou que administrar o Estado exige experiência, conhecimento e preparação. O recado mirava diretamente o discurso de renovação usado pelo empresário durante o debate.

A troca evidenciou uma contradição que deverá acompanhar Laurez até o fim da campanha. O período em que esteve no comando do Executivo estadual é apresentado por ele como demonstração de experiência e capacidade para governar. Seus adversários, porém, enxergam justamente nesses 90 dias uma oportunidade de confrontá-lo com decisões impopulares e cobranças feitas por antigos servidores.

Professor Witer também entrou no confronto e escolheu Ataídes Oliveira para discutir educação. O ponto central foi a promessa de construção de dezenas de escolas de tempo integral. Witer quis saber de onde sairiam os recursos para bancar as novas unidades.

Ataídes afirmou que pretende reorganizar os gastos públicos, combater corrupção, privilégios e desperdícios para abrir espaço no orçamento estadual. Witer insistiu nos números e questionou se a conta realmente fecharia diante do custo de construção, funcionamento, contratação de professores e manutenção das estruturas.

O debate entre os dois saiu da discussão genérica sobre educação e entrou justamente onde as campanhas costumam enfrentar mais dificuldade: como transformar promessa em orçamento. Ataídes manteve a defesa da proposta e argumentou que uma gestão diferente permitiria direcionar mais recursos para áreas essenciais.

Em outro momento, Laurez questionou Witer sobre como reduzir a dependência econômica do Tocantins em relação ao serviço público. Witer defendeu políticas de geração de emprego e renda e uma estratégia de emancipação econômica do Estado.

Laurez respondeu apresentando industrialização, fortalecimento do empreendedorismo e cooperativismo como caminhos para dinamizar a economia. Witer voltou ao ataque e afirmou que grandes empresas não se instalam apenas com discurso, cobrando segurança jurídica, ambiente econômico estável e incentivos bem estruturados.

Dorinha também entrou novamente no jogo ao escolher Du Pereira para discutir desenvolvimento dos municípios menores. Du defendeu maior participação de comerciantes e empresas locais nas compras públicas e afirmou que o dinheiro do Estado precisa circular mais dentro das próprias cidades tocantinenses.

Dorinha respondeu defendendo atuação conjunta do Estado com as prefeituras, especialmente em educação, saúde, infraestrutura e geração de oportunidades.

Mas Du Pereira aproveitou o espaço para soltar uma das farpas políticas do bloco. Questionou por que candidatos que já passaram décadas ocupando cargos públicos continuam chegando às eleições apresentando promessas para problemas antigos. A fala não ficou restrita a Dorinha e funcionou como um ataque amplo aos candidatos mais experientes do palco.

A reta final do bloco ainda teve mais tensão. Dorinha recebeu direito de resposta depois de considerar ofensivas declarações feitas por Ataídes Oliveira. Ela afirmou que aceita críticas políticas, divergências e questionamentos, mas cobrou respeito no tratamento durante a campanha.

Ao responder, Dorinha também trouxe a discussão para o respeito às mulheres na política e deixou claro que não aceitaria ataques que ultrapassassem, na avaliação dela, o campo do debate de ideias.

Ataídes, por sua vez, contestou a interpretação de que tivesse cometido uma agressão e manteve sua postura crítica.

Quando o segundo bloco terminou, ficou evidente que o debate havia mudado de patamar. As apresentações formais ficaram para trás e a campanha apareceu de verdade no palco.

Vicentinho saiu pressionado por questionamentos sobre investigação, mas reagiu colocando a saúde e a atual gestão no centro das cobranças contra Dorinha. Dorinha teve de defender ações do grupo político ao qual está ligada enquanto buscava projetar sua própria proposta de governo. Laurez viu seus 90 dias no comando do Estado serem transformados em munição eleitoral. Ataídes mostrou que pretende atacar sem economizar críticas. Du Pereira apostou no confronto com os políticos tradicionais, enquanto Witer tentou levar as promessas dos adversários para o terreno dos números e da viabilidade.

Se o primeiro bloco foi de apresentação, o segundo foi de combate.

E, depois dele, uma coisa ficou clara: a campanha pelo Governo do Tocantins deixou o discurso ensaiado de lado e entrou definitivamente na fase das cobranças, das farpas e do confronto direto.

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