Dorinha promete avanços no Tocantins, prega respeito entre adversários e diz que quer governar olhando para o futuro
Em um debate marcado por cobranças, provocações e momentos de tensão entre os candidatos ao Governo do Tocantins, Professora Dorinha (União Brasil) buscou ocupar um espaço diferente no primeiro grande confronto da campanha eleitoral de 2026. A candidata procurou combinar firmeza nas respostas com apresentação de propostas e adotou como uma das principais linhas de sua participação a defesa de um governo voltado para avanços na saúde, desenvolvimento econômico, infraestrutura e redução das desigualdades entre as regiões do Estado.
A estratégia já havia sido sinalizada antes mesmo de Dorinha entrar no estúdio. Horas antes do debate, a candidata afirmou que pretendia manter uma postura propositiva e direcionar a discussão para aquilo que considera o futuro do Tocantins. No confronto, essa linha apareceu principalmente quando foi provocada pelos adversários: em vez de concentrar suas respostas apenas nas críticas recebidas, Dorinha procurou associar cada questionamento a medidas que pretende executar caso seja eleita.
A saúde foi um dos principais testes da noite. Questionada por Vicentinho Júnior sobre os problemas enfrentados pela rede estadual, Dorinha reconheceu que a área exige atenção permanente e apresentou uma combinação de ações para tentar reduzir filas e ampliar o atendimento. Entre elas estão policlínicas, ampliação de convênios para cirurgias eletivas, utilização da telemedicina, fortalecimento dos hospitais regionais e maior integração entre Estado, municípios e Governo Federal.
Foi nesse momento que a candidata apresentou uma das linhas que pretende imprimir a uma eventual gestão: tirar o cidadão do meio das disputas sobre de quem é a responsabilidade por determinado atendimento. Para Dorinha, o Governo do Estado deve assumir uma função de coordenação da rede, acompanhar os hospitais e buscar soluções em conjunto com as demais esferas públicas. “O cidadão não pode ficar no meio de uma disputa sobre quem é responsável pelo atendimento”, afirmou durante o debate.
Vicentinho tentou aumentar a pressão ao mencionar obras hospitalares e problemas que se arrastam há anos, numa tentativa de vincular Dorinha diretamente às fragilidades da atual administração estadual. A candidata não deixou a cobrança sem resposta. Contestou informações apresentadas pelo adversário, defendeu ações que estão em andamento e, ao mesmo tempo, procurou deixar claro que seu projeto não pretende simplesmente administrar o que já existe, mas estabelecer novas prioridades.
Esse foi um dos movimentos políticos mais importantes de Dorinha durante o confronto. Como candidata apoiada pelo grupo que atualmente governa o Tocantins, ela entrou no debate carregando naturalmente o bônus e o ônus dessa ligação. Diante disso, buscou defender conquistas sem assumir uma posição de acomodação. A mensagem transmitida foi de continuidade daquilo que considera positivo, acompanhada da promessa de corrigir gargalos e acelerar áreas em que o Estado ainda precisa avançar.
Ao falar novamente sobre saúde durante as perguntas feitas pelos jornalistas, Dorinha reforçou a regionalização dos serviços. A candidata afirmou que pretende ampliar o acesso a atendimento especializado fora da Capital e colocou o Hospital Geral de Araguaína entre os projetos considerados fundamentais para essa nova estrutura. Segundo ela, a intenção é fazer com que a população do interior tenha cada vez menos necessidade de percorrer grandes distâncias em busca de consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados.
A preocupação com os municípios menores também apareceu quando Dorinha discutiu desenvolvimento regional com Du Pereira. A candidata defendeu uma relação mais próxima entre Governo e prefeituras, argumentando que educação, saúde, infraestrutura e geração de empregos não podem ser tratadas de maneira isolada. A proposta apresentada passa por fazer o Estado chegar com maior capacidade de articulação justamente às cidades que possuem menos estrutura financeira e administrativa.
No campo econômico, Dorinha apresentou uma posição de incentivo à participação da iniciativa privada em projetos que possam acelerar investimentos, mas procurou afastar a ideia de que esse caminho significaria aumento da carga sobre a população. Durante o debate, defendeu concessões e parcerias quando houver benefício para o Estado e reiterou ser contrária à elevação de impostos e taxas. A candidata também relacionou desenvolvimento econômico à infraestrutura e à criação de oportunidades em diferentes regiões do Tocantins.
Em vários momentos, porém, Dorinha teve de abandonar o terreno exclusivamente propositivo e entrar no confronto político. O episódio mais evidente ocorreu após declarações de Ataídes Oliveira. A candidata pediu e recebeu direito de resposta e utilizou o espaço para estabelecer o limite que pretende adotar durante a campanha: disposição para enfrentar críticas e divergências, mas cobrança de respeito entre os adversários.
A reação também teve um componente simbólico. Única mulher entre os nomes de maior projeção presentes no confronto, Dorinha levou para o debate a discussão sobre a maneira como mulheres são tratadas nos espaços de poder. Sem recuar das divergências políticas, procurou mostrar que firmeza e respeito não são conceitos incompatíveis.
O episódio ajudou a consolidar uma característica que sua campanha tenta projetar: a imagem de uma candidata que não precisa elevar permanentemente o tom para demonstrar autoridade. Mesmo quando foi diretamente questionada sobre saúde, gestão e responsabilidade política, Dorinha procurou responder sem abandonar as propostas que pretendia apresentar ao eleitor.
A experiência também apareceu como elemento importante. Professora, ex-secretária estadual de Educação, ex-deputada federal e atualmente senadora, Dorinha chegou ao debate como alguém acostumada a ambientes de negociação política e enfrentamento público. Essa trajetória ficou perceptível principalmente nos momentos em que precisou administrar simultaneamente uma crítica, responder ao adversário e retornar à apresentação de seu programa.
Ao longo da noite, enquanto outros confrontos avançavam para acusações pessoais, investigações e cobranças sobre decisões administrativas do passado, Dorinha procurou construir uma narrativa mais voltada para o que pretende fazer a partir de 2027. Não deixou de responder quando atacada, mas evitou transformar o confronto pessoal no centro de sua participação.
Isso não significa que tenha passado pelo debate sem enfrentar dificuldades. Pelo contrário. A saúde mostrou que adversários tentarão responsabilizá-la politicamente pelos problemas do atual governo, e essa cobrança deverá reaparecer ao longo da campanha. O desafio para Dorinha será justamente convencer o eleitor de que experiência e continuidade política podem caminhar ao lado de mudanças, novas prioridades e um estilo próprio de governar.
No primeiro teste frente a frente, porém, a candidata demonstrou qual caminho pretende seguir para enfrentar essa questão: reconhecer que existem problemas, defender aquilo que considera avanços e apresentar propostas para o próximo ciclo do Estado. Sua própria definição antes do encontro sintetizava essa escolha: manter conquistas e buscar um “salto de qualidade” para o Tocantins.
Quando chegou às considerações finais, Dorinha voltou a falar sobre propostas possíveis de serem executadas, desigualdades regionais, saúde e atenção às mulheres. O recado buscou fugir de promessas genéricas e reforçar a ideia de planejamento, diálogo institucional e capacidade de execução.
O primeiro debate ainda está longe de decidir uma eleição, mas serve para revelar comportamento sob pressão, prioridades e estratégias. Dorinha saiu dele mostrando que pretende disputar o Palácio Araguaia apoiada não apenas no peso de sua trajetória política, mas na tentativa de transmitir equilíbrio, experiência e capacidade de condução.
Em uma noite em que as farpas ganharam manchetes, a candidata procurou deixar outro recado: é possível responder aos adversários sem perder de vista o que realmente estará em jogo nas urnas — quem estará preparado para governar o Tocantins a partir de 2027.