Do celular para o asfalto: campanhas aceleram no Tocantins e disputa começa a ganhar as ruas

Do celular para o asfalto: campanhas aceleram no Tocantins e disputa começa a ganhar as ruas
Crédito: Imagem meramente ilustrativa
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 20 de agosto de 2026 6

eleição de 2026 entrou definitivamente em uma nova fase no Tocantins. Depois de meses em que pré-candidatos concentraram boa parte das movimentações em redes sociais, reuniões internas, articulações partidárias e anúncios de apoio, as campanhas começam a aparecer de maneira cada vez mais evidente nas ruas. Adesivaços, encontros com eleitores, inauguração de comitês, visitas a municípios, reuniões com lideranças e agendas simultâneas passaram a fazer parte da rotina dos candidatos.

A propaganda eleitoral está oficialmente permitida desde domingo, 16 de agosto, quando os candidatos passaram a poder pedir votos diretamente ao eleitor. Desde então, caminhadas, carreatas, passeatas, distribuição de material gráfico e outras ações passaram a integrar legalmente a disputa, obedecendo às regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

Na avaliação do Diário Tocantinense (DT), os primeiros dias mostram uma campanha que tenta fazer justamente a transição entre duas forças que serão decisivas em outubro: a presença digital e a capacidade de colocar gente nas ruas. Ter seguidores, engajamento e alcance nas redes continua importante, mas agora os candidatos precisam transformar visibilidade virtual em militância, adesivos nos veículos, reuniões cheias, lideranças mobilizadas e, principalmente, votos.

Na disputa pelo Governo, Professora Dorinha (União Brasil) começou essa nova etapa apostando fortemente na interiorização da campanha. Nesta quinta-feira, 20, a candidata inicia um giro pelo Bico do Papagaio que segue até domingo, 23, com previsão de passagem por 16 municípios. Piraquê, Wanderlândia, Ananás, Araguatins, São Bento, Nazaré, Sítio Novo, Axixá, Maurilândia, Itaguatins, São Sebastião, Aragominas, Santa Fé do Araguaia, Muricilândia e Carmolândia estão entre os pontos da agenda divulgada.

A estratégia mostra uma das características que devem marcar a campanha de Dorinha: aproveitar a estrutura política construída em torno de sua candidatura e transformar o apoio de prefeitos, vereadores, candidatos proporcionais e lideranças municipais em mobilização. No interior, cada reunião também serve para medir a capacidade dos grupos locais de reunir apoiadores e colocar a campanha efetivamente em movimento.

Vicentinho Júnior (PSDB) também busca reforçar a presença direta junto ao eleitor. Na quarta-feira, 19, o candidato esteve em Taquaruçu, onde se reuniu com empresários e moradores para ouvir demandas e apresentar propostas relacionadas ao turismo e à economia do distrito. A campanha de Vicentinho vem apostando na ideia de proximidade com a população e já havia escolhido Taquaralto como um dos locais simbólicos para marcar sua largada eleitoral em Palmas.

A movimentação de Vicentinho indica uma estratégia que tenta combinar agendas presenciais e presença digital. Antes mesmo do início oficial da campanha, o candidato percorreu regiões do Tocantins em busca de apoios de prefeitos, vereadores e lideranças, e agora passa a converter esse trabalho de pré-campanha em pedido aberto de voto.

Laurez Moreira (PSD) iniciou a campanha reunindo aliados em seu comitê de Palmas. Na segunda-feira, 17, o candidato esteve com dirigentes partidários, coordenadores e nomes que integram seu grupo político, entre eles Paulo Mourão, candidato ao Senado. A primeira movimentação mostrou uma tentativa de organizar internamente uma aliança formada por diferentes forças antes de ampliar a presença territorial da candidatura.

Para Laurez, a campanha de rua também representa o desafio de ampliar para outras regiões do Tocantins o capital político construído especialmente em Gurupi e no sul do Estado. A disputa exigirá que o candidato transforme sua experiência administrativa e os apoios partidários em uma rede capaz de funcionar nos 139 municípios.

Ataídes Oliveira (Novo) começou a campanha explorando uma linha diferente. Além de assumir o compromisso de não utilizar recursos do Fundo Eleitoral, o ex-senador vem tentando ocupar espaço por meio de um discurso mais crítico aos adversários. No primeiro debate entre os candidatos ao Governo, realizado na terça-feira, 18, Ataídes adotou postura de confronto e colocou o combate à corrupção entre os principais pontos de sua participação.

Para candidatos com estruturas partidárias menores, como Professor Witer Naves (PSOL) e Du Pereira (DC), a campanha oficial abre uma oportunidade importante de ampliar conhecimento. Participar de debates, conceder entrevistas, produzir conteúdo e percorrer municípios se torna ainda mais estratégico quando não existe uma rede de prefeitos e lideranças do mesmo tamanho daquela disponível para candidaturas maiores.

O primeiro debate da eleição, realizado em Palmas na terça-feira, 18, ajudou justamente a acelerar essa mudança de ambiente. Dorinha, Vicentinho, Laurez, Ataídes, Witer e Du Pereira ficaram frente a frente em uma discussão marcada por temas como saúde, gestão pública, economia e geração de empregos. O encontro abriu oficialmente uma etapa em que as diferenças entre os projetos começam a ficar mais visíveis para o eleitor.

Mas a ocupação das ruas não está restrita aos candidatos ao Governo. Quem disputa vagas de deputado estadual, deputado federal e Senado também começou a intensificar adesivaços, reuniões e agendas municipais. E é justamente a eleição proporcional que pode ajudar a aumentar consideravelmente a presença das campanhas nas cidades.

Isso ocorre porque candidatos a deputado possuem seus próprios grupos, cabos eleitorais e lideranças. Quando essas estruturas se conectam às campanhas de governador e senador, um mesmo evento pode reunir diversas candidaturas e multiplicar a distribuição de material e o pedido de votos.

Para o DT, essa será uma das disputas paralelas mais importantes das próximas semanas: quem conseguirá transformar apoio político em presença real nas ruas.

Ter o apoio de um prefeito, por exemplo, possui peso político. Mas, durante a campanha, será necessário observar se esse apoio consegue mobilizar vereadores, secretários, lideranças comunitárias e eleitores. O mesmo vale para deputados e candidatos proporcionais que aparecem em fotografias ao lado de determinada candidatura majoritária, mas ainda precisam demonstrar capacidade efetiva de transferência de votos.

Outro ponto que começa a ficar mais evidente é a regionalização das estratégias. O Tocantins possui características políticas diferentes entre Bico do Papagaio, norte, região central, Jalapão, sudeste e sul do Estado. Uma candidatura competitiva ao Governo não poderá ficar concentrada apenas em Palmas ou em grandes cidades como Araguaína e Gurupi.

Por isso, os roteiros pelo interior ganham importância. Uma sequência de visitas a municípios menores pode não produzir o mesmo volume de imagens e público de um grande evento em Palmas, mas permite consolidar palanques municipais e conversar diretamente com quem tradicionalmente organiza a campanha na ponta.

Ao mesmo tempo, o celular continuará sendo uma arma fundamental. Cada adesivaço, caminhada ou reunião já nasce praticamente preparado para virar vídeo, fotografia, reels, stories e material para WhatsApp. A rua alimenta a internet, enquanto a internet é utilizada para convocar pessoas para a próxima ação nas ruas.

Essa integração tende a aumentar ainda mais quando começar a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. O TRE do Tocantins já iniciou os procedimentos para organizar o Plano de Mídia das eleições. A propaganda gratuita no rádio e na TV acrescentará uma nova camada à disputa que hoje acontece principalmente na internet e presencialmente.

A eleição tocantinense chega a esta fase com sete candidatos registrados ao Governo: Ataídes de Oliveira, Du Pereira, Laurez Moreira, Professor Witer Naves, Professora Dorinha, Subtenente Luiz Carlos e Vicentinho Júnior. Para o Senado, são 13 candidaturas disputando as duas vagas que estarão em jogo neste ano.

Ainda é cedo para determinar quem conseguiu a melhor largada nas ruas. Os primeiros dias servem muito mais para colocar as estruturas em funcionamento do que para definir tendências definitivas. A diferença poderá ficar mais clara quando os grandes atos começarem, os comitês estiverem funcionando plenamente e as campanhas intensificarem viagens e mobilizações regionais.

Mas uma mudança já é perceptível: a eleição deixou de ser apenas uma guerra de posts, vídeos e articulações de bastidores.

Do celular para o asfalto, a campanha de 2026 começa a ganhar carros adesivados, bandeiras, reuniões, apertos de mão e pedidos explícitos de voto. Nas próximas semanas, o desafio dos candidatos será provar que o tamanho mostrado nas redes e nas alianças políticas também existe quando a disputa chega às ruas.

E é justamente aí que começa outra fase da eleição: descobrir quem tem apoio no papel, quem tem estrutura política e quem realmente consegue colocar eleitor na rua e transformar mobilização em voto no dia 4 de outubro.

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