Irajá escolhe Dimas para o Senado e deixa nova pergunta no tabuleiro eleitoral: e para governador?

Irajá escolhe Dimas para o Senado e deixa nova pergunta no tabuleiro eleitoral: e para governador?
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 20 de agosto de 2026 5

O senador Irajá (PSD) já definiu uma parte importante de seu posicionamento para as eleições de 2026 no Tocantins. Fora da disputa pela reeleição, o parlamentar anunciou apoio a Ronaldo Dimas (Podemos) para uma das duas vagas ao Senado. A decisão, porém, abriu imediatamente uma nova pergunta nos bastidores políticos: quem Irajá apoiará para o Governo do Estado?

A dúvida ganha ainda mais peso porque Irajá permanece filiado ao PSD, partido que tem Laurez Moreira como candidato ao Governo, mas a relação política entre os dois atravessou um forte desgaste durante a montagem das chapas eleitorais. Em entrevista concedida após anunciar que não tentaria a reeleição, Irajá fez críticas abertas ao antigo aliado e afirmou que Laurez “perdeu o rumo” na condução do processo político.

Enquanto a posição para governador permanece indefinida publicamente, a escolha para o Senado está clara. Irajá declarou apoio a Ronaldo Dimas e destacou uma relação política construída há aproximadamente uma década. Segundo o senador, a confiança no ex-prefeito de Araguaína está relacionada à experiência administrativa e à parceria estabelecida ao longo dos últimos anos.

“Ronaldo Dimas é uma pessoa que eu admiro muito pelo trabalho dele”, afirmou Irajá ao anunciar sua decisão. O senador também disse acreditar que, caso eleito, Dimas poderá dar continuidade a projetos e ações que receberam sua participação durante os oito anos de mandato no Senado.

A aproximação entre os dois não começou agora. Em 2018, quando Irajá disputou pela primeira vez uma vaga no Senado, Dimas, então prefeito de Araguaína, esteve entre seus apoiadores. Na mesma eleição, Tiago Dimas, filho do ex-prefeito, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados. Desde então, os grupos mantiveram interlocução política e participação em articulações relacionadas principalmente à região norte do Tocantins.

Agora, oito anos depois, o movimento acontece no sentido contrário. Irajá deixa a disputa eleitoral e passa a trabalhar pela eleição de Dimas ao Senado. Para o parlamentar, o candidato do Podemos possui condições de representar o Tocantins em Brasília e manter ações iniciadas durante seu mandato.

A definição também fortalece Ronaldo Dimas em uma das disputas mais concorridas da eleição tocantinense. Com duas cadeiras do Senado em jogo, os candidatos precisam conquistar não apenas o eleitorado diretamente, mas também montar redes de prefeitos, vereadores, deputados e lideranças capazes de transferir apoio para suas campanhas.

Irajá deixa justamente uma estrutura política que havia sido montada para seu próprio projeto de reeleição. Prefeitos, vereadores e lideranças que estavam ligados à candidatura do senador passaram a aguardar qual seria seu direcionamento após a desistência. O anúncio em favor de Dimas começa a responder essa pergunta no campo senatorial.

Mas falta a definição considerada mais sensível: o Governo do Tocantins.

Em entrevista publicada após sua saída da disputa, Irajá afirmou que está avaliando três candidaturas ao Governo antes de anunciar oficialmente seu posicionamento. Os nomes que estão sendo considerados não foram revelados na declaração publicada.

Esse silêncio ganhou dimensão política justamente por causa do rompimento com Laurez. Menos de um ano atrás, o cenário era completamente diferente. Em agosto de 2025, Irajá comemorou publicamente a filiação de Laurez ao PSD e afirmou que a chegada do então vice-governador fortalecia o projeto político da legenda no Tocantins.

A relação começou a se deteriorar durante a montagem da chapa para 2026. Antes da convenção estadual do PSD, Irajá encaminhou um ofício comunicando que não autorizava a inclusão de seu nome para qualquer cargo nem o uso de sua imagem no evento, enquanto cobrava mudanças na condução partidária.

Depois da convenção, o conflito se intensificou. Irajá anunciou que não seria candidato à reeleição e atribuiu a decisão ao ambiente político criado durante as articulações. O PSD, por outro lado, divulgou nota afirmando que a ausência do nome do senador na ata ocorreu justamente porque ele próprio havia solicitado formalmente que não fosse incluído. O partido acrescentou que a vaga permaneceu disponível para Irajá até o fim do prazo.

A divergência deixou marcas. Dias depois, ao comentar a candidatura de Laurez, Irajá afirmou que o candidato havia tomado decisões equivocadas durante a construção eleitoral e endureceu o discurso ao dizer que o antigo aliado havia se perdido politicamente.

É esse histórico recente que transforma a indefinição sobre o Governo em um dos pontos de atenção do atual tabuleiro eleitoral. Se Irajá optar por um candidato diferente de Laurez, estará não apenas fazendo uma escolha pessoal, mas rompendo na prática com a candidatura majoritária apresentada pelo próprio partido ao qual continua filiado.

A decisão pode produzir efeitos principalmente entre as lideranças que acompanhavam Irajá. O senador possui relações políticas construídas em diferentes regiões do Tocantins ao longo do mandato, e prefeitos, vereadores e grupos municipais que estavam vinculados ao seu projeto eleitoral agora precisam reorganizar seus próprios apoios.

No Senado, parte desse caminho já foi indicada com Ronaldo Dimas. O senador afirmou que Dimas será um dos nomes que apoiará, enquanto ainda avalia para quem destinará o segundo voto, já que em 2026 cada eleitor tocantinense poderá escolher dois candidatos ao Senado.

Também existe uma dimensão familiar e política no novo desenho. Irajá informou que estará ao lado do irmão, Iratã Abreu, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados. Além disso, sua mãe, a ex-senadora Kátia Abreu, está envolvida diretamente na campanha do presidente Lula no Tocantins. Irajá elogiou a atuação dela na coordenação do projeto presidencial no Estado.

O senador, portanto, não pretende ficar distante da eleição mesmo após desistir de buscar um novo mandato. Pelo contrário: começa a reposicionar sua força política entre diferentes candidaturas e pode se tornar um apoio disputado principalmente na corrida pelo Governo.

Para o Diário Tocantinense (DT), o movimento deixa duas etapas bastante distintas. Para o Senado, Irajá já escolheu Ronaldo Dimas. Para o Governo, a resposta ainda não veio.

E é justamente essa definição que poderá produzir o próximo movimento de peso. Depois de romper politicamente com Laurez, desistir da própria reeleição e atravessar a fronteira partidária para apoiar Dimas ao Senado, a pergunta que passa a circular entre aliados, adversários e lideranças é direta: para onde vai Irajá na disputa pelo Palácio Araguaia?

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