Banho em lago termina em tragédia: menina de 8 anos morre após infecção por rara ameba que ataca o cérebro

Banho em lago termina em tragédia: menina de 8 anos morre após infecção por rara ameba que ataca o cérebro
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 25 de agosto de 2026 39

Uma viagem em família terminou em tragédia nos Estados Unidos após uma menina de apenas 8 anos morrer vítima de uma infecção extremamente rara causada pela Naegleria fowleri, organismo popularmente conhecido como “ameba comedora de cérebro”. Lillian Smart, moradora de Ruston, no estado da Louisiana, teria contraído a infecção depois de nadar no lago Claiborne, no norte do estado.

Lillian estava hospitalizada desde 15 de agosto e morreu no fim de semana, depois de apresentar graves danos cerebrais provocados pela infecção. A família confirmou a morte da criança após dias de mobilização da comunidade, que acompanhava seu estado de saúde e realizava ações de apoio. Ela havia completado 8 anos apenas um dia antes de morrer.

O Departamento de Saúde da Louisiana confirmou a infecção por Naegleria fowleri e informou que a hipótese mais provável é de que o contato tenha ocorrido enquanto Lillian nadava no lago Claiborne pouco antes de adoecer. O caso representa a primeira infecção confirmada pela ameba no estado desde 2013.

Apesar do apelido assustador, a Naegleria fowleri não “come” literalmente o cérebro. Trata-se de uma ameba de vida livre encontrada principalmente em águas doces aquecidas, como lagos, rios, lagoas e fontes termais. Quando entra pelo nariz, o organismo pode alcançar o cérebro e provocar uma doença chamada meningoencefalite amebiana primária, conhecida pela sigla PAM.

A infecção é extremamente rara, mas quase sempre fatal. Dados das autoridades de saúde norte-americanas apontam cerca de 180 casos conhecidos nos Estados Unidos entre 1937 e 2025, normalmente com menos de dez registros por ano. O número pequeno de ocorrências contrasta com a elevada letalidade da doença.

O principal detalhe para compreender a forma de contágio é que a infecção acontece quando água contaminada entra pelo nariz. A pessoa não adquire a doença simplesmente por beber ou engolir água contendo a ameba. Também não há transmissão de uma pessoa para outra.

Depois de entrar pelo nariz, a Naegleria fowleri pode percorrer estruturas relacionadas ao sistema olfativo até alcançar o cérebro, onde provoca uma inflamação grave e rápida do tecido cerebral. É justamente a velocidade de progressão da doença que torna o quadro tão perigoso.

Os primeiros sintomas normalmente aparecem cerca de cinco dias após a exposição, embora possam surgir entre um e 12 dias depois. Na fase inicial, os sinais podem ser confundidos com outras doenças, incluindo meningite bacteriana. Dor de cabeça, febre, náusea e vômitos estão entre as manifestações mais comuns.

À medida que a infecção avança, podem surgir rigidez no pescoço, confusão mental, perda de atenção ao ambiente, convulsões, alucinações e coma. Depois do início dos sintomas, a evolução pode ser extremamente rápida. Segundo o CDC, a morte costuma ocorrer cerca de cinco dias após o surgimento dos primeiros sinais, embora existam registros entre um e 18 dias.

O caso de Lillian chama atenção especialmente porque ocorreu durante o verão norte-americano. A Naegleria fowleri se desenvolve melhor em água doce quente e pode ser encontrada em ambientes naturais em diferentes partes do mundo. O risco tende a aumentar durante períodos prolongados de calor, quando a temperatura da água sobe e o nível de rios e lagos diminui.

A presença da ameba em um lago, porém, não significa que todas as pessoas que entrarem naquele local serão infectadas. Pelo contrário: os casos são excepcionalmente raros quando comparados ao enorme número de pessoas que nadam em ambientes de água doce todos os anos.

Autoridades de saúde também ressaltam que a infecção não é adquirida em piscinas corretamente tratadas e desinfetadas. Nos Estados Unidos, também não existem registros de pessoas que tenham desenvolvido PAM após nadar em água salgada.

Como não é possível eliminar a Naegleria fowleri dos ambientes naturais de água doce, os órgãos de saúde orientam medidas para reduzir a possibilidade de a água entrar pelo nariz. Entre as recomendações estão evitar mergulhos em águas doces muito quentes, principalmente durante períodos de calor intenso, manter a cabeça fora da água em fontes naturalmente aquecidas e utilizar protetores ou clipes nasais em determinadas atividades aquáticas.

Outra recomendação é evitar mexer ou revolver sedimentos no fundo de lagos e rios rasos, já que a ameba pode estar presente no solo e nos sedimentos dessas áreas. O CDC ressalta, entretanto, que o risco individual continua sendo muito baixo.

Há ainda uma orientação importante para quem realiza lavagem nasal. Casos de infecção também podem ocorrer quando água contaminada é utilizada para irrigar as vias nasais. Por isso, procedimentos desse tipo devem ser feitos somente com água adequada e segura para essa finalidade, conforme as recomendações sanitárias.

Após a morte de Lillian, a comunidade de Ruston se mobilizou em apoio aos pais da menina. Empresas e moradores participaram de ações solidárias durante a internação, enquanto familiares compartilhavam atualizações sobre a condição da criança. O governador da Louisiana, Jeff Landry, também manifestou solidariedade à família.

A tragédia reacende o alerta para uma infecção muito rara, mas de evolução extremamente agressiva. Para quem frequenta rios, lagos e outras áreas naturais de água doce, a principal orientação não é entrar em pânico, mas conhecer a forma de transmissão e adotar cuidados para evitar que grandes quantidades de água quente entrem pelo nariz.

Caso uma pessoa apresente subitamente febre, forte dor de cabeça, vômitos ou rigidez no pescoço depois de nadar ou mergulhar em água doce quente, a recomendação das autoridades de saúde é procurar atendimento médico imediatamente e informar sobre a exposição recente à água. A rapidez é especialmente importante porque a doença pode progredir em poucos dias.

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