Laurez coloca Colinas no centro da saúde regional e promete hospital com 115 leitos para reduzir dependência de Araguaína
Colinas do Tocantins entrou diretamente no debate eleitoral sobre a descentralização da saúde pública estadual. O candidato ao Governo do Tocantins Laurez Moreira (PSD) colocou entre suas propostas a construção de um Hospital Regional de Média Complexidade no município, com cerca de 115 leitos e estrutura destinada não apenas aos moradores de Colinas, mas também aos pacientes das cidades do entorno.
A promessa coloca sobre a mesa uma das demandas mais importantes da região centro-norte do Tocantins: ampliar a capacidade de resolução dos atendimentos de saúde sem depender constantemente do encaminhamento de pacientes para Araguaína. Hoje, diferentes casos que ultrapassam a capacidade da estrutura municipal acabam seguindo para unidades de referência em outros municípios, especialmente Araguaína.
Pela proposta apresentada por Laurez, o hospital teria pronto-socorro funcionando 24 horas, centro cirúrgico, centro obstétrico, clínica médica e cirúrgica, ortopedia e traumatologia, pediatria e obstetrícia. A estrutura anunciada prevê ainda UTI adulta, cuidados intensivos pediátricos e neonatais, laboratório e serviços de diagnóstico por imagem.
A dimensão anunciada transforma a proposta em algo maior do que simplesmente construir mais uma unidade hospitalar. Caso seja efetivamente executado nesses moldes, o projeto colocaria Colinas em uma posição estratégica dentro da rede estadual de saúde, permitindo que procedimentos, internações e cirurgias de média complexidade fossem realizados mais próximos da população da região.
Laurez defende justamente essa descentralização. Segundo o candidato, Colinas possui localização estratégica e condições para funcionar como polo regional de média complexidade, atendendo demandas que atualmente seguem para estruturas maiores.
“Vamos construir o Hospital Regional de Colinas para levar a saúde mais perto das pessoas. Colinas tem uma posição estratégica e pode se tornar um importante polo regional de média complexidade. Vamos ampliar a capacidade de atendimento, realizar mais cirurgias e oferecer mais especialidades, ao mesmo tempo em que ajudamos a desafogar Araguaína”, afirmou Laurez ao apresentar a proposta.
A ideia de desafogar Araguaína aparece como um dos principais argumentos da candidatura. A rede hospitalar daquela cidade recebe pacientes de diferentes municípios do Norte e centro-norte do Tocantins, inclusive casos encaminhados de Colinas e de cidades próximas. Quanto maior o número de procedimentos resolvidos regionalmente, menor tende a ser a pressão sobre as unidades responsáveis pelos atendimentos de maior complexidade.
Para Colinas, a proposta também amplia o debate sobre qual papel o município deve ocupar na saúde estadual. Pela localização geográfica e pela relação direta com cidades vizinhas, uma estrutura hospitalar de maior porte poderia permitir que o município deixasse de funcionar predominantemente como ponto de encaminhamento em determinados casos e passasse a receber pacientes de outras localidades.
Além dos 115 leitos previstos, a presença de centro cirúrgico, obstetrícia, ortopedia, traumatologia e unidades de terapia intensiva representa uma mudança significativa no nível de atendimento anunciado para o município. São justamente estruturas desse tipo que permitem aumentar a resolutividade de uma unidade regional e diminuir transferências evitáveis.
“Precisamos descentralizar a saúde. Não faz sentido concentrar nas cidades maiores quando podemos criar novos polos capazes de resolver boa parte dos atendimentos. O hospital de Colinas vai ajudar os municípios da região e, principalmente, permitir que Araguaína concentre sua estrutura nos casos de maior complexidade”, declarou Laurez.
A proposta, entretanto, também abre uma série de questões que deverão acompanhar a campanha. Um hospital com aproximadamente 115 leitos, UTIs, centro cirúrgico, pronto-socorro e várias especialidades exige investimento elevado não somente na construção, mas principalmente na manutenção permanente da estrutura.
Será necessário detalhar quanto custaria a obra, qual seria a origem dos recursos, em quanto tempo o hospital poderia ser construído e equipado e qual seria o impacto anual da unidade sobre o orçamento da Saúde estadual.
Outro desafio será a composição do quadro profissional. Uma estrutura desse porte depende de médicos de diferentes especialidades, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, profissionais de diagnóstico, equipes administrativas e plantões permanentes. A promessa da obra, portanto, precisa caminhar junto com um planejamento de contratação e manutenção dos profissionais necessários para que os 115 leitos não existam apenas fisicamente.
Também será importante definir quais municípios formariam efetivamente a região de referência do novo hospital e como aconteceria a integração com a regulação estadual. Se a proposta for concretizada, Colinas poderá receber pacientes de uma área muito maior do que seus limites municipais, modificando o desenho atual da assistência no centro-norte tocantinense.
O anúncio ainda tem peso eleitoral porque saúde está entre os temas mais sensíveis para a população e porque a localização de hospitais regionais interfere diretamente na rotina de famílias que precisam viajar em busca de tratamento. Para quem acompanha um paciente transferido para outra cidade, distância significa gasto, deslocamento, ausência do trabalho e dificuldade para permanecer próximo ao familiar internado.
Nesse contexto, a proposta de Laurez coloca Colinas dentro de uma discussão que vai além da própria campanha: qual deve ser o nível de assistência hospitalar disponível em uma cidade com papel estratégico para toda uma região?
A promessa do Hospital Regional cria, ao mesmo tempo, oportunidade e responsabilidade para o candidato. A partir de agora, não basta apenas anunciar os 115 leitos. A campanha terá de demonstrar como pretende transformar a proposta em obra, indicar fonte de financiamento, planejamento de pessoal, prazo e modelo de funcionamento.
Caso saia do papel nos moldes anunciados, o hospital poderá representar uma mudança estrutural para Colinas e municípios vizinhos, além de reduzir parte dos encaminhamentos para Araguaína. Até lá, porém, permanece como compromisso apresentado por Laurez Moreira durante a disputa pelo Governo do Tocantins — e que deverá ser acompanhado e cobrado durante e depois do processo eleitoral.