BTG/Nexus: Lula lidera com 39%, Flávio tem 33% e Cury salta para 11%; DT analisa reflexos no Tocantins, Governo e Senado
A corrida pela Presidência da República ganhou um novo componente nesta segunda-feira, 31 de agosto. Pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança com 39% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 33%. Mas o maior movimento do levantamento vem de Augusto Cury (Avante), que saltou de 2% para 11% e assumiu isoladamente a terceira posição no cenário nacional.
O levantamento ouviu 2.005 eleitores por telefone entre os dias 28 e 30 de agosto, possui margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08900/2026.
Na comparação com a rodada anterior, Lula oscilou para baixo, enquanto Flávio Bolsonaro também perdeu terreno. O grande destaque foi Cury, que acrescentou nove pontos percentuais ao desempenho registrado uma semana antes. Em eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o cenário permanece praticamente dividido: Lula aparece com 46% e Flávio com 45%, configuração de empate técnico dentro da margem de erro.
O crescimento de Augusto Cury modifica principalmente a leitura do primeiro turno. Até poucos dias atrás, Lula e Flávio concentravam praticamente toda a atenção da disputa. Agora, Cury passa a ocupar um espaço próprio, especialmente entre eleitores que procuram uma alternativa aos dois principais polos nacionais. Entre jovens de 16 a 24 anos, por exemplo, levantamento da Nexus apontou Cury com 22%, e entre eleitores que rejeitam simultaneamente Lula e o campo bolsonarista ele chega a 19%.
A movimentação chama atenção também pelo componente digital. O crescimento de Cury aconteceu depois de forte exposição em debates, entrevistas, vídeos e redes sociais, acompanhada por uma explosão de buscas pelo seu nome e aumento expressivo de seguidores. Isso não permite afirmar que o Google ou as redes sociais tenham produzido diretamente os nove pontos percentuais de crescimento, mas mostra como exposição, curiosidade, busca e intenção de voto podem se movimentar ao mesmo tempo.
Para o Tocantins, entretanto, existe um detalhe decisivo: ainda não há uma pesquisa estadual divulgada depois da explosão nacional de Augusto Cury capaz de medir se esse crescimento já chegou ao eleitor tocantinense.
Na pesquisa Quaest realizada no Tocantins entre os dias 21 e 24 de agosto, antes da nova rodada BTG/Nexus e antes da maior repercussão recente de Cury, Lula aparecia com 37% das intenções de voto para presidente, Flávio Bolsonaro com 32%, Ronaldo Caiado com 7%, Renan Santos com 3% e Augusto Cury com apenas 2%.
Isso significa que existe agora uma pergunta eleitoral importante no Estado: os 11% alcançados nacionalmente por Augusto Cury também começarão a aparecer no Tocantins? A resposta depende dos próximos levantamentos.
A mesma Quaest mostrou Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no Tocantins por cinco pontos, mas dentro de um cenário ainda competitivo, considerando a margem de erro de três pontos percentuais. A pesquisa ouviu 804 eleitores tocantinenses entre 21 e 24 de agosto.
Outro instituto encontrou cenário diferente em uma eventual disputa direta. Pesquisa Real Time Big Data realizada entre 21 e 25 de agosto mostrou Flávio Bolsonaro com 45% e Lula com 39% em um segundo turno no Tocantins. Foram entrevistados 1.600 eleitores e a margem de erro foi de dois pontos percentuais.
Os levantamentos não são contraditórios simplesmente porque apresentam números diferentes. Possuem metodologias, períodos, amostras e perguntas distintas. A fotografia mais segura é que o eleitor tocantinense continua dividido entre Lula e Flávio Bolsonaro e que o impacto local da ascensão de Augusto Cury ainda precisa ser medido.
Essa movimentação nacional ocorre ao mesmo tempo em que a eleição para o Governo do Tocantins entra em uma fase igualmente competitiva.
A pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto mostrou Professora Dorinha (União Brasil) com 37%, Vicentinho Júnior (PSDB) com 28%, Laurez Moreira (PSD) com 7%, Ataídes Oliveira (Novo) com 3% e Subtenente Luiz Carlos com 2%. Witer Naves e Du Pereira não pontuaram nesse cenário. Os indecisos representaram 16% e brancos, nulos ou eleitores que disseram não votar somaram 7%.
Na pesquisa espontânea da Quaest, quando os nomes não são apresentados ao eleitor, Vicentinho Júnior apareceu numericamente à frente com 15%, enquanto Dorinha registrou 13%. Laurez teve 2%. O dado mais importante, porém, foi a enorme quantidade de eleitores que ainda não conseguiu citar espontaneamente um candidato: 68%.
No segundo turno simulado pela Quaest entre Dorinha e Vicentinho, a candidata do União Brasil apareceu com 46%, contra 38% do candidato do PSDB. Dorinha também venceu os cenários contra Laurez e Ataídes, enquanto Vicentinho superou esses mesmos adversários nas simulações diretas.
Três dias depois, entretanto, o Paraná Pesquisas apresentou uma fotografia mais apertada da corrida pelo Palácio Araguaia.
Na pesquisa divulgada em 28 de agosto, Dorinha apareceu com 37,3% e Vicentinho Júnior com 35,5%. Pela margem de erro de 2,6 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Laurez Moreira marcou 7,6%, Ataídes Oliveira 5,1%, Subtenente Luiz Carlos 1,6%, Du Pereira 1,2% e Witer Naves 0,2%.
A pesquisa espontânea do Paraná também mostrou equilíbrio. Dorinha registrou 19,5% e Vicentinho 18,9%, novamente dentro da margem de erro. Laurez apareceu com 1,9% e Ataídes com 1,7%. Quase metade dos entrevistados, 49,7%, ainda não soube indicar espontaneamente um candidato.
No eventual segundo turno, o Paraná Pesquisas mostrou Vicentinho Júnior numericamente com 44,9% e Dorinha com 44,4%. A diferença de apenas meio ponto percentual representa empate técnico absoluto.
A comparação dos dois institutos mostra por que a eleição para governador ainda está aberta. A Quaest encontrou Dorinha com vantagem maior no primeiro e no segundo turno. O Paraná, poucos dias depois e utilizando outra metodologia, mostrou Dorinha e Vicentinho praticamente empatados.
Os números também indicam que Laurez Moreira ainda enfrenta o desafio de romper a polarização que começa a se formar entre os dois primeiros colocados. No Paraná, Laurez aparece com 7,6%; na Quaest, registrou 7%.
O cenário presidencial pode ter influência sobre essas campanhas, mas essa transferência não é automática.
Dorinha integra um bloco político amplo no Tocantins, que reúne União Brasil, Republicanos, PL e outras siglas, e recebe apoio do governador Wanderlei Barbosa. Entre seus aliados para o Senado está Eduardo Gomes, do PL, partido de Flávio Bolsonaro.
Vicentinho Júnior, por sua vez, disputa pelo PSDB e construiu uma chapa com Amélio Cayres, do MDB, além de reunir apoios de grupos diferentes dentro da política estadual. Laurez Moreira é candidato pelo PSD, mesma legenda do presidenciável Ronaldo Caiado.
Esse desenho produz uma eleição tocantinense menos verticalizada do que uma simples divisão Lula contra Bolsonaro.
Um eleitor pode votar em Flávio Bolsonaro para presidente e escolher Dorinha para o Governo. Outro pode votar em Lula e também apoiar Dorinha. Da mesma maneira, é possível encontrar eleitores de Lula, Flávio ou Cury entre os apoiadores de Vicentinho ou Laurez.
Isso acontece porque as eleições estaduais são influenciadas por fatores próprios: prefeitos, deputados, lideranças municipais, obras, recursos destinados às cidades, avaliação do governo estadual, alianças regionais e relações pessoais com os candidatos.
A disputa pelo Senado torna esse quebra-cabeça ainda mais complexo porque, em 2026, o eleitor tocantinense terá direito a dois votos para senador.
Na Quaest, Eduardo Gomes (PL) apareceu com 14%, seguido muito de perto por Carlos Gaguim (União Brasil), com 13%. Paulo Mourão (PT) marcou 9%, Alexandre Guimarães (MDB) 8%, Ronaldo Dimas (Podemos) 6%, Vanderlei Luxemburgo (Podemos) 5% e Eli Borges (Republicanos) 4%.
A margem de erro da Quaest é de três pontos percentuais, o que coloca Eduardo Gomes, Gaguim e Paulo Mourão tecnicamente dentro de uma faixa competitiva. Outro número chama ainda mais atenção: 24% dos entrevistados ainda não sabiam em quem votar no cenário estimulado para senador.
Na espontânea, a indefinição é ainda maior. Alexandre Guimarães e Eduardo Gomes receberam 4% cada, Gaguim apareceu com 2%, enquanto 86% do conjunto analisado não indicou um nome válido dentro da metodologia utilizada pela pesquisa.
O Paraná Pesquisas, divulgado três dias depois, apresentou um cenário diferente porque consolidou os dois votos para o Senado sem reduzi-los para uma base simples de 100%. Nesse levantamento, Eduardo Gomes aparece mais destacado, com 35,1%.
Alexandre Guimarães tem 21,6%, Gaguim 20,8%, Ronaldo Dimas 16%, Vanderlei Luxemburgo 15%, Eli Borges 14,2% e Paulo Mourão 14%. Hélio Rodrigues Bolsonaro e Nilton Santos aparecem com 3,3% cada, Fábio Ribeiro tem 2,8%, Professor Osvaldo 2%, Apóstolo Flávio Braga 1,3% e Osvany Luz 0,4%.
Na espontânea do Paraná, Eduardo Gomes também aparece na frente, com 9,8%. Alexandre Guimarães registra 6,9%, Gaguim 5,1%, Eli Borges 2,9%, Vanderlei Luxemburgo 2,3%, Ronaldo Dimas 2,2% e Paulo Mourão 1,7%. Ainda assim, 69% não souberam indicar espontaneamente os candidatos ao Senado.
A comparação entre Quaest e Paraná exige cuidado especial porque pesquisas para senador podem apresentar resultados de formas diferentes devido aos dois votos disponíveis ao eleitor. Por isso, não é correto comparar diretamente 14% de Eduardo Gomes na Quaest com 35,1% no Paraná como se houvesse ocorrido uma explosão de 21 pontos em três dias. A metodologia de apresentação é diferente.
O que os dois levantamentos permitem concluir é que Eduardo Gomes está atualmente no primeiro bloco da disputa e que Gaguim, Alexandre Guimarães, Paulo Mourão, Ronaldo Dimas, Vanderlei Luxemburgo e Eli Borges ainda disputam um eleitorado muito pouco definido.
E justamente por serem duas vagas, alianças cruzadas assumem importância ainda maior.
O eleitor pode escolher dois candidatos de grupos políticos diferentes. Pode votar em Eduardo Gomes e Gaguim, Eduardo e Alexandre, Gaguim e Paulo Mourão ou qualquer outra combinação possível.
É por isso que o chamado “segundo voto” ao Senado tende a se transformar em uma das maiores batalhas da reta final.
O fenômeno Augusto Cury também poderá interferir nessa dinâmica, ainda que indiretamente.
Se Cury conseguir repetir no Tocantins parte do crescimento que apresentou nacionalmente, ele poderá atrair eleitores que hoje não se identificam completamente nem com Lula nem com Flávio Bolsonaro. Isso não significa automaticamente que esses votos migrarão para determinado candidato ao Governo ou ao Senado. Pelo contrário.
O surgimento de uma terceira candidatura presidencial competitiva pode aumentar a independência do voto estadual. Um eleitor de Cury poderá votar em Dorinha, Vicentinho ou Laurez para governador e formar qualquer combinação para o Senado.
É justamente por isso que a próxima pesquisa realizada no Tocantins depois da explosão de Augusto Cury ganha importância especial.
Na última Quaest estadual, Cury tinha apenas 2%. Nacionalmente, agora aparece com 11% no BTG/Nexus.
A diferença é grande demais para ser ignorada, mas ainda não pode ser automaticamente transportada para o Tocantins.
Será preciso medir. Enquanto isso, a fotografia disponível mostra três disputas acontecendo simultaneamente no Estado.
Na Presidência, Lula e Flávio Bolsonaro permanecem como os dois principais polos e Augusto Cury surge como a grande novidade nacional. No Governo do Tocantins, Dorinha e Vicentinho concentram a maior parte das intenções de voto, enquanto Laurez tenta romper a polarização.
No Senado, Eduardo Gomes aparece bem posicionado, mas a segunda vaga continua muito aberta, com Gaguim, Alexandre Guimarães, Paulo Mourão, Ronaldo Dimas, Vanderlei Luxemburgo e Eli Borges disputando espaço em um eleitorado que ainda demonstra enorme indefinição.
Faltando pouco mais de um mês para o primeiro turno de 4 de outubro, esse talvez seja o principal recado das pesquisas: a eleição possui favoritos e blocos mais consolidados, mas ainda existem milhões de decisões individuais a serem tomadas.
No Brasil, Cury mostrou que um candidato pode mudar de patamar em poucos dias. No Tocantins, a pergunta agora é saber quem conseguirá produzir o próximo movimento capaz de alterar a fotografia para presidente, governador e as duas vagas do Senado.