Quem recebeu mais dinheiro dos partidos? Laurez, Vicentinho e Dorinha somam R$ 6,62 milhões na campanha

Quem recebeu mais dinheiro dos partidos? Laurez, Vicentinho e Dorinha somam R$ 6,62 milhões na campanha
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 31 de agosto de 2026 17

O dinheiro começou a ganhar peso na corrida pelo Palácio Araguaia. Dados declarados à Justiça Eleitoral mostram que Laurez Moreira (PSD), Vicentinho Júnior (PSDB) e Professora Dorinha (União Brasil) já concentram R$ 6,62 milhões somente em recursos repassados por partidos para financiar as campanhas ao Governo do Tocantins em 2026.

O levantamento dos dados disponibilizados a partir do sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela, porém, duas lideranças diferentes quando o caixa é analisado mais de perto: Laurez recebeu o maior valor diretamente de partido, enquanto Vicentinho possui a maior arrecadação total entre os três, ao somar recursos partidários, recursos próprios e doações.

Somadas todas as receitas financeiras declaradas pelos três candidatos no recorte disponível, o volume chega a aproximadamente R$ 7,4 milhões. Desse montante, cerca de 89,4% têm origem partidária.

Os valores ainda não representam a prestação de contas definitiva das eleições. O próprio TSE determina que recursos financeiros recebidos durante a campanha sejam informados à Justiça Eleitoral em até 72 horas. Assim, novas entradas, gastos ou retificações podem alterar a fotografia apresentada ao longo dos próximos dias.

Laurez lidera dinheiro recebido de partido

Quando o critério é exclusivamente o valor transferido por legenda partidária, Laurez Moreira aparece em primeiro lugar.

A candidatura do PSD declarou R$ 2,548 milhões em recursos recebidos. Desse total, R$ 2,5 milhões foram transferidos pela Direção Nacional do PSD, por meio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

O repasse partidário ocorreu no dia 26 de agosto e representa aproximadamente 98% de toda a arrecadação declarada por Laurez no período consultado.

Além dos R$ 2,5 milhões do PSD, aparecem outros dois repasses: R$ 30 mil de Juarez Salim Moreira e R$ 18 mil do próprio Laurez da Rocha Moreira.

Dessa forma, o caixa declarado chega a R$ 2,548 milhões.

No campo das despesas, a base consultada ainda apresentava R$ 0 em despesas contratadas e R$ 0 em despesas pagas para a candidatura de Laurez. Isso não significa necessariamente que a campanha não tenha realizado atividades ou assumido custos, mas somente que, naquele recorte da prestação disponibilizada, essas despesas ainda não apareciam contabilizadas no campo correspondente.

Vicentinho recebeu menos do partido, mas tem o maior caixa total

Vicentinho Júnior aparece em segundo lugar quando considerada apenas a transferência partidária.

A Direção Nacional do PSDB repassou R$ 2,095 milhões à candidatura. Entretanto, a composição financeira da campanha de Vicentinho é diferente da registrada por Laurez e Dorinha.

Além do dinheiro partidário, a candidatura declarou R$ 642.608 em recursos próprios e outros R$ 80 mil provenientes de pessoas físicas.

O detalhamento mostra Vicentinho Júnior com R$ 420 mil em recursos destinados à própria campanha e Amélio Cayres, candidato a vice-governador da chapa, com R$ 222.608.

Entre os demais doadores aparecem contribuições menores, incluindo R$ 25 mil de Marcones Ribeiro de Castro e R$ 15 mil de Marlen Ribeiro Rodrigues.

Com todas as fontes financeiras somadas, Vicentinho chega a R$ 2.817.608 arrecadados, tornando-se, entre os três principais candidatos analisados, aquele com o maior volume total de recursos declarados no caixa.

A diferença é importante: Laurez lidera o ranking de dinheiro recebido diretamente de partido; Vicentinho lidera a arrecadação total.

Vicentinho já declarou quase R$ 480 mil em gastos

Também é a campanha de Vicentinho que apresenta, no recorte consultado, a maior movimentação de saída entre os três.

A candidatura declarou R$ 479.946 em despesas, equivalentes a aproximadamente 7,7% do teto de gastos permitido para um candidato ao Governo do Tocantins no primeiro turno.

A maior parcela, R$ 300 mil, foi destinada a impulsionamento de conteúdos na internet. O valor representa cerca de 63% das despesas declaradas.

Outros R$ 177.556 foram destinados à publicidade por adesivos, enquanto R$ 2.390 aparecem classificados como publicidade por materiais impressos.

Entre os fornecedores registrados estão DLocal Brasil Instituição de Pagamento S.A., com R$ 300 mil; AFA Indústria Comércio e Serviços Ltda., com R$ 166.596; Vera e Borges Ltda., com R$ 10.960; e Natalya Brindes Ltda., com R$ 2.390.

Depois de descontados os R$ 479.946 já declarados como gastos dos R$ 2.817.608 arrecadados, a diferença matemática é de aproximadamente R$ 2,337 milhões.

Os dados ajudam a atualizar um cenário que o Diário Tocantinense já havia mostrado no início da campanha, quando as prestações ainda apareciam praticamente sem despesas informadas.

Dorinha recebeu R$ 2,025 milhões dos partidos

Professora Dorinha aparece na terceira posição no ranking de repasses partidários entre os três principais nomes analisados.

A candidatura declarou R$ 2,040 milhões em receitas.

Desse total, R$ 2 milhões vieram da Direção Nacional do União Brasil, por meio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, e outros R$ 25 mil foram repassados pela direção estadual do União Brasil no Tocantins.

Assim, os recursos provenientes do partido chegam a R$ 2,025 milhões.

A campanha também declarou uma contribuição de R$ 15 mil de Melina da Silva Abreu, elevando o total arrecadado para R$ 2,040 milhões.

No recorte disponível da prestação analisada, Dorinha ainda aparecia com R$ 0 em despesas declaradas, o que mantinha contabilmente os R$ 2,040 milhões arrecadados sem saída registrada naquela atualização.

Assim como ocorre nos demais casos, o número não deve ser interpretado como prestação final. As campanhas continuam em andamento e as informações são atualizadas à medida que novos relatórios financeiros e despesas são enviados à Justiça Eleitoral.

Os três receberam R$ 6,62 milhões dos partidos

Considerando exclusivamente os recursos provenientes das legendas, o ranking até o recorte analisado fica assim: Laurez Moreira, R$ 2,5 milhões; Vicentinho Júnior, R$ 2,095 milhões; e Professora Dorinha, R$ 2,025 milhões.

Somados, são exatamente R$ 6,62 milhões em recursos partidários destinados às três campanhas.

Quando entram na conta também recursos próprios e doações de pessoas físicas já declaradas, o total financeiro das três candidaturas sobe para R$ 7.405.608.

Laurez soma R$ 2.548.000; Vicentinho, R$ 2.817.608; e Dorinha, R$ 2.040.000.

Do lado das saídas, considerando os dados disponíveis utilizados neste levantamento, Vicentinho registra R$ 479.946 em despesas, enquanto os recortes disponíveis de Laurez e Dorinha ainda mostravam despesas declaradas em zero.

Com isso, a diferença entre receitas e despesas informadas pelos três fica, matematicamente, em aproximadamente R$ 6.925.662. O valor não deve ser tratado como saldo bancário auditado das campanhas, mas como diferença entre receitas e despesas que aparecem nos recortes das bases consultadas.

Teto para governador passa de R$ 6,2 milhões

O TSE estabeleceu em R$ 6.226.082,16 o limite de gastos de cada candidatura ao Governo do Tocantins no primeiro turno de 2026.

Caso haja segundo turno, o limite adicional é de R$ 3.113.041,08.

O teto diz respeito ao que cada campanha pode gastar e não significa que o partido obrigatoriamente repassará esse montante ao candidato.

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha é distribuído inicialmente aos partidos, que posteriormente definem a divisão dos recursos entre suas candidaturas, observando regras eleitorais, critérios internos e normas relacionadas à destinação dos recursos públicos. O TSE mantém sistemas específicos para acompanhamento da arrecadação, despesas contratadas e prestação de contas durante as Eleições 2026.

Dinheiro e patrimônio são informações diferentes

Os valores recebidos para financiar uma campanha também não devem ser confundidos com o patrimônio pessoal dos candidatos.

Em outro levantamento, o Diário Tocantinense mostrou o patrimônio declarado pelos candidatos ao Governo do Tocantins em 2026. Naquele levantamento, Laurez declarou aproximadamente R$ 9,6 milhões em bens, Vicentinho R$ 3,98 milhões e Dorinha R$ 2,35 milhões.

Patrimônio pertence à declaração pessoal apresentada pelo candidato à Justiça Eleitoral. Recursos de campanha, por outro lado, são valores vinculados à conta eleitoral e submetidos às regras específicas de arrecadação e gastos eleitorais.

O DT também já detalhou a composição das chapas, partidos e candidaturas que disputam o Governo do Tocantins em 2026, permitindo acompanhar como força partidária, patrimônio, alianças e agora financiamento começam a desenhar diferentes estruturas na disputa pelo Palácio Araguaia.

A fotografia financeira mostra, por enquanto, três estratégias distintas. Laurez concentra praticamente todo o caixa no grande repasse nacional do PSD; Dorinha também tem forte predominância de dinheiro partidário; e Vicentinho combina o repasse do PSDB com recursos próprios e doações, além de já registrar quase meio milhão de reais em despesas.

O Diário Tocantinense continuará acompanhando as atualizações do DivulgaCandContas. Como a campanha ainda está em andamento, os valores podem mudar com novos repasses, despesas, doações, retificações e a apresentação das prestações de contas parciais e finais.

O espaço permanece aberto para que as campanhas e os partidos citados apresentem esclarecimentos ou atualizações sobre os dados declarados à Justiça Eleitoral.

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