Exclusivo: Tocantins acende alerta na saúde mental; 164 pessoas morreram por suicídio em 2025

Exclusivo: Tocantins acende alerta na saúde mental; 164 pessoas morreram por suicídio em 2025
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 2 de setembro de 2026 7

O Tocantins acende um novo alerta na saúde mental após registrar 164 mortes por suicídio em 2025, segundo dados do Mapa da Segurança Pública 2026, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O levantamento mostra que o número de registros cresceu 5,81% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 155 mortes no Estado, e reforça uma preocupação que o Diário Tocantinense acompanha há anos: a necessidade de ampliar a prevenção ao suicídio no Tocantins, o acesso aos serviços de saúde mental e a rede de acolhimento em municípios como Palmas, Araguaína, Gurupi, Colinas do Tocantins e demais regiões.

A taxa tocantinense também avançou. O indicador passou de 9,83 para 10,33 mortes por 100 mil habitantes, ficando aproximadamente 33% acima da média nacional, de 7,75 por 100 mil habitantes. No Brasil, foram contabilizadas 16.533 mortes por suicídio em 2025, o equivalente a cerca de 45 registros por dia. Enquanto o total brasileiro cresceu 0,74% em relação ao ano anterior, o avanço observado no Tocantins foi proporcionalmente muito maior, colocando novamente a saúde mental no Tocantins entre os temas que exigem atenção das famílias, dos profissionais de saúde e do poder público.

O cenário não surge de forma isolada. Em 2024, o Diário Tocantinense já havia mostrado que os registros de suicídio preocupavam no Estado, com Palmas e Araguaína entre os municípios que concentravam ocorrências. No mesmo período, o DT também acompanhou as ações do Setembro Amarelo e a estrutura de prevenção ao suicídio disponível no Tocantins, ampliando o debate sobre acolhimento, diagnóstico, atendimento psicológico, assistência psiquiátrica e fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial.

Em entrevista repercutida pelo Diário Tocantinense, o docente de Enfermagem da Unopar Palmas, Marco Aurélio de Oliveira Martins, explica que os dados não devem ser analisados apenas como números e reforça que o suicídio é um fenômeno complexo, associado a diferentes fatores e que não pode ser explicado por uma única causa.

“O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, que não pode ser atribuído a uma única causa. A prevenção envolve ampliar o acesso aos serviços de saúde, fortalecer as redes de apoio e criar condições para que as pessoas consigam falar sobre o sofrimento e buscar ajuda”, explica Marco Aurélio.

O alerta ganha ainda mais relevância em setembro, mês marcado pela campanha Setembro Amarelo, dedicada à conscientização sobre saúde mental, valorização da vida e prevenção ao suicídio. No entanto, especialistas reforçam que o cuidado não pode acontecer apenas durante a campanha. A identificação do sofrimento emocional, o acolhimento e o acesso a profissionais qualificados precisam ocorrer durante todo o ano.

O próprio Diário Tocantinense acompanha essa discussão há diferentes períodos. Em reportagem sobre prevenção ao suicídio e Setembro Amarelo no Tocantins, o jornal já havia destacado a importância dos Centros de Atenção Psicossocial, do acompanhamento psicológico e das ações de conscientização. Em outra abordagem, o DT mostrou como a saúde mental e o combate ao suicídio também são desafios entre profissionais da segurança pública, demonstrando que o problema alcança diferentes grupos sociais e profissionais.

Segundo Marco Aurélio, familiares, amigos, colegas de trabalho, professores e pessoas próximas podem contribuir ao perceber mudanças persistentes de comportamento. Isolamento, desesperança, perda de interesse por atividades habituais, alterações intensas de humor e manifestações relacionadas à morte ou à falta de perspectiva são situações que merecem atenção. Nenhum desses sinais, entretanto, deve ser usado isoladamente para estabelecer diagnóstico.

“Esses sinais não devem ser utilizados isoladamente para estabelecer um diagnóstico. No entanto, quando alguém demonstra sofrimento, é importante acolher, ouvir sem julgamentos e incentivar a procura por atendimento. Frases que minimizam o que a pessoa está sentindo ou comparações com os problemas de outras pessoas podem dificultar ainda mais o pedido de ajuda”, orienta o docente.

Para o especialista, uma das principais ferramentas de prevenção ao suicídio continua sendo a construção de uma rede capaz de perceber o sofrimento e aproximar a pessoa dos serviços adequados. Isso envolve familiares e amigos, mas também escolas, universidades, empresas, comunidades, profissionais da atenção básica, psicólogos, enfermeiros, médicos, equipes de urgência e serviços especializados.

“Profissionais de saúde, familiares, amigos, escolas e comunidades podem contribuir para identificar situações de sofrimento e facilitar o acesso ao cuidado. A campanha Setembro Amarelo amplia a conscientização, mas a prevenção precisa acontecer de maneira contínua”, completa Marco Aurélio.

No Sistema Único de Saúde (SUS), pessoas que estejam enfrentando sofrimento emocional podem buscar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nas Unidades de Saúde da Família e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A rede de saúde mental é fundamental para acompanhamento de pessoas em sofrimento psíquico e para o encaminhamento de situações que necessitam de atendimento especializado.

Em situações de urgência ou quando existir risco imediato, a orientação é buscar atendimento em uma UPA 24 horas, pronto-socorro ou hospital, além de acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece atendimento emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia.

Os 164 registros de suicídio no Tocantins em 2025 evidenciam um desafio que ultrapassa o período do Setembro Amarelo. O crescimento de 5,81% em apenas um ano e uma taxa de 10,33 mortes por 100 mil habitantes reforçam a necessidade de políticas públicas permanentes, informação de qualidade, acompanhamento profissional, redução do preconceito relacionado à saúde mental e fortalecimento dos serviços disponíveis nos municípios tocantinenses.

Para o Diário Tocantinense, trazer esses números ao debate público também significa ampliar a informação sobre onde procurar ajuda. Saúde mental, prevenção ao suicídio, Setembro Amarelo, CAPS, atendimento psicológico, acolhimento familiar e valorização da vida não devem ser assuntos restritos a momentos de crise. Quanto mais cedo o sofrimento for percebido e a pessoa conseguir chegar à rede de cuidado, maiores são as possibilidades de proteção e acompanhamento adequado.

Com mais de 53 anos de atuação, a Unopar oferece cursos de graduação presenciais, semipresenciais e a distância, além de cursos técnicos, profissionalizantes e programas de pós-graduação. A instituição integra a Cogna Educação e mantém atuação em mais de 20 estados brasileiros, incluindo presença no Tocantins por meio da Unopar Palmas.

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