STJ manda soltar ex-secretária de Saúde de Palmas presa no caso das UPAs; defesa fala em “grave ilegalidade”

STJ manda soltar ex-secretária de Saúde de Palmas presa no caso das UPAs; defesa fala em “grave ilegalidade”
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 3 de setembro de 2026 2

A decisão do Superior Tribunal de Justiça que determinou a soltura de Dhieine Caminski muda novamente o cenário jurídico do caso envolvendo as UPAs Norte e Sul de Palmas. Ex-secretária municipal de Saúde, Dhieine estava presa no âmbito da Operação Falsa Emergência e agora aguarda os procedimentos necessários para efetivar a saída da prisão.

O habeas corpus foi analisado pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca. O pedido apresentado pela defesa não foi conhecido na forma processual requerida, mas o ministro decidiu conceder a ordem de ofício, mecanismo utilizado quando o julgador identifica situação que justifique intervenção mesmo sem acolher formalmente o pedido apresentado.

A defesa classificou a decisão como correção de uma “grave ilegalidade” e passou a acompanhar a publicação e o cumprimento da determinação.

A prisão de Dhieine ocorreu dentro da investigação sobre suspeitas relacionadas à contratação para gestão das Unidades de Pronto Atendimento da Capital. O caso passou a ter forte repercussão política, policial e jurídica por envolver a saúde pública de Palmas e contratos relacionados a dois dos principais equipamentos de urgência e emergência do município.

É importante separar a análise da prisão do julgamento definitivo das suspeitas.

A decisão do STJ trata da manutenção da medida cautelar e não representa, por si só, absolvição ou encerramento da investigação. Os fatos apurados continuarão seguindo os procedimentos judiciais, e as responsabilidades individuais deverão ser analisadas com contraditório e ampla defesa.

O mesmo princípio vale para todos os investigados. A existência de investigação ou prisão cautelar não equivale a condenação definitiva.

A decisão do STJ ganha importância também porque demonstra que medidas de privação de liberdade tomadas durante investigações podem ser revistas pelas instâncias superiores quando seus fundamentos são questionados.

Para Palmas, o episódio mantém no centro do debate temas como gestão da saúde, UPAs, contratos públicos, fiscalização, investigação policial e responsabilidade dos agentes envolvidos.

Dhieine comandou a Secretaria Municipal de Saúde em período de forte debate sobre o funcionamento da rede municipal, o que fez com que sua prisão e, agora, a determinação de soltura tivessem grande repercussão.

Com a ordem concedida, a defesa aguarda a conclusão dos trâmites para que a ex-secretária deixe a prisão.

A investigação, contudo, não termina com a liberdade. O próximo capítulo será justamente acompanhar como o processo seguirá após a decisão do Superior Tribunal de Justiça e quais conclusões serão apresentadas sobre as suspeitas que deram origem à Operação Falsa Emergência.

Notícias relacionadas