R$ 33 milhões do Banco Master: advogada com vínculos no Tocantins aparece em auditoria do BRB e nega atuação no STF

R$ 33 milhões do Banco Master: advogada com vínculos no Tocantins aparece em auditoria do BRB e nega atuação no STF
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 17 de setembro de 2026 36

Documentos citados em investigação apontam pagamento milionário ao escritório de Dalide Corrêa; PF ainda não concluiu se houve irregularidade no contrato. Um pagamento de R$ 33 milhões relacionado ao Banco Master colocou no centro das atenções o nome de uma advogada que mantém negócios e relações políticas no Tocantins.

Dalide Corrêa, sócia de empreendimento empresarial no Estado e com domicílio eleitoral em Porto Nacional, aparece ligada a um escritório que teria recebido R$ 33 milhões do Banco Master em 2024, segundo informações de auditoria interna do Banco de Brasília, o BRB, citadas em reportagem publicada nesta quinta-feira, 17.

Os documentos teriam sido encontrados no contexto das investigações da Polícia Federal envolvendo operações relacionadas à instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro.

Segundo a reportagens, que atribui parte das informações a uma apuração do Estadão, a auditoria identificou R$ 215 milhões em despesas do Master com escritórios de advocacia em 2024. Entre os valores destacados estaria o pagamento de R$ 33 milhões ao escritório Alves Corrêa, ligado a Dalide.

Outro ponto que chamou atenção aparece em diálogos obtidos pelos investigadores. De acordo com a publicação, em uma conversa relacionada ao pagamento ao escritório, um então diretor financeiro teria utilizado a expressão “canal direto com o STF” para justificar a transferência. O diálogo, porém, não explica o significado exato da frase nem demonstra, isoladamente, a existência de atuação irregular junto ao Supremo Tribunal Federal.

A própria reportagem ressalta que, até o momento, a Polícia Federal não apresentou conclusão afirmando que o contrato ou os serviços prestados pela advogada tenham sido ilegais. Também não foram identificadas na conversa citada menções a ministros do Supremo diretamente relacionadas ao pagamento.

Dalide Corrêa negou ter atuado para o Banco Master no STF. Em posicionamento divulgado por sua assessoria e reproduzido pela publicação, a advogada afirmou que não procurou ministros da Corte para tratar de assuntos do banco. A versão apresentada sustenta que sua atuação teria ocorrido em processos relacionados originalmente a empresas que venderam créditos ao Master, com trabalho realizado em primeira e segunda instâncias.

A ligação do caso com o Tocantins está na presença empresarial e política construída por Dalide no Estado nos últimos anos. A advogada é apontada como sócia da Agropecuária Monte Sião, com atuação em Porto Nacional, e possui domicílio eleitoral no município. Em 2026, seu nome chegou a circular nas articulações para uma possível suplência ao Senado, mas ela não integrou a composição final.

A reportagem também aponta uma proximidade política com o grupo ligado ao pastor Amarildo Martins, liderança religiosa no Tocantins e pai do deputado federal Filipe Martins. Esse relacionamento chegou a colocar o nome da advogada nas conversas eleitorais envolvendo uma suplência na candidatura de Carlos Gaguim ao Senado.

Gaguim acabou escolhendo outro nome para a primeira suplência. O caso ganha repercussão justamente porque mistura uma cifra milionária, documentos de auditoria, investigação federal e relações empresariais e políticas no Tocantins.

É necessário, porém, separar os fatos documentados das suspeitas ainda em investigação: existe referência ao pagamento de R$ 33 milhões nos documentos citados; existe a expressão atribuída a um dirigente do banco; e existe a relação empresarial e política da advogada com o Tocantins. Por outro lado, a PF ainda não concluiu que o contrato foi ilegal, e Dalide nega ter atuado no STF em favor do Banco Master.

O Diário Tocantinense deixa espaço aberto para manifestação da advogada, do Banco Master, do BRB e das demais pessoas ou grupos mencionados no caso.

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