Eleições 2026: 98 candidatos disputam oito vagas de federal e 206 brigam por 24 cadeiras na Assembleia; veja nomes, receitas e gastos
A corrida pelas vagas proporcionais do Tocantins nas Eleições 2026 reúne 98 registros de candidaturas a deputado federal para apenas oito cadeiras na Câmara dos Deputados e 206 registros para as 24 vagas da Assembleia Legislativa. Na prática, são aproximadamente 12,25 candidatos por vaga de federal e 8,6 concorrentes para cada cadeira de deputado estadual, em uma das disputas mais pulverizadas do calendário eleitoral tocantinense. Os números constam dos registros da Justiça Eleitoral divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins.
Somadas, as duas eleições proporcionais concentram 304 candidaturas, o equivalente a 84,92% dos 358 pedidos de registro apresentados no Estado. Além delas, o Tocantins contabiliza sete candidatos a governador, sete a vice-governador, 13 candidatos ao Senado, 13 primeiros suplentes e 14 segundos suplentes. Para o Senado, duas vagas estão em disputa.
A quantidade de registros, contudo, não significa necessariamente que todos os nomes estarão na urna em 4 de outubro. Os sistemas da Justiça Eleitoral permanecem em atualização, com pedidos aguardando julgamento, renúncias, eventuais indeferimentos e possibilidade de substituição dentro das regras eleitorais. O próprio TRE-TO informa que o DivulgaCandContas é atualizado ao longo das diferentes etapas do processo.
Entre os nomes registrados para disputar uma das oito vagas de deputado federal aparecem Professora Janad Valcari (PP), Ricardo Ayres (Republicanos), Sandoval Cardoso (Podemos), Cinthia Ribeiro (PSDB), Iratã Abreu (PSDB), Luana Nunes (União Brasil), Lucas Campelo (Republicanos), Tiago Dimas (Podemos), Filipe Martins (PL), Delegada Sarah Lilian (PSDB), Osires Damaso (PSDB), Lázaro Botelho (PP), Coronel Barbosa (União Brasil), Jair Farias (União Brasil), Ruth Almeida (União Brasil), Célio Moura (PT), Narubia Werreria (PT), Vilela do PT, Ricardo Madalena (PSDB), Adir Gentil (PL), Mauricio Buffon (PL), Professora Elizabete (PL), Sirleide Mauriz (PL), Dr. Henrique Martins (PL), Juacir da Semente (PL), João Batom (PDT), Professor Dr. Abraão Lima (PDT), Luciana Vieira (PDT), Fábio Vaz (Republicanos), Débora Ribeiro (Republicanos), Enfermeira Sol (Republicanos), Poliana Radar (Republicanos), Alfredo Júnior (Republicanos), Samira Bezerra (Podemos), Paulo Baré (Podemos), Oseias Reis (Podemos) e Tenente Célio (Podemos), entre outros. A listagem divulgada pelo UOL foi extraída do sistema oficial do TSE em 24 de agosto.
Também figuram na disputa federal nomes como Dra. Cláudia Milbratz (Rede), Márcia Bandeira (PSOL), Cleiton Vieira (PSOL), Benones dos Santos (PSOL), Adalton Pedreiro (PSOL), Luana Guida (PSB), Antonio Bezerra (PSB), Eliana Castro (PSB), Ronaldo da Saúde (PSB), Hélio Santana (PSB), Brunna Fernandes (Missão), Daniel Bastos (Missão), Evando Alves (Missão), Waldeson Venceslau (Missão), Crys Fraga (Novo), Dr. Adelson Mota (Novo), Efren Ramones (Novo), César Ryco (DC), Sandra Costa (DC), Hangretty Hanssey (DC), Elmir Alves (PRD), Charleide Matos (PRD) e Eula Angelim (Democrata).
A fotografia dos registros já sofreu mudanças. Na atualização de 24 de agosto, por exemplo, o sistema reproduzido pelo UOL apontava renúncias em candidaturas proporcionais, reforçando que os 98 e 206 são números de pedidos de registro contabilizados na etapa eleitoral, e não necessariamente o número definitivo de concorrentes que chegará ao dia da votação. Na disputa estadual, entre as renúncias já indicadas estavam José Filho Araújo, Nilma Ferreira de Sousa, Silvio de Sousa e Antonio Marcos dos Santos de Macedo.
Na corrida pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, aparecem nomes conhecidos da política estadual e candidatos que buscam espaço pela primeira vez. Entre os registrados estão Professor Júnior Geo (PSDB), Claudia Lelis (PV), Olyntho Garcia (MDB), Jorge Frederico (PSDB), Vanda Monteiro (União Brasil), Nilton Franco (União Brasil), Eduardo Fortes (Republicanos), Eduardo Mantoan (PSD), Marcus Marcelo (PL), Dulce Miranda (União Brasil), Ivanilson Marinho (União Brasil), Valdemar Júnior (MDB), Luana Ribeiro (Podemos), Carlos Amastha (Podemos), Cesar Halum (PSD), Otoniel Andrade (PRD), Edy César (PT), Ivory de Lira (PCdoB), Marcos Júnior (Podemos), Josemar Casarin (Podemos), Terciliano Gomes (Solidariedade), Professor Cleber Borges (PT), Raul Cayres (MDB), Vani de Castro (PSDB), Paulo Contador (PSDB), Eduardo Andrade (PSDB) e Elizeu Rodrigues (PSDB).
A relação inclui ainda Amastha com o número 20222, Marcos Júnior com 20456, Claudia Lelis com 43123, Júnior Geo com 45123, Olyntho com 15000, Nilton Franco com 44111, Vanda Monteiro com 44123, Jorge Frederico com 45456, Eduardo Fortes com 10111, Eduardo Mantoan com 55100 e Cesar Halum com 55555, demonstrando o tamanho da disputa envolvendo parlamentares, ex-prefeitos, ex-secretários, lideranças municipais e novos nomes.
Além da quantidade de concorrentes, o dinheiro começa a se tornar outro elemento importante da eleição. A Justiça Eleitoral disponibiliza no DivulgaCandContas informações sobre recursos recebidos, doadores, fundos públicos, despesas contratadas e prestação de contas de cada candidatura. Segundo o TRE-TO, os dados financeiros são atualizados periodicamente ao longo da campanha e podem mudar conforme novos lançamentos são enviados pelas equipes dos candidatos.
Um monitoramento baseado nos registros do TSE mostrava, na atualização consultada em 26 de agosto, que apenas nove das 98 candidaturas a deputado federal do Tocantins já apareciam com recebimentos declarados. Entre os candidatos que haviam informado recursos, a mediana dos valores recebidos era de R$ 25 mil. Isso significa que o fluxo mais pesado do financiamento eleitoral ainda não havia alcançado grande parte das campanhas proporcionais no Estado.
Entre os casos já nominalmente identificados está Luana Nunes (União Brasil). A candidata a deputada federal havia declarado R$ 14,5 mil recebidos em três repasses. Foram R$ 5 mil de Josiniane Braga Nunes, R$ 5 mil de Salustriano Lucas Marquez Lemes e R$ 4,5 mil da própria Luana Nunes Garcia. Até esse recorte, a campanha não registrava recursos oriundos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nem do Fundo Partidário entre esses R$ 14,5 mil; o valor aparecia integralmente classificado entre outros recursos.
A diferença entre o que já entrou nas contas e o que legalmente pode ser gasto é grande. Para candidato a deputado federal no Tocantins, o teto de despesas no primeiro turno é de R$ 3.176.572,53. Já uma campanha para deputado estadual pode gastar até R$ 1.270.629,01. Os limites foram estabelecidos para as Eleições 2026 e o candidato que ultrapassar o teto está sujeito às consequências previstas na legislação eleitoral.
Nas consultas às fichas extraídas do DivulgaCandContas nos primeiros dias da campanha, vários nomes conhecidos ainda apareciam sem despesas informadas naquele momento. Professora Janad Valcari, candidata a federal, tinha limite de R$ 3,176 milhões e constava com R$ 0 em despesas informadas na extração feita em 16 de agosto. O número não significa que a candidata permaneça sem gastos atualmente, mas apenas que, naquela fotografia do banco de dados, ainda não havia despesas lançadas na fonte utilizada.
O mesmo ocorria com Sandoval Cardoso, cujo arquivo reproduzido a partir dos dados do TSE foi atualizado em 18 de agosto e indicava R$ 0 em despesas informadas naquele recorte, com limite de campanha de R$ 3.176.572,53. Sandoval declarou patrimônio de R$ 15.886.622,32 à Justiça Eleitoral.
Ricardo Ayres, candidato a deputado federal pelo Republicanos, também aparecia com R$ 0 de despesas informadas na carga consultada nos primeiros dias da campanha. Seu limite eleitoral é o mesmo dos demais candidatos à Câmara, R$ 3.176.572,53, e o patrimônio declarado nesta eleição soma R$ 3.769.619,58. Novamente, trata-se de um registro inicial e não deve ser interpretado como valor atualizado de toda a campanha.
Na disputa estadual, situação semelhante era observada em diferentes candidaturas nas primeiras cargas disponíveis. Claudia Lelis (PV) aparecia, em atualização de 15 de agosto, com R$ 0 de despesas informadas, diante de um teto permitido de R$ 1.270.629,01. A candidata declarou patrimônio de R$ 183.635,73.
Professor Júnior Geo (PSDB) também constava com R$ 0 em despesas informadas na carga de 12 de agosto, com limite de R$ 1.270.629,01. O patrimônio declarado pelo candidato soma R$ 1.481.011,27.
Já Nilton Franco (União Brasil) aparecia com R$ 0 em despesas informadas na atualização de 17 de agosto, além de patrimônio declarado de R$ 3,08 milhões. Vanda Monteiro (União Brasil) tinha igualmente R$ 0 em despesas na carga de 15 de agosto e patrimônio declarado de aproximadamente R$ 1,33 milhão.
Esses valores exigem uma distinção fundamental. Patrimônio declarado não é dinheiro de campanha, assim como limite de gastos não significa que o candidato recebeu ou gastou aquele valor. Patrimônio corresponde aos bens informados pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral; receita eleitoral é o que efetivamente ingressa na campanha; e despesa é aquilo que foi contratado ou pago para a disputa. A legislação exige que os recursos utilizados nas campanhas sejam movimentados em contas específicas e tenham sua origem identificada.
Também não é correto interpretar um registro inicial de R$ 0 em despesas como uma afirmação de que determinada candidatura não esteja realizando campanha. Existe um intervalo entre contratação, registro e disponibilização pública das informações. O DivulgaCandContas recebe novos dados durante todo o período eleitoral, razão pela qual os números financeiros precisam sempre vir acompanhados da data da consulta. O TRE-TO destaca que receitas recebidas e despesas contratadas podem ser acompanhadas pela sociedade justamente porque a plataforma é atualizada no decorrer da campanha.
A legislação permite que as campanhas sejam financiadas por recursos próprios do candidato, doações de pessoas físicas, doações de outros candidatos e partidos, arrecadação por eventos e financiamento coletivo, além de recursos partidários, do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Pessoas jurídicas não podem doar diretamente para candidatos.
Os números iniciais também indicam que a maior movimentação financeira ainda está por acontecer. No panorama nacional atualizado pelo monitor de financiamento, somente 19,9% das mais de 20,7 mil candidaturas registradas no país tinham declarado recebimento de recursos. Até aquele recorte, aproximadamente R$ 281,4 milhões já haviam chegado às candidaturas, sendo R$ 129,5 milhões provenientes do Fundo Eleitoral, R$ 32,3 milhões do Fundo Partidário e R$ 119,5 milhões de outras fontes.
No Tocantins, a matemática eleitoral ajuda a dimensionar o desafio. Se todas as 98 candidaturas inicialmente registradas fossem consideradas, somente cerca de 8,16% dos concorrentes a deputado federal conseguiriam uma das oito cadeiras. Para a Assembleia, as 24 vagas representam aproximadamente 11,65% dos 206 registros apresentados. A eleição proporcional, no entanto, não é uma disputa puramente individual: a distribuição das vagas leva em consideração os votos dos partidos e federações, quocientes eleitoral e partidário e as regras previstas para a eleição proporcional.
O cenário também torna a disputa interna dentro dos próprios partidos tão importante quanto a concorrência externa. Candidatos precisam buscar votação pessoal suficiente e, ao mesmo tempo, dependem do desempenho global de sua legenda ou federação para que sejam abertas cadeiras a serem distribuídas.
Com 304 pedidos de candidatura apenas para deputado federal e estadual, o Tocantins chega à reta decisiva da campanha com centenas de nomes brigando pela atenção de um mesmo eleitorado, enquanto o dinheiro das campanhas começa gradualmente a aparecer nas prestações de contas.
A fotografia inicial é de uma eleição marcada por forte concorrência, contas ainda em formação e possibilidade de mudanças na lista oficial até a consolidação dos registros. Os 98 candidatos para oito vagas na Câmara e 206 para 24 cadeiras na Assembleia mostram o tamanho da disputa. Já as prestações de contas começam a revelar outro mapa, que deverá ganhar peso nas próximas semanas: quem recebe mais recursos, de onde vem o dinheiro e quanto cada candidato efetivamente gasta para conquistar uma vaga em Brasília ou na Assembleia Legislativa do Tocantins.