Seca e El Niño colocam SUS em alerta no Norte: Ministério da Saúde reforça preparação para enfrentar eventos extremos

Seca e El Niño colocam SUS em alerta no Norte: Ministério da Saúde reforça preparação para enfrentar eventos extremos
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 18 de setembro de 2026 8

Ministério da Saúde reforça preparação do SUS em Roraima e na Região Norte diante de seca, queimadas e outros impactos previstos do El Niño.

A intensificação do El Niño e a previsão de seca severa colocaram o Sistema Único de Saúde em alerta na Região Norte. O Ministério da Saúde ampliou a preparação para tentar reduzir os impactos da estiagem, das queimadas e do calor extremo sobre a população e o funcionamento da rede de atendimento.

Roraima está entre os estados que recebem atenção especial. Nos dias 15 e 16 de setembro, uma missão técnica do Ministério da Saúde foi enviada ao estado para avaliar a capacidade de resposta do SUS e construir, juntamente com gestores locais, um plano para enfrentar os efeitos da seca e de outros eventos climáticos extremos.

A missão reúne o Departamento de Emergências em Saúde Pública e áreas ligadas à atenção especializada, atenção primária e saúde indígena, além da Secretaria de Saúde de Roraima. O Estado decretou situação de emergência em 2 de setembro por causa da estiagem. O decreto tem validade prevista de 180 dias.

Os números ambientais reforçam a preocupação. Até 27 de agosto, Roraima havia registrado 87 focos de calor, superando o recorde anterior para o período, que era de 78 ocorrências em 2023. O problema não está restrito a Roraima. Para a Região Norte, os modelos apontam risco de seca severa, redução das chuvas, estiagem prolongada e maior possibilidade de queimadas.

Na saúde, as consequências podem ir muito além do desconforto provocado pelo calor. O Ministério cita riscos de insegurança hídrica e alimentar, desnutrição, agravamento de doenças cardiorrespiratórias pela fumaça, arboviroses e doenças transmitidas pela água.

A seca dos rios amazônicos também representa um problema logístico. Em muitas localidades, os rios funcionam como estradas e são fundamentais para transportar pacientes, medicamentos, profissionais de saúde e outros insumos. O Ministério mantém Centros de Informação em Saúde e Clima e bases regionais da Força Nacional do SUS para ampliar a capacidade de monitoramento e resposta.

O cenário foi apresentado também durante coletiva de imprensa do Ministério da Saúde com participação de técnicos e especialistas, acompanhada por veículos de diferentes regiões, incluindo representantes da imprensa tocantinense. A pasta vem divulgando análises específicas sobre os efeitos esperados do El Niño em cada região do país.

A estratégia é nacional. Gestores dos 26 estados e do Distrito Federal foram mobilizados para elaborar e atualizar planos de enfrentamento adaptados às características e vulnerabilidades de cada território. Na Região Norte, porém, o desafio ganha características particulares pela dependência dos rios, dimensão territorial, presença de comunidades isoladas e maior exposição às queimadas.

A preparação do SUS tenta antecipar o problema: organizar estoques, equipes, rotas de atendimento, monitoramento ambiental e estrutura hospitalar antes que a situação climática atinja níveis ainda mais críticos. Com o El Niño em nível forte e possibilidade de intensificação, os próximos meses deverão exigir atenção permanente das autoridades de saúde, principalmente nos estados da Amazônia.

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