Tocantinense Rick, da dupla Rick & Renner, morre aos 59 anos em queda de helicóptero; acidente deixa cinco mortos em SC

Tocantinense Rick, da dupla Rick & Renner, morre aos 59 anos em queda de helicóptero; acidente deixa cinco mortos em SC
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 22 de setembro de 2026 8

Natural de Monte do Carmo e ex-secretário de Estado no governo Siqueira Campos, artista estava em helicóptero que desapareceu após decolar de Porto Belo; destroços foram encontrados nesta terça-feira (22) e não houve sobreviventes

O cantor tocantinense Rick, da dupla Rick & Renner, morreu aos 59 anos após a queda do helicóptero em que viajava em Santa Catarina. Os destroços da aeronave foram encontrados nesta terça-feira (22), na Serra Catarinense, depois de uma grande operação de buscas iniciada na tarde de segunda-feira (21). O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina confirmou a morte das cinco pessoas que estavam a bordo.

Rick, nome artístico de Geraldo Antônio de Carvalho, nasceu em Monte do Carmo, no Tocantins, em 5 de dezembro de 1966. Além de construir uma carreira de projeção nacional na música sertaneja, o artista teve participação na administração pública tocantinense e chegou a integrar o primeiro escalão do Governo do Estado durante a gestão do então governador Siqueira Campos.

A aeronave envolvida no acidente era um helicóptero Bell 430, de matrícula PP-MGR, fabricado em 2001. O grupo havia partido de Porto Belo, no litoral catarinense, com destino à região de São Joaquim. O helicóptero, entretanto, não chegou ao destino.

Além de Rick, estavam a bordo o empresário Bruno Avelar e o videomaker Paulo Soares. O piloto e o copiloto completavam o grupo de cinco ocupantes. Até a atualização desta reportagem, os nomes dos dois tripulantes ainda não haviam sido oficialmente divulgados.

Rick e Bruno Avelar haviam feito a primeira parte do deslocamento em um jato particular, saindo de Jundiaí, em São Paulo, até Porto Belo. A partir dali, seguiram de helicóptero para o interior catarinense.

Pouco antes do desaparecimento, registros da viagem chegaram a ser publicados nas redes sociais. O próprio Rick apareceu ao lado de Bruno Avelar durante o deslocamento. Paulo Soares também publicou imagens feitas durante o voo de helicóptero.

O último contato com a aeronave ocorreu na tarde de segunda-feira. Com a perda de comunicação, uma ampla operação foi iniciada para tentar encontrar o helicóptero e seus ocupantes.

A Força Aérea Brasileira, por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, foi acionada para participar da operação. O Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba, o Salvaero Curitiba, coordenou os trabalhos aéreos.

A FAB empregou nas buscas um helicóptero H-60 Black Hawk e uma aeronave SC-105 Amazonas, equipamentos utilizados em operações de busca e salvamento.

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina também mobilizou uma grande estrutura. Ao longo da operação, cerca de 40 bombeiros participaram das buscas, que contaram ainda com aeronaves, viaturas, drones, equipamentos com câmeras térmicas e cães especializados.

As equipes trabalharam em áreas de mata e de difícil acesso na Serra Catarinense. Chuva, baixa visibilidade, relevo acidentado e vegetação dificultaram os trabalhos.

Inicialmente, as buscas foram direcionadas para pontos relacionados à última comunicação da aeronave e a informações recebidas pelas equipes de emergência. Posteriormente, a área de procura foi ampliada a partir do cruzamento de dados, inclusive sinais de telefone celular.

A região de Urubici esteve entre os principais pontos percorridos pelas equipes.

Nesta terça-feira, no segundo dia da operação, os destroços foram finalmente localizados em uma área de mata. A localização teve participação da aeronave Arcanjo 03. Quando as equipes conseguiram chegar ao ponto do acidente, foi constatado que nenhuma das cinco pessoas havia sobrevivido.

A retirada dos corpos e os procedimentos de identificação ficaram sob responsabilidade das autoridades competentes, com posterior atuação da Polícia Científica. As causas do acidente ainda não foram determinadas.

Embora as condições meteorológicas tenham dificultado as buscas e a região tenha registrado chuva e baixa visibilidade, não existe, até o momento, conclusão oficial que permita afirmar que o mau tempo tenha provocado a queda. A definição das causas dependerá da investigação técnica.

A aeronave pertencia à JTA Empreendimentos e Urbanismo. A empresa informou que o helicóptero havia sido emprestado ao empresário Bruno Avelar e a Rick, que eram amigos próximos do proprietário. Após a confirmação do acidente, a empresa lamentou as mortes e manifestou solidariedade às famílias das vítimas.

Segundo informações disponíveis nos registros da Agência Nacional de Aviação Civil, o Bell 430 estava em situação regular. A investigação deverá analisar as condições da aeronave, o planejamento e a execução do voo, as condições meteorológicas e os demais elementos relacionados ao acidente.

A tragédia teve repercussão especial no Tocantins por causa da forte ligação de Rick com o Estado.

Nascido em Monte do Carmo, Geraldo Antônio de Carvalho começou a cantar ainda criança. Aos 12 anos, já dava os primeiros passos na música ao lado da irmã, Dalva.

A parceria com Renner Reis, nome artístico de Ivair dos Reis Gonçalves, começou em 1986. Os dois passaram anos se apresentando antes de conseguirem espaço na indústria fonográfica. O primeiro álbum oficial da dupla foi lançado em 1992.

A partir da década de 1990, Rick & Renner conquistaram espaço entre os principais nomes do sertanejo brasileiro. A dupla ficou conhecida nacionalmente por músicas como “Ela é Demais”, “Nos Bares da Cidade”, “Filha” e “Nóis Tropica, Mas Não Cai”.

Além de intérprete, Rick construiu uma carreira reconhecida como compositor e produtor musical. Suas composições também foram gravadas por outros artistas do sertanejo.

Ao longo da trajetória, Rick & Renner passaram por períodos de separação profissional e projetos individuais, mas posteriormente retomaram a parceria. Segundo informações divulgadas ao longo da carreira do cantor, a dupla ultrapassou a marca de 10 milhões de discos vendidos.

Rick também construiu uma história fora dos palcos e chegou ao primeiro escalão do Governo do Tocantins.

Em 13 de janeiro de 2014, o então governador Siqueira Campos nomeou e deu posse a Geraldo Antônio de Carvalho como secretário extraordinário de Promoção Cultural do Estado do Tocantins.

A cerimônia aconteceu no Palácio Araguaia, em Palmas.

Na ocasião, Siqueira Campos destacou a projeção nacional alcançada pelo cantor tocantinense e afirmou que Rick assumia a missão de promover o Estado e fortalecer o setor cultural.

Ao assumir o cargo, Rick declarou que pretendia utilizar sua experiência e projeção para divulgar o Tocantins e seu potencial artístico e cultural, além de estabelecer diálogo com os diferentes segmentos da cultura estadual.

Logo depois da posse, o cantor chegou a visitar o Museu Histórico do Tocantins, no Palacinho, acompanhado do então secretário estadual da Educação e Cultura, Danilo de Souza Melo. A intenção era conhecer e discutir iniciativas relacionadas às manifestações culturais tocantinenses.

A passagem de Rick pelo Governo do Tocantins durou aproximadamente sete meses. Em 5 de agosto de 2014, já durante o governo Sandoval Cardoso, o artista entregou o cargo de secretário extraordinário de Promoção Cultural.

Na carta em que comunicou sua saída, Rick ressaltou sua ligação com o Estado e afirmou que havia assumido a função com a intenção de fortalecer o nome e a arte do Tocantins.

Ao deixar a secretaria, agradeceu a confiança recebida do ex-governador Siqueira Campos e do então governador Sandoval Cardoso e reafirmou que continuaria levando o nome do Tocantins por onde passasse.

Essa relação com sua terra natal acompanhou Rick mesmo depois de deixar a administração estadual. O artista continuou sendo identificado nacionalmente como um dos nomes tocantinenses de maior projeção na música sertaneja.

A morte do cantor provocou grande repercussão no meio artístico e nas redes sociais, com mensagens de fãs, amigos, artistas e pessoas que acompanharam a trajetória de Rick & Renner.

Durante o período em que o helicóptero ainda estava desaparecido, Renner pediu orações pelo parceiro de décadas. A ausência dele no voo ocorreu porque Renner não tinha compromisso profissional da dupla naquele deslocamento.

Com a localização da aeronave nesta terça-feira, a expectativa que mobilizou familiares, amigos e admiradores desde segunda-feira deu lugar à confirmação da tragédia.

No Tocantins, a morte de Rick ganha dimensão não apenas pela projeção nacional conquistada pelo cantor, mas por sua história com o Estado, desde o nascimento em Monte do Carmo até a passagem pelo Governo do Tocantins como secretário de Promoção Cultural.

Até a atualização desta reportagem, o Diário Tocantinense não havia localizado em canais oficiais uma manifestação do Governo do Tocantins ou de integrantes do primeiro escalão estadual publicada após a confirmação das mortes. A reportagem permanece acompanhando eventuais manifestações oficiais de autoridades tocantinenses para atualização do conteúdo.

A investigação sobre a queda do helicóptero deverá agora tentar reconstruir os últimos momentos do voo e esclarecer o que provocou o acidente.

A morte de Rick encerra uma trajetória de aproximadamente quatro décadas de projeção nacional. De Monte do Carmo para os grandes palcos do país, Geraldo Antônio de Carvalho construiu uma história que atravessou música, composição, produção artística e serviço público.

Ao lado de Renner, transformou músicas românticas em sucessos conhecidos por diferentes gerações e levou consigo, durante toda a carreira, a origem tocantinense. Rick tinha 59 anos.

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