Virada no Senado em Minas: Sávio assume a ponta e quatro nomes disputam apenas duas vagas
Nova pesquisa Quaest mostra candidato do PL com 22% dos votos válidos, seguido por Carlos Viana e Marília Campos, com 18%, e Aécio Neves, com 17%; diferenças entre institutos mantêm resultado em aberto
A disputa pelas duas vagas de Minas Gerais no Senado chega à véspera das Eleições 2026 com uma mudança na liderança e quatro candidaturas concentradas nas primeiras posições. A pesquisa Quaest divulgada na tarde deste sábado (3) coloca Domingos Sávio (PL) com 22% dos votos válidos estimados, seguido por Carlos Viana (PSD) e Marília Campos (PT), ambos com 18%, e Aécio Neves (PSDB), com 17%.
A diferença entre o primeiro e o quarto colocado é de cinco pontos percentuais. Considerando as duas cadeiras disponíveis, o cenário apresenta uma disputa em que nomes tradicionais da política mineira poderão terminar a eleição sem mandato no Senado, mesmo ocupando posições de destaque nas pesquisas.
O levantamento acrescenta um novo elemento à corrida. Na quinta-feira (1º), o Datafolha apresentava Marília Campos numericamente à frente, com 13%, seguida por Carlos Viana e Aécio Neves, com 11% cada. Domingos Sávio aparecia com 9%. Já a Real Time Big Data, também divulgada neste sábado, identificou empate técnico entre Sávio, Viana e Marília.
A eleição mineira tem outra particularidade: dos dois mandatos que terminam em 2027, apenas Carlos Viana disputa a reeleição. Rodrigo Pacheco (PSB) não concorre a um novo mandato, o que garante a entrada de pelo menos um novo titular na bancada estadual.
A campanha também mobilizou forças de diferentes campos políticos. Marília representa o PT, Sávio integra o projeto nacional do PL, Viana tenta preservar seu espaço pelo PSD e Aécio procura retornar ao Senado depois de disputar a Presidência da República em 2014 e exercer mandato na Câmara dos Deputados.
Com duas escolhas por eleitor e sem possibilidade de segundo turno, o resultado dependerá da soma efetiva dos votos recebidos por cada candidatura neste domingo (4).
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Quaest divulgada na véspera coloca Sávio em primeiro
O levantamento Quaest, encomendado pela TV Globo e divulgado neste sábado, entrevistou presencialmente 3.204 eleitores de Minas Gerais entre os dias 2 e 3 de outubro.
A pesquisa possui margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro MG-06889/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O resultado considera os votos válidos estimados para as duas escolhas ao Senado.
| Candidato | Votos válidos estimados |
|---|---|
| Domingos Sávio (PL) | 22% |
| Carlos Viana (PSD) | 18% |
| Marília Campos (PT) | 18% |
| Aécio Neves (PSDB) | 17% |
| Marcelo Aro (PP) | 10% |
| Marco Antônio Superman (Novo) | 9% |
| Áurea Carolina (PSOL) | 6% |
Os demais candidatos não pontuaram nos percentuais inteiros divulgados pelo levantamento.
A diferença entre Sávio e os dois candidatos imediatamente seguintes é de quatro pontos percentuais. Já entre Carlos Viana, Marília e Aécio, a distância máxima é de apenas um ponto.
Os números não permitem declarar antecipadamente os eleitos. Embora Sávio lidere numericamente, a estimativa das posições seguintes permanece sujeita à margem de erro e ao comportamento dos eleitores no momento da votação.
Confira os dados da pesquisa Quaest divulgada em 3 de outubro.
GRÁFICO — SENADO EM MINAS GERAIS
Inserir aqui o gráfico Quaest de 3 de outubro disponibilizado com esta reportagem.
Legenda: Domingos Sávio lidera a pesquisa Quaest com 22% dos votos válidos estimados; Carlos Viana e Marília Campos aparecem com 18%, seguidos por Aécio Neves, com 17% (Gráfico: Diário Tocantinense/Dados: Quaest/TV Globo).
Real Time aponta empate triplo entre Sávio, Viana e Marília
Outro levantamento divulgado neste sábado apresenta um quadro de disputa entre três candidatos.
Na Real Time Big Data, Domingos Sávio e Carlos Viana registram 20% das intenções de voto cada, enquanto Marília Campos aparece com 19%.
Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os três estão tecnicamente empatados.
Aécio Neves e Marcelo Aro aparecem com 9% cada. Marco Antônio Superman registra 8%, enquanto Áurea Carolina tem 7%.
O levantamento entrevistou 2 mil eleitores entre 28 de setembro e 2 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto.
A diferença em relação à Quaest está principalmente no desempenho de Aécio. Enquanto a pesquisa da Globo coloca o ex-governador próximo de Viana e Marília, a Real Time apresenta distância maior entre ele e os três primeiros colocados.
A divergência recomenda que os levantamentos sejam analisados individualmente, respeitando suas metodologias e períodos de coleta.
Veja os números da Real Time Big Data divulgados neste sábado.
Datafolha apresenta Marília na liderança, mas mantém empate técnico
A pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro também identificou uma eleição fragmentada.
Marília Campos registrou 13%, seguida por Carlos Viana e Aécio Neves, ambos com 11%. Domingos Sávio apareceu com 9%.
Marcelo Aro teve 6%, enquanto Áurea Carolina alcançou 5%.
O instituto entrevistou 1.204 eleitores presencialmente entre 28 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro informada foi de três pontos percentuais, com confiança de 95%.
Os indecisos representaram 20%, e outros 15% declararam intenção de votar em branco, anular ou não escolher qualquer candidato.
Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos concorrentes não são apresentados aos entrevistados, 61% não souberam indicar uma candidatura.
O dado demonstra que o reconhecimento espontâneo dos postulantes permanece inferior à preferência registrada quando os nomes são previamente apresentados.
Também explica por que as campanhas concentraram esforços de comunicação na última semana.
Consulte a última pesquisa Datafolha divulgada para o Senado em Minas.
Como Domingos Sávio passou de quarto colocado à liderança numérica
A trajetória de Domingos Sávio representa uma das principais mudanças da campanha.
Na pesquisa Quaest divulgada em 8 de setembro, o deputado federal aparecia com 6% das intenções de voto consolidadas, atrás de Marília Campos, Aécio Neves e Carlos Viana.
Em 23 de setembro, Sávio alcançou 10%, empatando numericamente com Aécio e Viana.
Na rodada de 29 de setembro, passou para 14%, assumindo a primeira colocação numérica, diante de Marília, com 13%, e Viana e Aécio, com 12% cada.
| Candidato | 8/9 | 23/9 | 29/9 |
|---|---|---|---|
| Marília Campos | 13% | 13% | 13% |
| Domingos Sávio | 6% | 10% | 14% |
| Carlos Viana | 8% | 10% | 12% |
| Aécio Neves | 10% | 10% | 12% |
Entre a primeira e a terceira rodada, Sávio apresentou crescimento numérico de oito pontos percentuais, enquanto Marília permaneceu estável.
A pesquisa deste sábado reforçou sua posição, agora com 22% dos votos válidos estimados. Esse percentual, porém, utiliza base diferente da série anterior e não deve ser interpretado como crescimento direto de 14% para 22%.
A trajetória aponta que a candidatura do PL ganhou espaço durante a campanha, mas a distância para os demais concorrentes ainda não assegura uma das cadeiras.
PL colocou Minas entre suas prioridades financeiras
A candidatura de Domingos Sávio também recebeu atenção da direção nacional do Partido Liberal.
Levantamento divulgado em 1º de outubro mostrou que o deputado mineiro esteve entre os candidatos ao Senado contemplados com os maiores repasses do fundo eleitoral da legenda.
Sávio recebeu R$ 5,4 milhões, segundo os dados apresentados na reportagem. O valor ficou atrás dos R$ 6,9 milhões destinados a André do Prado, candidato do PL em São Paulo.
O investimento faz parte da estratégia nacional do partido para ampliar sua representação no Senado, instituição que terá 54 das 81 cadeiras em disputa neste ano.
Em agosto, o próprio Diário Tocantinense já havia identificado a campanha de Sávio entre as maiores arrecadações individuais do país, com aproximadamente R$ 5,02 milhões registrados até aquela atualização.
Os dois quantitativos correspondem a levantamentos de períodos e critérios diferentes. A arrecadação total declarada não deve ser confundida com repasses específicos do fundo eleitoral.
O desempenho nas pesquisas demonstra que o candidato ampliou sua presença durante a etapa de maior exposição da campanha, embora os números não permitam atribuir seu crescimento exclusivamente aos recursos financeiros utilizados.
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Marília Campos tenta converter experiência administrativa em vaga no Senado
A ex-prefeita de Contagem Marília Campos representa o PT na disputa pelas duas cadeiras de Minas Gerais.
Sua candidatura procura associar a experiência na administração municipal à defesa de políticas sociais, investimentos públicos e fortalecimento dos serviços oferecidos à população.
Marília também integra o campo político que apoia a candidatura de Patrus Ananias ao governo estadual e a reeleição do presidente Lula.
A estratégia procura ampliar a presença do PT na bancada mineira e conquistar uma das vagas que serão renovadas em 2027.
Durante setembro, Marília apresentou estabilidade na Quaest, permanecendo com 13% nas três rodadas anteriores à pesquisa final de votos válidos.
No Datafolha, também conservou 13% entre 24 de setembro e 1º de outubro.
A candidata apresentou desempenho numericamente superior entre entrevistados que declararam voto em Patrus Ananias e Alexandre Kalil para governador, segundo o recorte divulgado pelo Datafolha.
Esse resultado demonstra que sua presença eleitoral não está restrita aos entrevistados que escolheram o candidato petista ao Executivo.
A análise também precisa considerar a existência de Áurea Carolina, candidata do PSOL, que disputa espaço em parte do eleitorado identificado com pautas progressistas. Não é possível, entretanto, presumir transferência automática dos votos de uma candidatura para outra.
Carlos Viana tenta evitar derrota na disputa pela reeleição
O senador Carlos Viana (PSD) é o único dos dois titulares das cadeiras em renovação que busca continuar no Senado por Minas Gerais.
Eleito em 2018, recebeu 3.568.658 votos, equivalentes a 20,22% dos votos válidos daquele pleito.
Durante o mandato, integrou debates nacionais e ampliou sua exposição por meio da atuação parlamentar.
Na campanha atual, Viana procura apresentar a experiência acumulada desde 2019 como argumento para permanecer no Congresso.
A candidatura também se beneficia do reconhecimento adquirido na comunicação e na política mineira.
Seus números oscilaram positivamente na Quaest de setembro, passando de 8% para 10% e, posteriormente, para 12%.
Na pesquisa final de votos válidos divulgada neste sábado, aparece com 18%, empatado numericamente com Marília Campos na segunda posição.
A Real Time Big Data apresenta um cenário mais favorável ao senador: 20%, mesmo percentual de Domingos Sávio.
No Datafolha, Viana alcança 11%, ao lado de Aécio Neves.
A manutenção de sua candidatura entre as primeiras posições, contudo, não representa segurança eleitoral. Com quatro nomes competitivos para duas vagas, até mesmo o atual ocupante do mandato poderá ficar fora da próxima legislatura.
Aécio Neves tenta retornar ao Senado e enfrenta disputa fragmentada
A candidatura de Aécio Neves representa o retorno de um dos principais nomes da história recente do PSDB à disputa pelo Senado.
Ex-governador de Minas Gerais, senador eleito em 2010 e candidato à Presidência da República em 2014, Aécio procura recuperar espaço na política nacional.
O tucano também exerceu mandatos na Câmara dos Deputados.
Sua entrada na disputa alterou as projeções iniciais, acrescentando um candidato com reconhecimento público e experiência em eleições majoritárias.
Na Quaest de 8 de setembro, Aécio registrava 10%. Em 23 de setembro, manteve o percentual. Na rodada seguinte, passou para 12%.
O último levantamento, divulgado neste sábado, apresenta o ex-governador com 17% dos votos válidos estimados, apenas um ponto percentual atrás de Marília Campos e Carlos Viana.
Entretanto, a Real Time Big Data registra Aécio com 9%, resultado que o coloca em uma posição menos favorável.
A divergência entre os institutos impede afirmar que o retorno ao Senado esteja encaminhado.
A campanha tucana também ocorre em um ambiente partidário diferente daquele registrado nas administrações estaduais de Aécio, quando o PSDB possuía maior presença institucional em Minas e no cenário nacional.
Marcelo Aro também procura espaço entre os principais candidatos
Ex-deputado federal e candidato ao Senado em 2022, Marcelo Aro (PP) disputa novamente uma das cadeiras mineiras.
Na eleição anterior, recebeu 2.025.573 votos, equivalentes a 19,7% dos votos válidos, terminando atrás de Cleitinho e Alexandre Silveira.
Em 2026, Aro chegou à reta final com percentuais inferiores aos dos quatro primeiros colocados, mas mantém presença relevante nas pesquisas.
Na Quaest deste sábado, registra 10% dos votos válidos estimados. Na Real Time Big Data, aparece com 9%.
A candidatura busca transformar a experiência parlamentar e a atuação política estadual em uma oportunidade de chegar ao Senado.
Áurea Carolina (PSOL) e Marco Antônio Superman (Novo) também aparecem nos principais levantamentos, representando projetos partidários distintos.
O quadro demonstra uma eleição com maior fragmentação do que a observada em estados onde dois candidatos concentram a maior parte das intenções de voto.
Segundo voto pode alterar composição da bancada mineira
A eleição para o Senado em 2026 possui uma característica que exige atenção dos eleitores e das equipes de campanha: cada pessoa poderá escolher dois candidatos diferentes.
As duas escolhas possuem o mesmo peso na apuração.
Na pesquisa Quaest divulgada em 23 de setembro, Marília Campos registrava 18% na primeira opção de voto, seguida por Aécio, com 13%, Carlos Viana, com 11%, e Domingos Sávio e Marcelo Aro, com 7% cada.
Na segunda escolha, a configuração era diferente. Domingos Sávio aparecia com 13%, Carlos Viana tinha 9%, Marília registrava 8% e Aécio alcançava 7%.
Os indecisos representavam 26% na primeira opção e 31% na segunda.
A diferença mostra que o eleitor que já havia definido seu principal candidato nem sempre havia consolidado o nome seguinte.
Na mesma pesquisa, 38% dos entrevistados afirmaram que ainda poderiam mudar seu voto até o dia da eleição.
Esses dados correspondem à rodada de 23 de setembro, não à pesquisa final divulgada neste sábado, mas ajudam a compreender uma variável que marcou a campanha.
Para conquistar uma das vagas, não é necessário liderar isoladamente a primeira escolha. O resultado depende da soma de todos os votos válidos recebidos por cada candidato, independentemente da ordem em que forem digitados.
Minas terá pelo menos um novo senador em 2027
As duas cadeiras atualmente em renovação foram conquistadas por Rodrigo Pacheco e Carlos Viana nas eleições de 2018.
Na ocasião, Pacheco recebeu 3.616.864 votos, correspondentes a 20,49% dos votos válidos. Viana foi eleito com 3.568.658 votos, ou 20,22%.
Pacheco não disputa um novo mandato em 2026. Assim, pelo menos uma das vagas terá obrigatoriamente um novo titular.
A terceira cadeira mineira pertence a Cleitinho Azevedo, eleito em 2022 com 4.268.193 votos, equivalentes a 41,52% dos votos válidos.
Cleitinho disputa o governo de Minas Gerais neste ano, mas seu mandato no Senado, referente ao período de 2023 a 2031, não integra as duas cadeiras submetidas à renovação de 2026.
Quem chega favorito ao Senado em Minas Gerais?
A análise das pesquisas divulgadas até este sábado aponta quatro candidaturas em melhores condições de disputar as duas cadeiras: Domingos Sávio, Carlos Viana, Marília Campos e Aécio Neves.
Sávio chega à votação com a primeira posição numérica na Quaest e divide a liderança com Viana na Real Time Big Data.
Marília apresentou maior regularidade na liderança das pesquisas Datafolha durante setembro e chega à reta final empatada numericamente com Viana na segunda posição da Quaest.
Aécio, por sua vez, aparece apenas um ponto percentual atrás dos dois no levantamento final da Quaest, embora tenha registrado resultado inferior na Real Time.
Os dados não permitem estabelecer uma dupla vencedora com segurança.
O fator decisivo poderá estar na distribuição final das duas escolhas, especialmente entre eleitores que ainda não haviam definido o segundo voto durante os levantamentos anteriores.
A disputa também terá consequências partidárias. A eleição poderá ampliar a presença do PL, assegurar uma cadeira ao PT, preservar a representação do PSD ou permitir o retorno do PSDB ao Senado.
Diferentemente da corrida pelo governo estadual, não haverá segundo turno.
Os dois candidatos mais votados neste domingo (4) serão eleitos para mandatos de oito anos, entre 2027 e 2035.
A votação em Minas Gerais ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. A definição dos vencedores dependerá da totalização oficial divulgada pela Justiça Eleitoral.
A reportagem considera pesquisas divulgadas até a tarde de 3 de outubro de 2026. Os resultados de institutos distintos foram apresentados separadamente. A série histórica da Quaest foi utilizada apenas entre rodadas com a mesma base de comparação. Os percentuais de votos válidos estimados não representam resultado oficial nem projeção própria do Diário Tocantinense.