Como está a economia do Brasil? Veja o que caiu, o que aumentou e o impacto no seu bolso
O Brasil chega ao fim de outubro com desaceleração da inflação mensal e pressão maior dos alimentos sobre o orçamento doméstico. O IPCA-15, divulgado pelo IBGE, passou de 0,70% em setembro para 0,32% em outubro. Ao mesmo tempo, o acumulado em 12 meses subiu de 4,47% para 4,62%.
O levantamento do Diário Tocantinense sobre esses indicadores mostra uma redução de 0,38 ponto percentual no resultado mensal e uma elevação de 0,15 ponto no acumulado anual. Os dois movimentos podem ocorrer juntos porque a comparação de 12 meses substitui o resultado do mesmo mês do ano anterior, que foi de 0,18%.
A desaceleração de outubro não significa queda generalizada dos preços. Alimentação e bebidas avançaram 0,88%, enquanto a alimentação consumida em casa subiu 1,01%. Energia elétrica, água e passagens aéreas estiveram entre os itens que ajudaram a conter o índice.
A experiência de cada família depende do peso dessas despesas em seu orçamento. Uma casa que destina parcela maior da renda à comida pode sentir menos alívio do que sugere a média. Mesmo quando alguns produtos ficam mais baratos, a alta de itens comprados com frequência pode manter a percepção de encarecimento do custo de vida.
Em avaliação pública do resultado, o economista Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras da Fipe, afirmou que a desaceleração mensal ainda não demonstra uma trajetória consistente de queda da inflação.
O mercado de trabalho apresenta outra dimensão do cenário. No trimestre de junho a agosto, a taxa de desemprego ficou em 5,3%, diante de 5,6% no mesmo período de 2025. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.777, com alta de 3,7% em um ano, segundo dados do IBGE organizados pelo Ministério da Fazenda.
Rendimento real já considera o efeito da inflação, mas a média nacional não significa que todos os trabalhadores receberam reajuste dessa magnitude. Tampouco permite concluir que cada família ampliou seu poder de compra na mesma proporção. A situação depende da renda individual, da composição da família e das despesas assumidas.
Os períodos das pesquisas também são diferentes: a inflação citada é de outubro, enquanto o dado de emprego se refere ao trimestre encerrado em agosto. O IPCA-15 não pesquisa preços diretamente no Tocantins. Seus resultados ajudam a entender a tendência nacional, mas não substituem uma coleta em supermercados, postos e concessionárias locais.
A leitura conjunta aponta melhora em indicadores do trabalho e persistência de pressão sobre despesas essenciais. Os dados mostram por que uma inflação mensal menor pode conviver com dificuldade para fechar as contas: os preços continuam subindo na média, ainda que em velocidade diferente.