Cem dias de Trump 2.0: América Latina entre tarifas, deportações e isolamento diplomático

Cem dias de Trump 2.0: América Latina entre tarifas, deportações e isolamento diplomático
Trump durante discurso sobre imigração: propostas de deportação em massa enfrentam resistência de especialistas e desafios legais.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 5 de maio de 2025 1

Em seus primeiros 100 dias de retorno à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump implementou uma série de medidas que têm provocado repercussões significativas na América Latina. Entre ações unilaterais, retórica agressiva e políticas protecionistas, a região enfrenta desafios em áreas como imigração, comércio e diplomacia.

Imigração: deportações em massa e acordos controversos

A administração Trump intensificou as deportações de migrantes, incluindo asiáticos, africanos e russos, enviando-os para países latino-americanos como Costa Rica, Panamá, México e El Salvador. Essas ações, realizadas sem acordos claros ou garantias legais, suscitaram críticas de organizações humanitárias devido à falta de acesso a processos de asilo e condições inadequadas de detenção. Em El Salvador, por exemplo, cerca de 250 venezuelanos permanecem detidos, enquanto o México recebeu mais de 5.000 estrangeiros deportados.

Comércio: tarifas e instabilidade econômica

No âmbito comercial, Trump impôs tarifas de 25% sobre produtos mexicanos e canadenses, além de uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações, afetando diretamente as economias latino-americanas. Essas medidas resultaram em depreciação das moedas locais, queda nas remessas e aumento da inflação na região.

Diplomacia: alianças seletivas e isolamento

A política externa de Trump tem se caracterizado por um isolamento crescente dos Estados Unidos. O presidente retirou o país de acordos internacionais e priorizou relações com líderes autoritários, diminuindo a confiança global na liderança americana. Na América Latina, Trump consolidou alianças com líderes como Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador) e Daniel Noboa (Equador), que compartilham de sua visão ideológica.

Impactos ambientais: retrocessos e preocupações globais

As políticas ambientais também sofreram retrocessos significativos. Trump declarou “emergência nacional energética”, revertendo iniciativas ambientais anteriores e priorizando a exploração de combustíveis fósseis, gás natural e minerais críticos, especialmente no Alasca, além de liberar atividades madeireiras.

Perspectivas para a América Latina

Especialistas apontam que as ações de Trump nos primeiros 100 dias de seu segundo mandato têm potencial para redefinir as relações entre os Estados Unidos e a América Latina. A combinação de políticas migratórias rígidas, medidas protecionistas e isolamento diplomático pode levar os países latino-americanos a buscar novas alianças e estratégias para mitigar os impactos dessas mudanças.

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