Lula veta aumento no número de deputados e provoca reação de Motta e Alcolumbre
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto que elevava de 513 para 531 o número de deputados federais. O veto foi publicado no Diário Oficial nesta quinta-feira (17) e teve como justificativa o impacto fiscal e a ausência de previsão orçamentária adequada e fontes compensatórias
Motivos do veto
O governo, respaldado pela AGU e pelos ministérios da Justiça, Fazenda e Planejamento, considerou o projeto inconstitucional e incompatível com o atual cenário fiscal. A mensagem presidencial destacou que o aumento geraria despesa obrigatória sem fonte clara de custeio, oneração a União e aos estados, violando a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Reação de Motta e Alcolumbre
Imediatamente, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos–PB), foi ao Senado para se reunir com Davi Alcolumbre (União–AP). A cena, captada por repórteres, foi interpretada como o início de uma articulação para reverter o veto ou buscar a promulgação no Congresso .
Alcolumbre havia anunciado que, se Lula não sancionasse até o prazo final (16 de julho), o Senado iria promulgar o texto. “Se chegar às 10h, será promulgado às 10h01”, garantiu o presidente do Senado.
Impactos políticos e institucionais
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Pressão sobre o governo: a ação conjunta fortalece a pressão do Congresso sobre o Executivo, marcando um episódio de tensão institucional.
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Custo fiscal: o aumento implicaria despesa anual estimada entre R$ 64 e R$ 140 milhões
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Reação popular: pesquisa Quaest/Genial e Datafolha apontam que cerca de 76% a 85% dos brasileiros são contrários ao aumento no número de deputados
O que vem a seguir
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Prazo decisório: Lula já vetou; o Congresso precisa decidir se derruba o veto por maioria absoluta (257 deputados e 41 senadores).
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Promulgação possível: se o veto não for derrubado, Alcolumbre prometeu promulgar a medida, validando as 18 novas cadeiras.
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Consequência no curto prazo: o episódio elevou o clima de confronto, depois do embate pelo decreto do IOF, aprofundando a disputa de poderes