Fake News ainda influenciam eleições no Brasil, aponta FGV; Governo estuda nova legislação para plataformas digitais

Fake News ainda influenciam eleições no Brasil, aponta FGV; Governo estuda nova legislação para plataformas digitais
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 8 de agosto de 2025 2

Um estudo recente da Fundação Getulio Vargas (FGV) confirma que as fake news continuam a influenciar significativamente as decisões eleitorais no Brasil. A pesquisa destaca que, apesar dos esforços para combater a desinformação, as notícias falsas permanecem como uma ferramenta eficaz de manipulação política. O relatório aponta que conteúdos falsos são compartilhados com maior frequência do que informações verificadas, devido ao apelo emocional e à polarização que geram. Além disso, a rapidez com que essas informações se espalham nas redes sociais dificulta a desinformação antes que ela influencie as decisões dos eleitores.

Durante as eleições de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou um aumento significativo no número de conteúdos falsos relacionados ao processo eleitoral. Entre as notícias falsas mais notórias estavam alegações infundadas sobre fraudes nas urnas eletrônicas e ataques a candidatos, que foram amplamente divulgadas por meio de aplicativos de mensagens e redes sociais.

 Governo Federal Considera Nova Legislação para Combater Fake News

Diante desse cenário, o governo federal está considerando a implementação de uma nova legislação para responsabilizar as plataformas digitais pela disseminação de conteúdos falsos. A proposta em análise busca estabelecer regras mais rígidas para a moderação de conteúdo, impondo responsabilidades às empresas de tecnologia, como a remoção de notícias falsas em tempo hábil e a identificação de contas automatizadas (bots) que promovem desinformação.

O Projeto de Lei 2630/2020, conhecido como “Lei das Fake News”, é uma das iniciativas que está sendo discutida no Congresso Nacional. O projeto visa estabelecer a responsabilidade civil das plataformas digitais pela disseminação de conteúdos falsos e prejudiciais, além de exigir maior transparência nos algoritmos utilizados para promover conteúdos. Apesar de ter sido aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto ainda precisa passar por votação no Senado e pode sofrer alterações antes de sua possível implementação.

Desafios e Críticas à Nova Legislação

Especialistas apontam que, embora a legislação seja um passo importante para combater a desinformação, sua eficácia dependerá da implementação prática e da cooperação das plataformas digitais. Há preocupações sobre a viabilidade de monitorar e moderar o vasto volume de conteúdo gerado diariamente nas redes sociais e sobre os possíveis impactos na liberdade de expressão.

Além disso, a resistência de algumas empresas de tecnologia à regulação proposta tem sido um obstáculo significativo. Gigantes como Google, Meta e Telegram já manifestaram oposição ao Projeto de Lei 2630/2020, argumentando que as medidas podem afetar a liberdade de expressão e a inovação tecnológica. Essas empresas têm utilizado suas plataformas para divulgar campanhas contra a legislação, o que tem gerado debates sobre o equilíbrio entre regulação e liberdade na internet.

Iniciativas da Sociedade Civil no Combate às Fake News

Além das ações governamentais, a sociedade civil tem desempenhado um papel crucial no combate às fake news. O Projeto Comprova, por exemplo, é uma iniciativa colaborativa entre diversos veículos de comunicação, coordenada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), com o objetivo de verificar a veracidade de informações divulgadas em redes sociais e na internet em geral. Durante as eleições de 2022, o projeto publicou 378 reportagens investigativas focadas nos conteúdos duvidosos que mais viralizaram nas redes sociais brasileiras.

Outra iniciativa importante é o movimento Sleeping Giants, que atua no Brasil desde 2020, com o objetivo de pressionar empresas a retirarem seus anúncios de sites que disseminam discursos de ódio e desinformação. O movimento tem ganhado apoio público de diversas personalidades e tem influenciado empresas a reconsiderarem suas estratégias de publicidade digital.

 Jurisprudência e Casos Notórios no Combate às Fake News

O combate às fake news também tem sido reforçado por decisões judiciais. O Caso Francischini, por exemplo, envolveu um político punido por disseminação de notícias fraudulentas, estabelecendo precedentes importantes na jurisprudência brasileira sobre o tema. Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem adotado medidas para coibir a propagação de fake news durante os períodos eleitorais, incluindo a alteração de resoluções para tornar mais ágil a remoção de conteúdos falsos da internet.

As fake news continuam a representar um desafio significativo para a integridade do processo eleitoral no Brasil. Embora haja esforços tanto do governo quanto da sociedade civil para combater a desinformação, a eficácia dessas iniciativas dependerá da colaboração entre diferentes setores e da implementação de políticas públicas eficazes. O debate sobre a regulamentação das plataformas digitais e a responsabilidade das empresas de tecnologia permanece central para garantir um ambiente digital mais seguro e transparente.

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