Deputado Olyntho Neto cobra solução de falhas no fornecimento de energia em Palmas

Deputado Olyntho Neto cobra solução de falhas no fornecimento de energia em Palmas
Projeto de lei do deputado Olyntho Neto visa reduzir desigualdades e ampliar o acesso de estudantes tocantinenses ao ensino superior
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 17 de outubro de 2025 7

O presidente da Comissão de Finanças, Tributação, Fiscalização e Controle da Assembleia Legislativa do Tocantins, deputado Olyntho Neto (Republicanos), cobrou nesta terça-feira (14) explicações da Energisa Tocantins sobre as constantes falhas no fornecimento de energia elétrica registradas em Palmas e em outras regiões do estado.

Segundo o parlamentar, o problema é recorrente e vem gerando uma onda de reclamações entre os moradores da capital. “Apesar de pagarmos uma das tarifas mais caras do país, o serviço vem deixando muito a desejar, com interrupções e oscilações frequentes. É difícil encontrar uma quadra em Palmas cujos moradores não tenham sido afetados”, afirmou o deputado.

A Energisa Tocantins é responsável pela distribuição de energia para mais de 600 mil unidades consumidoras no estado. De acordo com o deputado, a precariedade do serviço provoca impactos sociais e econômicos diretos, sobretudo em períodos de calor intenso. “Para o consumidor residencial, ficar sem luz significa perder alimentos e medicamentos armazenados, além de enfrentar o calor sem poder ligar ventilador ou ar-condicionado. Já para as empresas, os apagões suspendem atividades, causam prejuízos financeiros e comprometem o fornecimento de produtos e serviços”, declarou.

Requerimento na Assembleia pede explicações oficiais

Olyntho Neto protocolou requerimento solicitando que a Energisa esclareça as causas das interrupções e apresente medidas corretivas já em curso. O documento foi encaminhado ao diretor-presidente da concessionária e requer detalhes sobre investimentos na rede elétrica, procedimentos de ressarcimento e ações de melhoria da estabilidade do sistema.

O parlamentar destacou que, conforme normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as concessionárias devem manter índices de continuidade e qualidade compatíveis com padrões nacionais. “A Aneel estabelece limites máximos de tempo e frequência de interrupções no fornecimento. Quando esses limites são ultrapassados, o consumidor tem direito a descontos automáticos na fatura”, explicou o deputado, citando que muitos tocantinenses desconhecem esse direito.

Dados da Aneel apontam que, em 2024, o Tempo Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC)médio da Energisa Tocantins foi de 13,2 horas, acima da média nacional de 11,4 horas. Já o Número de Interrupções (FEC) por unidade atingiu 7,3 ocorrências, enquanto o índice nacional é de 5,9. Esses números reforçam a necessidade de investimentos para reduzir falhas e modernizar a rede.

Prejuízos e queixas de consumidores

Olyntho também chamou atenção para os casos de equipamentos queimados por variação de tensão. Segundo ele, os processos de ressarcimento são lentos e pouco transparentes. “São muitos os relatos de moradores que tiveram aparelhos danificados e enfrentam burocracia para obter indenização. O consumidor precisa provar tecnicamente a causa e esperar semanas por uma resposta”, afirmou.

O Diário Tocantinense apurou que, apenas em 2024, a Energisa recebeu mais de 4.800 solicitações de indenização por danos elétricos em Tocantins, com 60% dos casos concentrados em Palmas e Araguaína. Apesar disso, menos da metade dos pedidos resultou em ressarcimento, segundo dados da própria Aneel.

A concessionária e os investimentos previstos

A Energisa informou em nota pública anterior que prevê investimentos superiores a R$ 400 milhões entre 2024 e 2025 para modernização de redes e expansão de subestações. No entanto, técnicos do setor elétrico apontam que o aumento da demanda — impulsionado pelo crescimento urbano e pelo uso intensivo de equipamentos de refrigeração — pressiona a infraestrutura existente.

O Tocantins enfrenta uma das tarifas médias mais altas da região Norte, o que amplia o descontentamento popular. Segundo levantamento da Agência Brasil, o custo por megawatt-hora no estado está entre os dez maiores do país.

Debate público e fiscalização

A Comissão de Finanças da Assembleia planeja convocar representantes da Energisa e da Aneel para audiência pública. O objetivo é discutir planos de investimento, qualidade do fornecimento e direitos do consumidor. Olyntho Neto reforçou que “a energia é serviço essencial e deve estar à altura do que se cobra dos tocantinenses”.

A discussão deve integrar a agenda da Casa Legislativa nas próximas semanas e pode resultar em novos requerimentos de fiscalização, além de recomendações à Aneel sobre acompanhamento mais rigoroso das metas da concessionária.

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