Saúde em alerta: por que algumas pessoas passam mal ao usar medicamentos para emagrecimento como Mounjaro e Ozempic?

Saúde em alerta: por que algumas pessoas passam mal ao usar medicamentos para emagrecimento como Mounjaro e Ozempic?
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 30 de outubro de 2025 11

O uso de medicamentos como Monjauro e Ozempic, originalmente indicados para controle do diabetes tipo 2, vem crescendo rapidamente entre pessoas que buscam emagrecimento rápido.
Nas redes sociais, multiplicam-se relatos de perda de peso significativa — mas também de enjoo, tontura, fraqueza e até desmaios.

Esses sintomas têm preocupado médicos endocrinologistas, que alertam para o risco da automedicação e para o uso de substâncias potentes sem orientação profissional.
Ambos os medicamentos atuam no metabolismo da glicose e no controle do apetite, mas seu efeito sobre o sistema digestivo e hormonal pode provocar reações adversas intensas, principalmente em pessoas sem indicação clínica.


Como agem e por que causam mal-estar

Tanto Monjauro quanto Ozempic pertencem à classe dos agonistas de receptores GLP-1, substâncias que estimulam o pâncreas a liberar insulina e reduzem o esvaziamento do estômago.
Essa ação provoca sensação de saciedade prolongada, o que explica o emagrecimento rápido — mas também está por trás dos sintomas de enjoo, azia, gases e fraqueza.

Quando o esvaziamento gástrico é muito lento, o organismo entende que há excesso de alimento, o que estimula o reflexo de náusea.
Além disso, o corpo passa a absorver os nutrientes e a glicose mais lentamente, o que pode levar à queda nos níveis de açúcar no sangue, provocando tontura, suor frio e até perda momentânea de consciência em casos extremos.


Riscos da automedicação

Endocrinologistas ressaltam que esses medicamentos devem ser usados apenas sob prescrição e com monitoramento laboratorial regular.
A automedicação aumenta o risco de:

  • Hipoglicemia (queda brusca do açúcar no sangue);

  • Desidratação, por causa de vômitos e diarreia prolongados;

  • Comprometimento renal, em pessoas com predisposição;

  • Alterações hormonais e metabólicas, especialmente quando associados a dietas restritivas.

Outro erro comum é o uso de doses elevadas ou aplicações sem controle de tempo, o que acentua os efeitos colaterais e pode sobrecarregar o fígado e os rins.


Grupos que exigem maior cuidado

Os riscos são maiores em mulheres jovens, que muitas vezes recorrem aos medicamentos por motivos estéticos, e em pessoas com doenças hormonais, cardiovasculares ou renais.
Em idosos, o uso sem acompanhamento pode causar queda de pressão arterial e descompensação metabólica.
Pacientes diabéticos que já usam insulina ou outros medicamentos redutores de glicose também precisam de vigilância constante para evitar sobreposição de efeitos.


Importância do acompanhamento médico

O tratamento deve começar com doses baixas e progressivas, ajustadas pelo médico conforme a resposta do organismo.
É recomendável monitorar peso, pressão arterial, níveis de glicose e função renal nas primeiras semanas.
Caso o paciente apresente náusea persistente, fraqueza extrema ou sinais de desidratação, o medicamento deve ser suspenso até nova avaliação clínica.

Especialistas também alertam que a perda de peso induzida por esses fármacos não substitui reeducação alimentar e prática de exercícios.
Após a interrupção do uso, parte dos pacientes recupera o peso perdido se não houver mudança de hábitos.


Conclusão

Monjauro e Ozempic representam avanços importantes no tratamento da obesidade e do diabetes, mas não são soluções mágicas.
O uso indiscriminado pode gerar consequências sérias e até internações hospitalares.
Para garantir segurança e eficácia, a recomendação é clara: somente utilizar sob supervisão médica, com acompanhamento contínuo e indicação precisa.

O emagrecimento saudável exige tempo, orientação e disciplina — e não depende apenas de medicamentos.

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