Tocantins na COP30, comitiva robusta e crise elétrica em Brasília: quem paga essa conta verde?

Tocantins na COP30, comitiva robusta e crise elétrica em Brasília: quem paga essa conta verde?
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 11 de novembro de 2025 3

Durante a COP30, realizada em Belém (PA), o governador Laurez Moreira lidera a comitiva do Tocantins com o discurso de que o desenvolvimento sustentável precisa conciliar produção e preservação. O evento, que reúne líderes mundiais, empresários e ambientalistas, ocorre em meio à crescente pressão sobre os estados amazônicos para apresentarem resultados concretos de redução de emissões e incentivo à bioeconomia.

“Não há futuro verde sem respeito a quem produz”, afirmou Laurez em uma das reuniões com representantes do setor agrícola. “O Tocantins quer ser exemplo de sustentabilidade com base na ciência, na eficiência e na inclusão de quem vive da terra.”

Enquanto o discurso tocantinense ecoa na capital paraense, em Brasília o clima é de tensão. No Senado, avança o debate sobre os subsídios e encargos que pressionam a conta de luz em todo o país. O impasse entre o Ministério de Minas e Energia e o Congresso Nacional sobre o modelo tarifário reacende a discussão sobre quem, de fato, paga a conta da transição energética.

De acordo com dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o Brasil destina mais de R$ 37 bilhões anuais em subsídios e benefícios cruzados no setor. O Tocantins, por ter base produtiva ligada ao agronegócio e à irrigação, sente de forma direta o impacto dessas oscilações tarifárias.

Especialistas alertam que a crise elétrica nacional pode agravar as desigualdades regionais. “A agenda verde é necessária, mas o custo da transição não pode recair apenas sobre o consumidor e o produtor rural”, afirma o economista energético Paulo Meireles, consultor do setor elétrico ouvido pelo Diário Tocantinense.

Produtores do Vale do Araguaia e da região central do Estado também manifestaram preocupação com o peso da tarifa. A irrigação e o armazenamento de grãos dependem fortemente da energia elétrica, e o aumento dos custos pode reduzir a competitividade do campo tocantinense — justamente enquanto o Estado tenta projetar uma imagem verde no cenário internacional.

“É incoerente defender sustentabilidade em Belém e punir quem sustenta a produção no interior”, avalia o engenheiro agrônomo Carlos Prado, produtor rural de Gurupi.

A comitiva tocantinense participa de painéis sobre financiamento climático, energia limpa e políticas de crédito sustentável. A expectativa é que o Estado apresente propostas de integração entre cadeias produtivas e preservação florestal, além de buscar parcerias internacionais para o fortalecimento da economia verde.

No entanto, a pergunta que permanece é a mesma feita por empresários, agricultores e consumidores: quem paga a conta verde?

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