Boi gordo inicia 2026 sob incertezas no mercado externo e preços estáveis no Tocantins, diz Scot Consultoria ao DT
O mercado do boi gordo começou 2026 sob um ambiente de incerteza no setor exportador, após decisões recentes da China e do México que alteram as condições de importação de carne bovina. A avaliação é do consultor de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, em análise divulgada nesta semana.
A principal mudança veio da China, que concluiu antecipadamente uma investigação de salvaguarda iniciada em dezembro de 2024. O resultado foi anunciado no último dia de 2025, antes da previsão inicial, que apontava para o fim de janeiro deste ano.
Segundo a Scot Consultoria, a expectativa é de criação de uma cota global para importação de carne bovina pela China. Dentro desse volume, os países exportadores deverão dividir o total permitido. Para o Brasil, a projeção é de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas.
De acordo com Felipe Fabbri, a medida deve vigorar entre 2026 e 2028. Caso o volume estipulado seja ultrapassado, a carne bovina importada poderá ser taxada com uma alíquota adicional de 55%.
“Essa medida gera incerteza em relação às exportações brasileiras de carne bovina, especialmente pelo peso da China como principal destino do produto”, afirmou o consultor.
Outro fator que pressiona o setor é a mudança na política comercial do México. O país encerrou, no fim de 2025, um pacote de isenção de tarifas criado em 2022 para conter a inflação. Com isso, as carnes bovina e suína voltaram a ser taxadas.
A tarifa para a carne bovina passou a ser de 20%, com uma cota de 70 mil toneladas isentas. Para a carne suína, a taxa foi fixada em 16%, com cota de 51 mil toneladas. Em 2025, o México figurou entre os dez principais destinos da carne bovina brasileira.
Diante desse cenário, o mercado inicia 2026 com maior cautela quanto ao desempenho das exportações. No entanto, segundo a Scot Consultoria, os efeitos ainda não foram sentidos de forma significativa no mercado físico.
“O pecuarista tem conseguido administrar melhor a oferta, e a demanda permanece em níveis considerados confortáveis. Com isso, os preços vêm trabalhando de forma lateralizada”, avaliou Fabbri.
No Tocantins, as referências indicam estabilidade. A arroba do boi gordo está em torno de R$ 300, com registros de negócios chegando a R$ 305 tanto no norte quanto no sul do estado. Há também negociações abaixo dessa média, principalmente para boiadas mais velhas.
O boi comum é negociado na faixa dos R$ 300, a depender do comprador. Para as fêmeas, vaca e novilha são comercializadas entre R$ 280 e R$ 290, com valores mais elevados para lotes mais jovens, conforme qualidade, volume e distância dos frigoríficos.
Segundo a consultoria, os preços seguem estáveis em relação à abertura de janeiro. A expectativa do setor é acompanhar o comportamento do mercado ao longo das próximas semanas, diante dos desdobramentos no comércio internacional.
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