O que aconteceu com o Will Bank e o Banco Master: quem são os donos, como começou a crise e por que 12 milhões de clientes foram afetados

O que aconteceu com o Will Bank e o Banco Master: quem são os donos, como começou a crise e por que 12 milhões de clientes foram afetados
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 21 de janeiro de 2026 353

A liquidação do Will Bank e a crise do Banco Master formam um dos episódios mais sensíveis do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos e atingem diretamente cerca de 12 milhões de clientes. As duas instituições estavam ligadas ao mesmo grupo econômico e tinham como principal controlador o empresário Daniel Vorcaro.

Como começou a crise do Banco Master

O Banco Master era controlado por Daniel Vorcaro, empresário do setor financeiro que expandiu rapidamente as operações da instituição nos últimos anos. A partir de 2025, o banco passou a enfrentar sérias dificuldades de liquidez, problemas de solvência e questionamentos sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros. Após análises técnicas, o Banco Central do Brasil concluiu que a situação era irreversível e decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

A decisão afetou diretamente empresas ligadas ao grupo, entre elas o Will Bank, que dependia estruturalmente do mesmo controlador e de parte da engrenagem financeira do conglomerado.

Quem é o dono do Will Bank

O Will Bank, formalmente chamado de Will Financeira S.A., também estava sob controle do Banco Master, e, portanto, do empresário Daniel Vorcaro. Embora operasse como fintech digital, com foco em serviços simples e grande base popular, a instituição fazia parte do mesmo grupo econômico e acabou sendo impactada pelo colapso do controlador.

Mesmo com tentativas de manter o Will Bank em funcionamento de forma separada, a deterioração financeira do grupo tornou a operação insustentável.

 Por que o Banco Central decretou a liquidação do Will Bank

A liquidação extrajudicial do Will Bank foi decretada quando o Banco Central identificou que a fintech não tinha mais condições operacionais de continuar funcionando. Além da fragilidade financeira herdada do Banco Master, houve descumprimento de obrigações essenciais para a manutenção dos serviços bancários, o que levou à interrupção de cartões, contas e meios de pagamento.

Com isso, foi nomeado um liquidante para administrar ativos, passivos e organizar o pagamento de credores conforme as regras do sistema financeiro.

Quem são os 12 milhões de clientes afetados

O Will Bank acumulava cerca de 12 milhões de clientes, muitos deles das classes C, D e E, que utilizavam a instituição como principal acesso a conta digital, cartão de crédito, empréstimos e serviços básicos. O impacto social do encerramento é significativo, especialmente para pessoas que concentravam sua movimentação financeira na fintech.

 O que muda na prática para os clientes

Com a liquidação, os serviços do Will Bank foram interrompidos. Cartões deixaram de funcionar, contas tiveram movimentações suspensas e operações como Pix sofreram bloqueios temporários. Compras realizadas antes da liquidação continuam válidas, e as faturas seguem sendo obrigações dos clientes, pois integram a massa em liquidação.

 Como funciona a devolução de valores

Valores mantidos em conta ou aplicados em produtos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos podem ser ressarcidos até o limite legal por CPF ou CNPJ. Valores acima desse teto passam a depender do processo de liquidação e da apuração do patrimônio disponível.

Impacto no sistema financeiro

O caso do Banco Master e do Will Bank reacende o debate sobre crescimento acelerado de instituições financeiras digitais sem estrutura sólida de governança. Também pressiona o Fundo Garantidor de Créditos e reforça a necessidade de fiscalização rigorosa sobre grupos econômicos que controlam múltiplas instituições.

 Investigações e desdobramentos

A queda do Banco Master e do Will Bank ocorre em meio a apurações sobre a gestão do grupo, decisões administrativas e operações financeiras. As investigações podem resultar em responsabilização de dirigentes e controladores, além de processos judiciais e administrativos.

O alerta que fica

O episódio evidencia os riscos da concentração financeira em um único grupo controlador e reforça a importância de diversificação por parte dos clientes. Para o mercado, o caso deve influenciar mudanças regulatórias e maior rigor na supervisão de bancos digitais e fintechs.

A crise do Will Bank, ligada diretamente ao colapso do Banco Master e à atuação de seu controlador, marca um ponto de inflexão no sistema financeiro digital brasileiro e deixa lições importantes para consumidores, reguladores e o próprio mercado.

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