Secom de Palmas precisa sair das quatro paredes da capital, ampliar presença no Tocantins e no Brasil enquanto interior cobra visibilidade, contratações regionais e respostas diante das chuvas
Com 1.586.859 habitantes, 1.171.342 eleitores e PIB estadual superior a R$ 64 bilhões, dados do IBGE e das urnas mostram que comunicação restrita à capital não sustenta projeto político estadual.
O Tocantins é formado por 139 municípios e possui baixa densidade demográfica, cerca de 5,4 habitantes por quilômetro quadrado segundo o IBGE. Palmas concentra aproximadamente 209 mil eleitores e possui o maior Produto Interno Bruto municipal do estado, estimado em cerca de R$ 14,1 bilhões. O PIB estadual ultrapassa R$ 64 bilhões. Apesar disso, quase um milhão de eleitores vivem fora da capital.
A crítica que ganha força no interior é direta: Palmas não lidera o estado quando permanece apenas em Palmas. A percepção é de que a comunicação institucional se mantém restrita à capital, com poucos veículos regionais contemplados e forte investimento concentrado em outdoors e mídia visual local. No interior, muitas ações desenvolvidas na capital simplesmente não chegam ao conhecimento da população.
A ausência de estratégia mais ampla também repercute nacionalmente. Fora do Tocantins, praticamente não há presença institucional consolidada que projete as ações da capital ou dialogue com o Brasil. Em um cenário político cada vez mais digital e regionalizado, limitar-se à comunicação urbana enfraquece alcance e narrativa.
Enquanto isso, áreas estratégicas enfrentam cobranças no interior. O Ruraltins é pressionado por maior presença técnica nas regiões afetadas pelas chuvas, que impactam estradas vicinais e produção agrícola. Educação e Saúde estaduais são cobradas por contratações e reforço de equipes regionais. O Procon Tocantins também enfrenta demanda por atuação mais efetiva fora da capital.
O governador Wanderlei Barbosa tem intensificado agendas no interior e articulado medidas emergenciais para mitigar os impactos das chuvas, buscando recuperar infraestrutura e fortalecer apoio aos municípios atingidos. O esforço administrativo é visível, mas o desafio é transformar ação em percepção positiva.
Os números eleitorais reforçam a importância da capilaridade. Em 2022, Professora Dorinha Seabra foi eleita com 395.408 votos. Vicentinho Júnior obteve 55.292 votos. Carlos Gaguim somou 52.203 votos. Amélio Cayres registrou 22.921 votos. Eduardo Gomes ultrapassou 430 mil votos em sua eleição. Nenhum desses resultados foi construído apenas na capital.
Paralelamente, lideranças femininas como Cinthia Ribeiro e Professora Dorinha Seabra têm enfrentado ataques que, segundo aliados, extrapolam o campo político e assumem tom pessoal. O debate democrático exige firmeza nas críticas, mas também respeito institucional.
Palmas concentra riqueza, mas o Tocantins é decidido na soma dos 139 municípios. Comunicação restrita à capital, investimento excessivo em mídia visual urbana e pouca presença regional reduzem alcance. O interior quer ser ouvido e informado.
No Tocantins, liderança não se constrói apenas com PIB. Constrói-se com presença, diálogo e capilaridade. Quem compreende essa lógica fortalece governabilidade e amplia base política.