Mulher dá à luz em UPA de Palmas após família relatar três recusas de atendimento na maternidade

Mulher dá à luz em UPA de Palmas após família relatar três recusas de atendimento na maternidade
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 30 de junho de 2026 0

Uma mulher deu à luz na Unidade de Pronto Atendimento Sul, em Palmas, após a família relatar que ela teria procurado atendimento por três vezes no Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos e sido orientada a retornar para casa. O caso aconteceu no último sábado, 27, e levantou questionamentos sobre o protocolo de atendimento às gestantes na rede pública de saúde.

A paciente foi identificada como Marcela Silva, de 38 anos, moradora de Guaraí. Segundo o relato da família, ela estava em Palmas justamente para ter o bebê com mais segurança, mas passou por dias de dor, sangramento e idas à maternidade estadual antes do nascimento da criança.

De acordo com a família, Marcela começou a sentir dores e apresentar sangramento desde o dia 20 de junho. Mesmo com o agravamento do quadro, ela teria sido avaliada na maternidade e liberada para voltar para casa. A orientação, segundo os familiares, teria sido de repouso, sob a justificativa de que os sintomas seriam comuns no fim da gestação.

A cunhada da paciente, Karinny Alves, relatou que a família insistiu para que Marcela fosse internada, diante das dores e da dificuldade para caminhar. Segundo ela, em uma das idas à unidade, a família chegou a pedir “pelo amor de Deus” para que a gestante permanecesse no hospital, mas a internação não teria sido autorizada.

Ainda conforme o relato dos familiares, a orientação recebida seria de que a internação ocorreria apenas quando a gestação chegasse a 41 semanas. Com as contrações se intensificando no sábado, a família decidiu levar Marcela para a UPA Sul, no setor Sul de Palmas.

Ao chegar à unidade, a equipe constatou que o parto era iminente. Cerca de 20 minutos depois, o bebê nasceu na própria UPA, em uma sala de emergência. A unidade não possui estrutura de maternidade nem serviço regular de obstetrícia, e o parto precisou ser conduzido por pediatras e profissionais de enfermagem que estavam de plantão.

Segundo a família, os profissionais improvisaram o atendimento para garantir a segurança da mãe e do bebê. Biombos teriam sido usados para preservar a privacidade da paciente durante o procedimento. Apesar do susto, o bebê nasceu bem, mesmo com o cordão umbilical enrolado no pescoço, conforme relato repassado pelos familiares.

Após o nascimento, Marcela e o recém-nascido foram transferidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência para o Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos, onde passaram por avaliação, exames e acompanhamento clínico. Mãe e bebê receberam alta médica na tarde desta segunda-feira, 29.

O caso gerou preocupação porque a UPA é uma unidade voltada para urgência e emergência, mas não é referência para realização de partos. O atendimento feito no local ocorreu em caráter emergencial, diante do quadro avançado da gestante e da necessidade imediata de intervenção.

A família questiona por que Marcela não foi internada anteriormente na maternidade, mesmo com dores intensas, sangramento e perda de líquido. Os familiares também cobram explicações sobre os critérios usados para a liberação da paciente nas vezes em que ela procurou atendimento.

O Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos é vinculado à rede estadual de saúde. Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins deve esclarecer quais foram os procedimentos adotados no atendimento à paciente, quais critérios foram utilizados para não interná-la nas primeiras idas à unidade e se haverá apuração interna sobre o caso.

A Prefeitura de Palmas também fica com espaço aberto para se manifestar sobre o atendimento realizado pela equipe da UPA Sul, incluindo os procedimentos adotados no parto emergencial, a estrutura disponível na unidade e o suporte prestado à mãe e ao bebê até a transferência para a maternidade.

Até o fechamento desta matéria, não havia sido localizado posicionamento oficial da Secretaria de Estado da Saúde nem da Prefeitura de Palmas sobre os questionamentos apresentados. O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos, da direção das unidades de saúde e dos profissionais envolvidos.

Espaço aberto

O Diário Tocantinense mantém espaço aberto para manifestação da Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins, da Prefeitura de Palmas, da direção do Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos, da equipe da UPA Sul e da família de Marcela Silva. Caso haja envio de nota ou esclarecimento, a manifestação será incluída em atualização da reportagem.

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