Fábio Vaz vai a Colinas, se aproxima dos alunos, mas ainda precisa abrir o diálogo com a base governista

Fábio Vaz vai a Colinas, se aproxima dos alunos, mas ainda precisa abrir o diálogo com a base governista
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 21 de março de 2026 5

Em Colinas do Tocantins, a passagem do secretário de Estado da Educação, Fábio Vaz, pela Câmara e o contato com alunos reforçam uma qualidade que poucos contestam: ele domina a pauta, fala com propriedade sobre ensino e carrega resultados na área. Desde que retornou ao comando da Seduc, em dezembro de 2025, Fábio reassumiu com o discurso de continuidade dos programas estruturantes, valorização dos profissionais e foco nos indicadores de aprendizagem. Em Colinas, o secretário já vinha associando sua imagem a agendas de investimento, melhoria de estrutura e respostas rápidas para a rede estadual.

Politicamente, no entanto, a conta não fecha só com boa entrega técnica. O gesto de ir à Câmara, conversar com estudantes e marcar presença no município ajuda a consolidar imagem pública, mas não resolve uma queixa que segue circulando entre aliados do governo: a percepção de que Fábio Vaz ainda mantém pouca abertura com parceiros políticos quando o assunto é composição, espaço e nomeações. A própria leitura de bastidor sobre desgaste interno em torno do secretário já apareceu no radar político recente do Tocantins.

E é aí que está o ponto central. Fábio Vaz tem trabalho, tem conteúdo e tem entrega, mas precisa entender que uma secretaria do tamanho da Educação não vive apenas de gestão administrativa. Vive também de articulação, escuta, construção de pontes e leitura ampla do governo. Em política, especialmente num ano em que 2026 já invade os corredores do poder, não basta ser eficiente dentro da pasta; é preciso saber dialogar fora dela.

A avaliação que cresce entre observadores é direta: Fábio precisa pensar macro. Precisa sair da lógica excessivamente técnica e compreender que governo também se sustenta com equilíbrio político. Há aliados que querem ser ouvidos, parceiros que esperam mais interlocução e lideranças que enxergam na Seduc uma estrutura estratégica demais para operar de forma fechada.

Isso não apaga seus méritos. Ao contrário. O secretário construiu uma imagem de seriedade e de compromisso com resultados, o que lhe dá ativo real dentro da gestão. Mas justamente por ter trabalho reconhecido, a cobrança aumenta. Quem entrega mais, passa a ser cobrado também por mais visão política.

Em resumo, a visita a Colinas ajuda Fábio Vaz a reforçar presença, imagem e conexão com a comunidade escolar. Mas, no jogo maior, o recado continua o mesmo: excelência na educação é trunfo; abertura política é necessidade. E, para quem ocupa uma das vitrines mais importantes do governo, talvez já tenha passado da hora de entender que pensar grande não é apenas ampliar programas — é também ampliar diálogo.

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