Vicentinho Júnior filia Antônio Jorge e Hider Alencar, reforça PSDB para 2026 e mantém Cinthia no radar tucano
O PSDB do Tocantins, sob o comando do deputado federal Vicentinho Júnior, acelerou nesta reta final da janela partidária um movimento de reposicionamento para as eleições de 2026 e oficializou, na sexta-feira, 3 de abril, a filiação de nomes históricos da política e da segurança pública do estado. A estratégia foi tratada internamente como mais um passo na tentativa de reconstruir musculatura partidária, ampliar capilaridade regional e sinalizar que a legenda quer voltar a ocupar espaço real no tabuleiro eleitoral tocantinense.
Entre os nomes que ingressaram na sigla está o ex-deputado estadual e federal Antônio Jorge, recebido na sede do partido por Vicentinho Júnior e pelo ex-senador Vicentinho Alves. Administrador de formação, Antônio Jorge carrega um currículo de peso na política tocantinense: foi deputado estadual constituinte em 1988, reelegeu-se em 1990 como o mais votado daquele pleito, exerceu mandato na Câmara dos Deputados entre 1995 e 2003, integrou a gestão do ex-governador Siqueira Campos e participou da comissão responsável pela escolha da área onde seria implantada a capital Palmas. Hoje, preside o Sindicato Rural de Palmas.
No mesmo movimento, o partido também confirmou a filiação do médico Hider Alencar, ex-prefeito de Paraíso do Tocantins e ex-deputado estadual, além do coronel da reserva Osvaldo Mota, fundador e primeiro comandante-geral da Polícia Militar do Tocantins entre 1989 e 1990, com passagem também pela Assembleia Legislativa. As adesões reforçam o discurso tucano de reunir quadros com histórico administrativo, presença regional e trânsito em áreas estratégicas como política, agro, saúde e segurança pública.
Ao comentar as novas filiações, Vicentinho Júnior sintetizou o tom do movimento: “São nomes com grande contribuição ao Tocantins”. A frase resume a mensagem que o PSDB tenta vender ao mercado político: a de que o partido quer sair da condição de legenda residual no estado e voltar a se apresentar como abrigo de lideranças com densidade, memória política e capacidade de composição.
Na prática, a leitura dos bastidores é objetiva. Ao atrair figuras como Antônio Jorge, Hider Alencar e Osvaldo Mota, o PSDB sinaliza que pretende montar algo além de uma chapa meramente simbólica em 2026. O movimento fortalece a imagem de Vicentinho Júnior como articulador partidário, num momento em que as costuras para o próximo pleito já se intensificam nos bastidores e em que cada filiação, mesmo fora dos grandes holofotes, passa a ter peso estratégico.
Um ponto, porém, exigiu correção e precisão. O nome do coronel Luiz Cláudio Benício apareceu nas divulgações iniciais sobre o ato, mas o próprio ex-comandante-geral da PM informou posteriormente que não se filiou ao PSDB e que não pretende disputar cargo eletivo em 2026. Com isso, os nomes efetivamente confirmados no movimento são Antônio Jorge, Hider Alencar e Osvaldo Mota.
Outro dado que chama atenção é a situação da ex-prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro. Embora o partido tenha buscado reforçar o ambiente de coesão interna e de recomposição de quadros, não houve até o momento anúncio público amplamente documentado de desfiliação de Cinthia do PSDB, o que mantém a ex-prefeita no radar político da legenda, ainda que seu papel no projeto tucano para 2026 permaneça cercado de especulação e observação de bastidores.
O timing da movimentação não foi aleatório. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a janela partidária das Eleições 2026 ocorreu entre 5 de março e 3 de abril, período em que deputados federais, estaduais e distritais puderam trocar de legenda sem perda de mandato. Já 4 de abril, data que marca seis meses antes do primeiro turno, foi o prazo-limite para que futuras candidatas e futuros candidatos estivessem com filiação deferida e domicílio eleitoral regularna circunscrição em que pretendem concorrer. As eleições gerais estão marcadas para 4 de outubro de 2026.
Ao transformar o fim da janela partidária em vitrine política, o PSDB de Vicentinho Júnior tenta reposicionar a legenda com uma combinação clara: nomes experientes, reforço simbólico e sinalização de viabilidade eleitoral. Mais do que uma movimentação burocrática de filiações, o gesto busca mostrar que o partido quer entrar em 2026 com estrutura, memória política e capacidade de dialogar com setores tradicionais do Tocantins — inclusive em um cenário em que a disputa já começou, mesmo antes da campanha oficial.