Senado gastou R$ 2,5 milhões com passagens de executiva e Irajá entra no foco no Tocantins como um dos maiores gastos

Senado gastou R$ 2,5 milhões com passagens de executiva e Irajá entra no foco no Tocantins como um dos maiores gastos
Roque de Sá/Fonte: Agência Senado
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 6 de abril de 2026 3

Uma reportagem publicada nesta segunda-feira (6) colocou o senador Irajá (PSD-TO) no centro de um debate sensível sobre gastos públicos em Brasília e abriu, no Tocantins, uma nova frente de desgaste político em pleno pré-jogo de 2026. O motivo: o Senado Federal desembolsou cerca de R$ 2,5 milhões em passagens internacionais de classe executiva para senadores ao longo de 2025, e Irajá aparece entre os parlamentares com os maiores gastos nessa categoria, segundo levantamento com base em dados oficiais da Casa.

O dado nacional já é forte por si só. Mas, no recorte local, a repercussão é ainda maior porque o nome do senador tocantinense surge associado a alguns dos trechos mais caros listados no Portal da Transparência do Senado. Entre eles, aparece uma passagem para Lisboa no valor de R$ 37.353,99, além de um deslocamento para Moscou que chegou a R$ 68.096,79, e outro segmento internacional ligado à mesma missão, também saindo de Moscou, de R$ 8.995,05. O Portal da Transparência do Senado mantém página específica para acompanhamento de viagens oficiais, passagens e diárias dos parlamentares.

O dado nacional: R$ 2,5 milhões em executiva

O levantamento divulgado nesta segunda-feira mostra que o Senado custeou, em 2025, R$ 2,5 milhões em bilhetes internacionais em classe executiva para missões oficiais de senadores no exterior. A reportagem aponta que a despesa se concentrou em um grupo menor de parlamentares e cita Irajá entre os nomes que mais chamaram atenção pelo volume de gastos com esse tipo de bilhete.

A prática é permitida pelas regras internas da Casa quando se trata de missão oficial. O problema político, porém, não é apenas jurídico ou administrativo. Em ano pré-eleitoral, a discussão passa por outro filtro: se o gasto pode ser legal, ele também precisa ser defensável perante o eleitor.

E é exatamente aí que o caso ganha tração no Tocantins.

Irajá entra no foco local

No noticiário nacional, Irajá aparece ao lado de outros senadores entre os maiores custos em passagens executivas. No Tocantins, isso tende a ser lido de forma ainda mais dura porque o estado vive um momento de rearranjo político, com pré-candidaturas sendo testadas, alianças em formação e forte vigilância sobre o comportamento de quem pretende seguir no jogo em 2026.

O nome do senador já vinha circulando em discussões sobre posicionamento, presença política e capacidade de manter protagonismo no tabuleiro estadual. Agora, a pauta muda de natureza: deixa de ser apenas política e passa a ser também de fiscalização do uso de recursos públicos.

Em linguagem direta: o debate não será apenas “Irajá viajou”.
O debate será: quanto custou, para onde foi, com qual justificativa e qual foi o retorno político ou institucional dessas missões para o Tocantins?

Os trechos que chamam atenção

Entre os registros que mais geraram repercussão, estão:

  • Lisboa: R$ 37.353,99 em classe executiva;
  • Moscou: R$ 68.096,79 em classe executiva;
  • Outro trecho internacional ligado a Moscou: R$ 8.995,05.

Esses números chamam atenção porque, em comparação com a percepção média do contribuinte, representam valores muito acima do custo comum de deslocamentos internacionais, mesmo em viagens oficiais. Embora passagens em classe executiva sejam mais caras por natureza — especialmente em trechos longos, com conexão e alta demanda —, a repercussão política costuma se concentrar menos na explicação técnica do bilhete e mais na imagem pública do gasto.

E essa imagem, no caso de um senador em pré-radar eleitoral, pesa.

O que o Senado diz e o que a transparência mostra

No Portal da Transparência, o Senado informa que o senador em viagem oficial tem direito a passagens aéreas e diárias, podendo os bilhetes ser emitidos diretamente pela Casa ou comprados pelo próprio parlamentar para posterior ressarcimento. Também há relatórios anuais de controle de passagens e seguros, além de páginas específicas para acompanhamento das viagens oficiais dos senadores.

Ou seja: não há, por si só, irregularidade automática no fato de a viagem existir ou de o bilhete ter sido emitido em executiva, desde que esteja dentro das regras e vinculada a missão oficial.

Mas a política opera com outra lógica.
E a lógica política é simples: quanto maior o valor, maior a cobrança por transparência, justificativa e resultado.

A pergunta que o Tocantins vai fazer

A pauta que tende a ganhar corpo no estado não é apenas contábil. Ela é política.

O eleitor e o ambiente de bastidor tendem a perguntar:

  • Qual era o objetivo institucional de cada missão?
  • Quem autorizou ou validou a viagem?
  • Houve agenda pública divulgada?
  • O Tocantins teve algum ganho concreto com essas agendas?
  • Houve relatório de missão, articulação internacional, investimentos, acordos, participação em fóruns estratégicos?
  • Ou a viagem virou apenas mais um símbolo de Brasília distante da realidade do contribuinte?

Essa é a parte mais delicada da história.

Porque, em tempos de aperto fiscal, inflação ainda sensível no bolso e forte cobrança sobre privilégios da classe política, a classe executiva deixa de ser apenas uma categoria de assento e passa a ser um símbolo.

Por que essa pauta pode pesar em 2026

No Tocantins, o impacto dessa revelação não depende apenas do valor da passagem. Depende do momento político.

Em 2026, o estado terá um tabuleiro aberto, com grupos disputando espaço, narrativas e viabilidade. Em cenários assim, gastos públicos de alto valor costumam ser usados como munição política por adversários, especialmente quando envolvem:

  • viagens internacionais;
  • valores altos e fáceis de viralizar;
  • pouca explicação pública imediata;
  • e um nome que já circula no radar eleitoral.

A frase que tende a se consolidar nos bastidores é simples e forte:
“Enquanto o eleitor aperta o cinto, Brasília voa de executiva.”

E, quando um senador do Tocantins entra nessa planilha, o tema inevitavelmente aterrissa aqui.

Leitura final: o gasto pode ser legal, mas o desgaste já começou

Não há, até aqui, notícia de irregularidade formal envolvendo as passagens de Irajá. O ponto central não é esse. O ponto central é que a legalidade do gasto não elimina o desgaste político do valor.

O Senado pode prever esse tipo de despesa. O Portal da Transparência pode registrar corretamente os bilhetes. A missão pode ter sido formalmente oficial. Tudo isso importa.

Mas, em política, existe uma pergunta que pesa tanto quanto a norma:
o cidadão comum entende e aceita esse gasto?

No caso de Irajá, essa resposta tende a definir mais do que a repercussão da semana.
Pode definir o tamanho do desgaste no caminho até 2026.

Porque, em ano pré-eleitoral, a planilha vira narrativa.
E, no Tocantins, narrativa costuma virar voto.

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