Com Kátia no PT, Iratã no PSDB e Irajá no PSD, ato em Palmas vira palco de críticas ao governo e resgate de Carlesse

Com Kátia no PT, Iratã no PSDB e Irajá no PSD, ato em Palmas vira palco de críticas ao governo e resgate de Carlesse
Crédito: Jornal Opção
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 14 de abril de 2026 3
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O ato político realizado nesta segunda-feira, 13, em Palmas, que oficializou a pré-candidatura do ex-governador Mauro Carlesse ao Senado, acabou se transformando em mais do que um simples evento partidário. O encontro reuniu lideranças, pré-candidatos, parlamentares e imprensa, serviu para consolidar o espaço do PSD no jogo de 2026 e ainda expôs, de forma pública, um cenário que chama atenção nos bastidores da política tocantinense: Kátia Abreu no PT, Iratã no PSDB e Irajá no PSD, com a família Abreu distribuída em três palanques distintos. O Diário Tocantinense também acompanhou o evento e a movimentação política em torno do novo desenho eleitoral.

No centro da agenda esteve o senador Irajá Abreu, que subiu o tom ao defender a construção de um novo momento político para o Tocantins e fez uma crítica indireta à atual gestão estadual. Sem citar nominalmente o governador Wanderlei Barbosa, o senador disparou uma frase que repercutiu nos bastidores e foi lida como recado político direto: “Tem governante que passa pelo governo e não consegue projetar, viabilizar e entregar obras”. A declaração foi feita durante o discurso em que Irajá também exaltou o legado do ex-governador Mauro Carlesse e a necessidade de reorganizar forças para a disputa eleitoral que se aproxima.

Ao falar sobre Carlesse, Irajá foi além da defesa protocolar e resgatou o período do ex-governador no comando do Estado como uma referência de entregas concretas. O senador afirmou que Carlesse deixou um “legado inegável de obras”, citando realizações como o Hospital Geral de Gurupi e a ponte de Porto Nacional. A fala teve peso simbólico porque reforça a tentativa do grupo de recolocar Carlesse no centro da disputa majoritária, agora em busca de uma vaga no Senado, após meses de especulações sobre outros caminhos eleitorais.

O evento foi articulado pelo grupo liderado por Laurez Moreira, que apareceu ao lado de Irajá e Carlesse como uma das peças centrais da montagem da chapa do PSD para 2026. Durante o encontro, Laurez defendeu a união política do grupo e afirmou que a composição foi construída com base em estabilidade, segurança e inteligência política. Ao comentar a aproximação com Carlesse, chegou a dizer que já divergiu muito do ex-governador, mas que “só não muda de ideia quem não tem inteligência”, sinalizando de forma clara que o projeto agora é de convergência e fortalecimento eleitoral.

A movimentação ganhou ainda mais densidade política por causa do pano de fundo familiar e partidário que envolve os Abreu. Irajá segue no PSD e trabalha pela reeleição ao Senado dentro do grupo de Laurez. Iratã Abreu, por outro lado, decidiu permanecer no PSDB, legenda ligada ao pré-candidato ao governo Vicentinho Júnior, reforçando outro campo da disputa. Já Kátia Abreu passou a integrar o PT, em uma decisão que gerou resistência interna na sigla, mas acabou sendo mantida pela Executiva Nacional do partido, ampliando seu peso no xadrez político estadual.

No caso de Kátia Abreu, o movimento no PT não foi apenas formal. A filiação da ex-senadora e ex-ministra provocou reação de uma corrente interna da legenda, mas a direção nacional decidiu manter sua entrada por ampla maioria, consolidando a estratégia petista de ampliar alianças e fortalecer o palanque do presidente Lula no Tocantins. O episódio criou um novo pano de fundo para a política estadual e elevou a temperatura das especulações sobre possíveis rearranjos para 2026.

Mesmo com a mãe filiada ao PT, Irajá tratou de reafirmar seu compromisso com o projeto do PSD. Dias antes do evento em Palmas, o senador já havia elogiado publicamente a filiação de Kátia, classificando-a como um dos melhores quadros da política tocantinense, mas reforçou apoio incondicional à pré-candidatura de Laurez Moreira ao governo. O gesto deixou claro que, apesar da dispersão partidária da família, Irajá mantém seu foco no palanque pessedista e na estratégia eleitoral construída ao lado de Laurez.

Iratã Abreu optou por continuar no PSDB, fortalecendo o grupo político de Vicentinho Júnior em um momento decisivo de montagem de nominatas e alianças. A permanência foi anunciada em meio a intensas especulações sobre mudança partidária, o que ampliou ainda mais a leitura de que a família Abreu decidiu ocupar frentes diferentes da política tocantinense, cada uma com articulações próprias e interesses eleitorais distintos para o próximo pleito.

No evento de Palmas, o que se viu foi um PSD tentando mostrar organização, musculatura e rumo. Houve presença de aliados, apoio em vídeo do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, discurso de convergência entre antigos adversários e uma tentativa clara de vender ao eleitorado a imagem de um grupo preparado para enfrentar a disputa estadual. Nesse cenário, a fala de Irajá cumpriu duas funções ao mesmo tempo: blindar Carlesse, recém-lançado ao Senado, e marcar posição contra a atual condução do Estado.

Politicamente, o recado foi cristalino. Ao resgatar o legado de Carlesse e falar de governantes que não entregam obras, Irajá não apenas protegeu um aliado, mas também ensaiou um discurso de contraste para 2026. E isso ocorre justamente quando o Tocantins presencia uma equação rara na política local: Kátia no PT, Iratã no PSDB e Irajá no PSD, com cada peça da família Abreu ocupando espaços distintos em uma pré-campanha que promete mexer bastante com os palanques e alianças até a definição final da corrida eleitoral.

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