PF e CGU miram esquema de fraudes em contratos públicos e levam operação ao Tocantins; alvos incluem dirigentes de OS, empresas e agentes sob suspeita

PF e CGU miram esquema de fraudes em contratos públicos e levam operação ao Tocantins; alvos incluem dirigentes de OS, empresas e agentes sob suspeita
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 15 de abril de 2026 1

Estado entra no foco de investigação federal sobre desvio de recursos, superfaturamento, lavagem de dinheiro e possível contaminação da fiscalização de contratos públicos

O Tocantins entrou no mapa de uma operação pesada da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União que apura suspeitas de fraudes em contratos públicos, desvio de dinheiro, lavagem de capitais e irregularidades em processos de contratação. A ofensiva, deflagrada nesta quarta-feira, ganhou força nacional e acendeu alerta também no Estado, onde mandados foram cumpridos no braço da investigação que apura um suposto esquema ligado a organizações sociais e empresas contratadas.

As operações foram batizadas de Makot Mitzrayim e Rio Vermelho. No caso que atinge diretamente o Tocantins, a PF investiga um modelo de contratação que, segundo os investigadores, teria sido usado para driblar controles, inflar custos e abrir espaço para o escoamento irregular de recursos públicos. A suspeita envolve a chamada quarteirização e quinteirização de contratos, quando o serviço vai sendo repassado em várias camadas até criar um ambiente propício para superfaturamento e perda de controle sobre a execução real.

A operação Makot Mitzrayim cumpre 18 mandados de busca e apreensão em Goiás, Tocantins e Maranhão. Segundo a versão oficial, o esquema teria girado em torno de duas organizações sociais que atuaram em Goiás, com indícios de contratos firmados com valores acima do razoável e uso de empresas ligadas ao núcleo investigado. A apuração também aponta suspeita de pagamento indevido a agentes encarregados de fiscalizar esses contratos, o que torna o caso ainda mais delicado.

Já a operação Rio Vermelho corre em outra frente, com foco em suspeitas de irregularidades na gestão de recursos destinados ao enfrentamento da pandemia em um hospital de campanha administrado por organização social. Nessa etapa, a PF cumpre 28 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva em Goiás, Distrito Federal e São Paulo.

No Tocantins, o ponto mais sensível neste momento é que há mandados sendo cumpridos, mas os nomes dos envolvidos ainda não foram divulgados oficialmente. Até agora, o que se sabe é o perfil dos alvos: dirigentes de organizações sociais, empresas contratadas, operadores ligados ao fluxo financeiro sob suspeita e possíveis agentes públicos vinculados à fiscalização dos contratos. Veículos de Goiás relataram que um médico aparece como figura central em uma das frentes da investigação, mas sem confirmação nominal oficial nas informações públicas da PF.

A entrada do Tocantins nessa investigação aumenta a pressão sobre o debate de transparência, controle e fiscalização do dinheiro público. Quando uma operação federal desse porte alcança o Estado, o caso deixa de ser apenas policial e passa a ter peso político e administrativo. A pergunta que fica agora é até onde esse elo tocantinense chega e quem, de fato, foi alcançado pelas diligências. Essa leitura decorre do teor das apurações e do alcance interestadual da operação.

O caso ainda está em fase inicial de cumprimento de mandados e recolhimento de provas. Isso significa que novas identificações, bloqueios, quebras de sigilo e responsabilizações podem surgir nos próximos dias, à medida que o material apreendido for analisado. No Tocantins, o noticiário entra agora em zona de atenção máxima.

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