Dorinha é recebida com forte sinalização política no Farm Day e amplia sintonia com o agro às vésperas da Agrotins 2026

Dorinha é recebida com forte sinalização política no Farm Day e amplia sintonia com o agro às vésperas da Agrotins 2026
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 16 de abril de 2026 0

A presença da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil) na abertura da 4ª edição do Farm Day Fazendão, em Cariri do Tocantins, nesta quinta-feira (16), foi lida nos bastidores muito além de uma agenda protocolar. Em um dos ambientes mais simbólicos do calendário recente do setor produtivo, Dorinha apareceu em meio a produtores, lideranças do agro e representantes políticos justamente no evento que também marcou o lançamento oficial da 26ª Agrotins, a maior feira de tecnologia agropecuária da Região Norte. O gesto tem peso porque, em ano pré-eleitoral, cada presença em espaço estratégico do campo passa a funcionar como recado político — e, no caso da senadora, o recado foi de aproximação, reconhecimento e tentativa de consolidar presença em um dos setores mais influentes da economia tocantinense.

O evento foi realizado na Fazenda Pai e Filho, em Cariri, dentro da programação do Farm Day, que ocorre entre os dias 16 e 18 de abril e se consolidou como uma vitrine de negócios, tecnologia, debates técnicos e articulação política do agronegócio no sul do estado. A edição de 2026 chega mais robusta, com novo local, campo experimental, painéis temáticos, leilões e expectativa de público ampliada. A organização e veículos ligados ao setor destacam que a edição anterior movimentou mais de R$ 500 milhões em negócios e recebeu mais de 3 mil visitantes, enquanto projeções para este ano falam em até 10 mil pessoas ao longo dos três dias, o que ajuda a dimensionar o tamanho simbólico e econômico da agenda.

É nesse ambiente que a presença de Dorinha ganha densidade. A senadora reafirmou no evento que o agronegócio e a agricultura familiar seguem entre os eixos centrais de sua atuação em Brasília. Em declaração divulgada nesta quinta, ela afirmou: “O agro é o motor da economia tocantinense, gera empregos e sustenta o crescimento do estado. E a agricultura familiar também tem papel estratégico nesse processo, garantindo renda e dignidade a milhares de famílias.” A fala é politicamente eficiente porque dialoga com dois públicos que, embora distintos, têm peso real no Tocantins: o agro empresarial, que move exportação, arrecadação e investimentos, e a agricultura familiar, que segue essencial para abastecimento interno, permanência no campo e economia regionalizada.

Ao citar também a Agrotins como “vitrine de inovação e oportunidades”, Dorinha reforçou outro ponto que interessa à sua construção política: a defesa de políticas públicas que alcancem produtores de todos os portes, e não apenas o grande agro exportador. Em um estado como o Tocantins, esse equilíbrio importa. A disputa por espaço no setor produtivo não se resolve apenas com discurso pró-mercado; ela exige capacidade de conversar com grandes produtores, cooperativas, cadeias de proteína animal, fornecedores de insumos, médios agricultores e, ao mesmo tempo, com pequenos produtores e agricultura familiar, que têm peso social e capilaridade política relevante em muitos municípios.

O contexto torna o movimento ainda mais significativo. Pela primeira vez, o lançamento da Agrotins foi realizado fora do Palácio Araguaia, em um aceno direto ao setor produtivo, dentro de um evento privado que se tornou referência para o agro tocantinense. O governador Wanderlei Barbosa também esteve presente e reforçou publicamente a importância do setor, chegando a afirmar que a agenda institucional “não tem coloração partidária” e que o objetivo é “fazer a política do agronegócio”. Na prática, porém, esse tipo de ambiente sempre carrega leitura política: quando a maior feira agropecuária do estado é lançada em um palco do setor, com forte presença de lideranças e pré-candidatos, o que se vê não é apenas uma cerimônia — é um termômetro de posicionamento.

A Agrotins 2026 já tem data marcada: será realizada entre 12 e 16 de maio, no Parque Agrotecnológico Engenheiro Agrônomo Mauro Mendanha, em Palmas. O governo estadual informou que a proposta desta edição enfatiza rastreabilidade, transparência na produção agropecuária, inovação e fortalecimento do ambiente de negócios, em linha com novas exigências de mercado e com a agenda de competitividade do setor. Ao aparecer no lançamento da feira dentro do Farm Day, Dorinha se insere em uma fotografia política que importa: a da conexão com um setor que, além de econômico, é também altamente organizado, vocal e influente nas eleições.

Nos bastidores, a leitura é simples: o agro quer ser ouvido, valorizado e tratado como eixo estruturante do desenvolvimento do estado. E qualquer nome que dispute protagonismo em 2026 precisa demonstrar trânsito nesse ambiente. O Farm Day deste ano, inclusive, não foi apenas uma feira técnica. A programação incluiu debates sobre industrialização no campo, gestão de risco, sucessão, tendências econômicas globais e um painel político com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o senador Eduardo Gomes, o que mostra como o evento se consolidou também como espaço de formulação e sinalização pública. Quando um ambiente do agro reúne tecnologia, mercado, lideranças empresariais e atores políticos, ele deixa de ser apenas uma feira e passa a ser um território de construção de poder.

Para Dorinha, há um ganho claro de imagem. Ao ser vista em um evento que reúne produtores e lideranças do campo, a senadora fortalece a percepção de que busca ampliar pontes com um segmento decisivo na economia tocantinense. O agronegócio tem peso central no estado, tanto pela produção quanto pela capacidade de irradiar influência para transporte, comércio, serviços, indústria de alimentos e arrecadação municipal. Ao mesmo tempo, sua fala sobre agricultura familiar evita que a presença seja lida como alinhamento exclusivo ao grande produtor. É um movimento de equilíbrio político: falar com o topo da cadeia sem abandonar a base social do interior.

No Tocantins, esse tipo de gesto importa porque eleição estadual e federal costuma ser fortemente influenciada pela combinação entre capilaridade municipal, alianças setoriais e sinalizações públicas em ambientes de legitimidade econômica. O agro oferece exatamente isso: capilaridade, influência regional e capacidade de organizar discurso de desenvolvimento. Em cidades do interior, ser bem recebido em um ambiente do campo vale mais do que uma agenda formal de gabinete. Vale como fotografia política, como rede de contatos e como mensagem para outros atores que observam o tabuleiro.

A presença de Dorinha no Farm Day Fazendão, portanto, não deve ser lida apenas como participação em evento. Ela entra no radar de 2026 como mais uma peça de um movimento maior: o de consolidar interlocução com o setor produtivo em um momento em que o agro quer protagonismo, previsibilidade e peso na formação das futuras alianças. Em um estado onde a disputa eleitoral passa, inevitavelmente, pelo campo, aparecer bem posicionada nesse ambiente pode não decidir uma eleição — mas ajuda a mostrar quem já está disputando, desde agora, o espaço simbólico e político do Tocantins que produz.

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