Influenza, viroses respiratórias e arboviroses pressionam a saúde no Tocantins; especialista alerta para sintomas que se confundem

O Tocantins enfrenta um cenário de pressão simultânea na rede de saúde: o aumento de casos de influenza e outras viroses respiratórias coincide com a circulação elevada de arboviroses, especialmente a dengue. Sintomas como febre, dor no corpo, dor de cabeça e cansaço são comuns a essas doenças, o que pode atrasar o diagnóstico correto e complicar o tratamento.
De acordo com o boletim do Ministério da Saúde referente à Semana Epidemiológica 14 de 2026, a influenza respondeu por 29% das detecções de vírus respiratórios nas últimas semanas e por 41% dos óbitos com identificação viral no mesmo período. No Brasil, o vírus influenza (principalmente o subtipo A H3N2) tem circulado de forma mais intensa, contribuindo para o aumento de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
No Tocantins, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) mantém monitoramento constante das arboviroses. Dados consolidados de 2026 mostram mais de 10 mil casos prováveis de dengue até meados de abril, com aumento expressivo em relação ao mesmo período de 2025 (crescimento próximo a 203% segundo o Ministério da Saúde). O estado já registra óbitos confirmados pela doença, com outros em investigação. Municípios como Araguaína, Colinas do Tocantins e regiões do interior concentram boa parte das notificações.
A gerente de Vigilância das Arboviroses da SES-TO, Cristiane Bueno, tem alertado em entrevistas recentes para a importância do diagnóstico diferencial. “Febre alta de início súbito, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e fadiga são sintomas que aparecem tanto na influenza quanto na dengue. Por isso, é fundamental não subestimar e buscar atendimento médico precoce”, explica.
Sintomas que se confundem – quando procurar ajuda?
Especialistas recomendam atenção aos seguintes sinais:
- Comum a gripe/influenza e dengue: febre, dor no corpo, dor de cabeça, cansaço e prostração.
- Mais sugestivos de dengue: dor intensa atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele, náuseas e dor abdominal.
- Sinais de alerta para dengue grave (exigem atendimento imediato): vômitos persistentes, dor abdominal intensa, sangramentos (gengivas, nariz), tontura, fadiga extrema e dificuldade para respirar.
Diferentemente da gripe, a dengue costuma apresentar dor “quebrantada” (muito forte) e pode evoluir rapidamente após o fim da febre. Já a chikungunya se destaca pela dor intensa nas articulações, que pode persistir por semanas ou meses.
O infectologista consultado reforça: “Não tome medicamento por conta própria, especialmente anti-inflamatórios ou aspirina, pois podem piorar o quadro de dengue. Hidrate-se bem e procure uma Unidade Básica de Saúde ou pronto-socorro ao primeiro sinal de febre alta acompanhada de outros sintomas. O exame laboratorial é essencial para confirmar o diagnóstico.”
Prevenção é a melhor estratégia
- Contra arboviroses: elimine criadouros do mosquito Aedes aegypti (recipientes com água parada). Use repelente, roupas compridas e telas em janelas.
- Contra influenza e viroses respiratórias: mantenha a vacinação em dia (a campanha contra gripe ainda está disponível em muitas unidades). Evite aglomerações e lave as mãos com frequência.
- A SES-TO orienta que a população procure o serviço de saúde logo nos primeiros sintomas, especialmente idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com comorbidades, que têm maior risco de complicações.
Com o período de chuvas e variações de temperatura favorecendo a proliferação do mosquito e a circulação viral, a orientação unânime dos especialistas é clara: não espere o quadro piorar. O diagnóstico precoce salva vidas e alivia a pressão sobre os hospitais do Tocantins.