EUA avisam Brasil sobre ofensiva contra CV e PCC: intenção de classificar facções como organizações terroristas acende alerta em Brasília

EUA avisam Brasil sobre ofensiva contra CV e PCC: intenção de classificar facções como organizações terroristas acende alerta em Brasília
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 21 de abril de 2026 0

O governo dos Estados Unidos enviou um recado direto ao Brasil sobre sua intenção de intensificar o combate ao crime organizado transnacional. Durante reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, autoridades norte-americanas informaram que Washington está avançando para classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations – FTO, na sigla em inglês).

A sinalização ocorreu apesar da resistência da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não considera adequado o enquadramento das facções como grupos terroristas neste momento. A informação foi revelada pela coluna de Paulo Cappelli, no portal Metrópoles, nesta sexta-feira (17 de abril de 2026).

De acordo com as autoridades americanas, o objetivo principal da medida é ampliar os instrumentos de combate financeiro contra as duas maiores facções criminosas do Brasil. A classificação como FTO permitiria ativar mecanismos mais rigorosos do Departamento do Tesouro dos EUA, especialmente o OFAC (Office of Foreign Assets Control), responsável por sancionar e bloquear ativos de organizações consideradas ameaça à segurança internacional.

Isso facilitaria o congelamento de contas, restrições bancárias internacionais e sanções contra pessoas e empresas que mantenham qualquer tipo de relação com o CV ou o PCC — incluindo operações de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e armas que extrapolam as fronteiras brasileiras.

Contexto e bastidores

O tema já circulava nos bastidores desde o início do segundo mandato de Donald Trump, com discussões sobre tratar o crime organizado latino-americano de forma semelhante aos cartéis mexicanos. A reunião com Galípolo é interpretada como um gesto de cortesia diplomática, avisando o Brasil com antecedência sobre o avanço do processo, mesmo sem necessidade de concordância brasileira.

O governo Lula, por sua vez, tem defendido que as facções devem ser combatidas como organizações criminosas, e não como grupos terroristas. Ministros como o da Fazenda, Dario Durigan, já manifestaram preocupação com possíveis impactos negativos no mercado financeiro e no turismo caso a classificação seja concretizada.

Possíveis impactos para o Brasil

  • Sistema financeiro: Maior dificuldade para operações internacionais ligadas indiretamente às facções, afetando bancos, empresas e até remessas.
  • Relações diplomáticas: Aumento da tensão entre os dois países em temas de segurança e soberania.
  • Combate ao crime: Potencial fortalecimento da cooperação internacional, mas também risco de judicialização e questionamentos sobre interferência externa.
  • Economia: Analistas apontam possíveis efeitos colaterais em setores sensíveis, como o mercado de capitais e o fluxo de investimentos.

A designação final ainda depende de procedimentos internos no Departamento de Estado e no Congresso americano, mas o sinal dado a Galípolo indica que o processo está em estágio avançado.

O caso reacende o debate sobre a melhor estratégia para combater o crime organizado de alcance internacional. Enquanto os EUA buscam ferramentas mais duras de asfixia financeira, o governo brasileiro prefere manter o enquadramento tradicional no direito penal.

Acompanhe atualizações, pois o tema deve ganhar ainda mais força nos próximos dias nos bastidores de Brasília e Washington.

Notícias relacionadas