Crise no BRB escala com prisão de ex-presidente e reacende dúvidas sobre rombo bilionário das carteiras podres
A crise que abala o Banco de Brasília (BRB) ganhou novo fôlego nesta semana. A prisão preventiva do ex-presidente Paulo Henrique Costa, deflagrada pela Polícia Federal na quarta fase da Operação Compliance Zero (16 de abril de 2026), intensificou a pressão sobre a instituição e trouxe de volta ao centro do debate o tamanho real do rombo causado pela aquisição de ativos podres do Banco Master.
Segundo as investigações, Paulo Henrique Costa é suspeito de ter recebido cerca de R$ 146 milhões em propina do banqueiro Daniel Vorcaro (do Banco Master) para facilitar operações irregulares. A PF apura indícios de que o BRB adquiriu carteiras de crédito sem lastro real — os chamados “ativos podres” — em valores que chegam a R$ 12 bilhões ou mais, dependendo da fonte. Relatórios internos do próprio BRB e planilhas reveladas pela imprensa apontam que as transações entre as duas instituições superaram R$ 30 bilhões em alguns levantamentos.
A operação envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras. A defesa de Costa alega inocência e contesta a prisão, que deve ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana.
Celina Leão promete ajudar o banco
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que a atual gestão do BRB está colaborando com as investigações e que o banco foi “vítima” de irregularidades cometidas na gestão anterior. Em entrevistas recentes, ela garantiu que o BRB não corre risco de liquidação e que uma solução definitiva deve ser apresentada em até 30 dias.
Celina tem liderado articulações para socorrer a instituição: busca apoio na Faria Lima (centro financeiro de São Paulo), negocia com o Banco Central e tenta vender parte dos ativos problemáticos (recentemente anunciou acordo para vender R$ 15 bilhões em carteiras ligadas ao Master). Ela também criticou a falta de apoio do governo federal, afirmando que “parece que querem a quebra do BRB” e destacando que apenas a Caixa e o Banco do Brasil teriam reduzido negócios com o banco estatal.
O governo do DF já autorizou medidas como empréstimos garantidos por imóveis públicos e ampliação de capital, mas o mercado segue desconfiado. Agências de rating, como a Moody’s, rebaixaram a nota do BRB e apontaram risco próximo a default sem um aporte robusto de capital.
O que ainda não foi explicado
Apesar do avanço das investigações, vários pontos permanecem sem resposta clara:
- Qual o tamanho exato do rombo? Estimativas variam entre R$ 12 bilhões e valores muito superiores, dependendo do volume total de operações com o Master.
- Por que o BRB avançou na compra de carteiras mesmo com alertas internos sobre falta de lastro (como consignados sem empréstimos associados)?
- Qual o nível de conhecimento e responsabilidade da alta administração e do governo anterior no esquema?
- Como será feita a recuperação dos recursos públicos envolvidos?
Especialistas em sistema financeiro consultados pela imprensa apontam que o caso expõe falhas graves de governança em um banco público e pode ter impactos sistêmicos se não for contido rapidamente, afetando a confiança no setor e os milhares de servidores e cotistas que dependem do BRB.
A nova gestão do banco afirma estar trabalhando com transparência e busca capitalização urgente. Enquanto isso, a Operação Compliance Zero segue em andamento, com possibilidade de novas fases e prisões.
O caso está longe do fim. O que começou como uma tentativa de expansão do BRB via compra do Master transformou-se no maior escândalo financeiro recente do Distrito Federal, com desdobramentos que ainda vão render muitos capítulos.