Crise entre BRB e Banco Master acende alerta sobre salários, contas e dinheiro de clientes

Crise entre BRB e Banco Master acende alerta sobre salários, contas e dinheiro de clientes
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 24 de abril de 2026 0

A crise envolvendo o BRB e o antigo Banco Master ganhou um novo capítulo e voltou a acender um alerta direto para famílias, servidores, aposentados e correntistas: afinal, quando um banco entra em turbulência, o salário, a conta e o dinheiro do cliente estão seguros? O tema, que já preocupa no Distrito Federal, também interessa ao Tocantins, especialmente porque a dúvida sobre segurança bancária costuma se espalhar rapidamente quando o noticiário mistura Banco Central, Polícia Federal, investigações, liquidez e risco institucional.

Nos últimos dias, a crise se agravou após novas revelações sobre a operação entre os dois bancos. A Reuters informou que o BRB assinou um memorando com a Quadra Capital para transferir ativos ligados ao Banco Master, avaliados em cerca de R$ 15 bilhões, numa tentativa de reforçar capital e liquidez. Pelo acordo, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem entrar em caixa, enquanto o restante será convertido em cotas subordinadas de um fundo criado para administrar e monetizar esses ativos.

O movimento ocorre depois de uma sequência de abalos. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso pela Polícia Federal em abril, suspeito de participação em um esquema de corrupção ligado às operações entre os dois bancos. Segundo a Reuters, a investigação cita suspeita de propina de R$ 146 milhões em imóveis para favorecer transações com o Master. A defesa dele nega irregularidades.

Para o cliente comum, o ponto mais importante é separar crise institucional de risco imediato ao correntista. Em geral, conta corrente, salário, Pix, cartão e serviços bancários não desaparecem automaticamente porque um banco entrou em crise. O que costuma acontecer, primeiro, é aumento da insegurança, corrida por informação e pressão sobre liquidez. Se houver intervenção mais dura, o Banco Central pode impor medidas de proteção, e depósitos cobertos pelo FGC seguem regras próprias de garantia, conforme o tipo de produto financeiro.

No caso do BRB, o banco tenta mostrar que segue operando e que está montando uma estrutura para absorver o impacto. A própria Reuters informou que os acionistas aprovaram um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, numa tentativa de estabilizar a instituição após os danos provocados pela relação com o Master.

Na prática, a pergunta das famílias continua simples: se a crise piorar, o banco continua pagando salário, aposentadoria e mantendo acesso à conta? Em regra, sim, enquanto a instituição segue operando normalmente. O que muda é o grau de tensão sobre o sistema, a necessidade de monitoramento e o risco de decisões regulatórias mais duras. É por isso que, quando a crise chega ao noticiário, o problema deixa de ser só de Brasília: vira também um tema de bolso, confiança e medo para quem depende do banco todos os dias.

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