Conselho reprova contas da Saúde de 2025 em Colinas após ex-prefeito Kasarin dizer que gestão foi “exemplo de sucesso”

Conselho reprova contas da Saúde de 2025 em Colinas após ex-prefeito Kasarin dizer que gestão foi “exemplo de sucesso”
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 29 de abril de 2026 2
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Documentos obtidos com exclusividade pelo Diário Tocantinense apontam atrasos, inconsistências e reprovação de relatórios da Saúde; nas redes, ex-gestor citou maternidade, cirurgias e reformas de UBSs como marcas da administração.

O Conselho Municipal de Saúde de Colinas do Tocantins reprovou prestações de contas e relatórios da Saúde referentes ao exercício de 2025, em contraponto ao discurso público do ex-prefeito e pré-candidato a deputado estadual pelo Podemos, que afirmou nas redes sociais que a gestão foi “exemplo de sucesso”. O Conselho é representado por Alcira Nogueira.

Em publicação nas redes, o ex-gestor  Josemar Carlos Casarin (Podemos) declarou: “No papo sobre Saúde, mostramos como a Gestão foi exemplo de sucesso, com a implantação da Maternidade, Cirurgias, reforma e instalações de novas UBSs, e muito mais!”

Os documentos obtidos com exclusividade pelo Diário Tocantinense, no entanto, apontam outro cenário. Pareceres e resoluções do Conselho citam atrasos na entrega de relatórios, inconsistências nos dados apresentados, falhas de transparência, problemas estruturais na rede municipal e dificuldade de fiscalização.

A Resolução CMS nº 04/2025 reprovou as prestações de contas referentes ao 1º e 2º quadrimestres de 2025 do Fundo Municipal de Saúde. O documento afirma que a decisão foi tomada em plenária realizada em 22 de dezembro de 2025.

Já a Resolução CMS nº 01/2026 reprovou a prestação de contas do 3º quadrimestre de 2025, citando descumprimento do prazo legal, inconsistências nos dados e ausência de identificação da aplicação do percentual anual mínimo em serviços de saúde.

Outro documento, a Resolução CMS nº 02/2026, reprovou o Relatório Anual de Gestão de 2025, também apontando descumprimento de prazos, divergências nos dados e recomendando o envio das constatações a órgãos de controle externo, como Tribunal de Contas e Ministério Público. Toda documentação e pública e todos tem acesso a eles.

No parecer técnico sobre o RAG/2025, a comissão afirma que os relatórios apresentaram falhas graves e recorrentes em dimensões da gestão municipal da saúde, incluindo execução orçamentária, metas, indicadores, cobertura de serviços, assistência farmacêutica, infraestrutura, recursos humanos e controle social.

O parecer também afirma que o Plano Anual de Saúde de 2025 havia sido aprovado com ressalvas, mas que as mesmas inconsistências teriam se repetido nos relatórios posteriores. Para a comissão, isso indicaria um padrão de “repetição” e “copiar e colar”, sem correção das falhas apontadas.

Entre os problemas citados estão UBSs com goteiras e climatização defeituosa, falhas logísticas com medicamentos, ausência de dados sobre fila de espera, inconsistências em indicadores, falta de insumos básicos, equipamentos quebrados e precariedade no funcionamento do Conselho Municipal de Saúde.

O Conselho também encaminhou ofícios ao prefeito municipal e à Câmara de Colinas informando a reprovação dos relatórios do 1º, 2º e 3º quadrimestres de 2025 e do Relatório Anual de Gestão.

Apesar da crise estrutural relatada pelo próprio Conselho, os documentos mostram que a comissão conseguiu identificar falhas consideradas graves, mesmo alegando limitações para fiscalização, ausência de autonomia financeira e dificuldades de funcionamento.

O caso coloca em choque duas versões sobre a saúde pública de Colinas: de um lado, a fala política do ex-gestor, que apresenta a área como exemplo de sucesso; de outro, documentos oficiais do Conselho Municipal de Saúde que apontam reprovação de contas, falhas de gestão e necessidade de análise por órgãos de controle.

O Diário Tocantinense deixa espaço aberto para manifestação do ex-prefeito, da Prefeitura de Colinas do Tocantins, da Secretaria Municipal de Saúde, do Conselho Municipal de Saúde e dos demais citados. Caso haja resposta, o posicionamento será acrescentado à matéria.

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