“Leva para Araguaína, lá é pior”, teria dito secretário de Saúde de Colinas a morador com mãe internada

“Leva para Araguaína, lá é pior”, teria dito secretário de Saúde de Colinas a morador com mãe internada
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 6 de maio de 2026 4

Família denuncia camas enferrujadas, falta de ar-condicionado e suposto descaso após internação de idosa com suspeita de AVC no Hospital Municipal de Colinas

O morador de Colinas do Tocantins Antonio Junqueira procurou o Diário Tocantinense nesta quarta-feira (6) para denunciar supostas condições de abandono estrutural no Hospital Municipal de Colinas e relatar o que classificou como tratamento desrespeitoso por parte da gestão municipal de saúde. Segundo ele, ao reclamar da situação enfrentada pela mãe internada na unidade, para o secretário municipal de Saúde, via telefone, ouviu  a frase: “Leva para Araguaína, lá é pior”.

A denúncia ocorreu após a internação da idosa Hilda da Silva Junqueira, que, segundo a família, deu entrada na unidade hospitalar com quadro de hipertensão severa e suspeita inicial de AVC isquêmico.De acordo com Antonio, apesar do atendimento médico ter sido realizado, a estrutura física encontrada dentro do hospital provocou indignação. O morador afirma que a mãe permaneceu internada em um quarto com camas enferrujadas, deterioradas e com partes metálicas expostas.

“Ela estava com a pressão incontrolável e início de AVC isquêmico. O atendimento médico aconteceu, mas a infraestrutura estava abandonada. As camas tinham ferrugem, ferro exposto e poderiam machucar pacientes”, afirmou.Segundo ele, outros pacientes internados no mesmo quarto enfrentavam as mesmas condições. Antonio também denunciou falhas na climatização da unidade, afirmando que o ar-condicionado do quarto não funcionava durante a permanência da idosa.“O ar-condicionado simplesmente não funcionava. Os pacientes estavam naquele calor, inclusive idosos e pessoas debilitadas”, disse.

O morador afirma que decidiu procurar autoridades municipais após presenciar a situação. Segundo ele, tentou relatar o problema ao ex-prefeito, ao atual prefeito e ao secretário municipal de Saúde. Foi nesse momento, segundo Antonio, que ocorreu a declaração considerada ofensiva.“Quando reclamei da estrutura, ele falou: ‘Leva para Araguaína, lá é pior’. Eu respondi que voto em Colinas e que, se encontrar isso em Araguaína, também vou reclamar. Reclamo como cidadão”, relatou.

Normas hospitalares

A denúncia levanta questionamentos sobre o cumprimento das normas sanitárias e estruturais previstas para unidades hospitalares públicas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da RDC nº 50/2002, determina que hospitais e unidades de saúde devem garantir condições adequadas de segurança, conservação estrutural, conforto térmico e integridade física dos pacientes.

A norma estabelece que mobiliários hospitalares não podem oferecer risco de acidentes, ferimentos ou contaminação. Especialistas da área de gestão hospitalar apontam que ferrugem em camas hospitalares e estruturas metálicas deterioradas representam risco sanitário, especialmente em ambientes destinados a idosos e pacientes em situação clínica delicada.

A Constituição Federal, no artigo 196, estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Já a Lei nº 8.080/1990, que regulamenta o Sistema Único de Saúde (SUS), prevê que os serviços públicos de saúde devem assegurar atendimento digno, seguro e adequado à população.

Dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) apontam que hospitais municipais do interior brasileiro enfrentam dificuldades relacionadas à manutenção predial, reposição de equipamentos e climatização. Ainda assim, especialistas ressaltam que a precariedade estrutural não elimina a responsabilidade do poder público de garantir condições mínimas de funcionamento e segurança aos pacientes.

A denúncia reacende o debate sobre a situação da saúde pública em municípios do interior do Tocantins, especialmente em cidades onde a população depende exclusivamente da rede municipal para atendimentos de urgência, internações clínicas e estabilização de pacientes graves.

O Diário Tocantinense tentou contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Colinas do Tocantins para solicitar posicionamento sobre as denúncias envolvendo camas deterioradas, falta de climatização e a declaração atribuída ao secretário municipal de Saúde, mas não consegui contato até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto.

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